Publicado en: 5 diciembre, 2015

São Paulo: Herr Herman Voorwald demitiu-se! [Vídeos]

Por 247

‘Reorganização educacional’que enfrentou forte resistência dos estudantes e descambou em violência da Polícia Militar paulista contra os alunos.Quem bate em estudante merece ser presidente?

A chamada “reorganização educacional” do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez mais uma vítima: o secretário de Educação, Herman Voorwald.

Voorwald pediu para deixar o cargo após o governador anunciar, na tarde desta sexta-feira 4, o adiamento do projeto, que seria implementado em 2016 e previa o fechamento de 93 escolas.

Alckmin aceitou o pedido do secretário, que estava no cargo desde 2011. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a decisão de recuar em relação ao projeto de mudança nas escolas foi tomada sem a concordância de Voorwald.

Os alunos, no entanto, classificam a suspensão anunciada por Alckmin como “manobra”, apenas para “enfraquecer” o movimento de ocupação das escolas. Eles só deixarão o local quando a medida for revogada pelo tucano.

O anúncio da reforma escolar resultou em insatisfação dos estudantes, que ocuparam mais de 200 escolas pelo Estado, em protesto, e a autorização, pelo governo, do uso da força policial contra os alunos, que foram agredidos e presos.

A situação se tornou insustentável após diversas prisões e flagrantes de agressão. Sobre o assunto, Alckmin apenas dizia que a PM “dialoga, conversa” e pede para as pessoas desocuparem as escolas antes de agir.

A imagem de Alckmin saiu fortemente abalada do episódio e sua reprovação atingiu níveis recordes. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta, apenas 28% do eleitorado paulista avaliaram o desempenho do tucano como ótimo ou bom.

Professores fazem assembleia para discutir ações após decisão de Alckmin

Flávia Albuquerque – Após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciar, no início da tarde de hoje (4), a suspensão da reorganização escolar por um ano, professores se reuniram em assembleia na Praça Roosevelt, região central da capital paulista, para decidir os próximos passos do movimento contra as mudanças.

Segundo a presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeosp), Maria Izabel Azevedo Noronha, o anúncio do governador não basta para que alunos e professores parem o movimento. Ele informou que na sexta feira (11) deverá ocorrer um novo ato. “Ele disse que o ano que vem será um ano de debates sobre a reorganização, escola por escola. Ele não colocou nenhuma condição, mas a normalização não é uma coisa automática.”

Maria Izabel ressaltou a necessidade de professores e alunos avaliarem a situação, porque as mudanças haviam sido impostas. “A reorganização ia ser na marra. Com a organização dos alunos e professores nas ruas, ele recuou, mas isso não quer dizer que ele não vá ‘tirar o saco de maldades’. Eu não acredito nisso.”

A presidente da Apeosp disse que os movimentos devem continuar conversando, de modo a fechar o ano em alerta para o que pode ocorrer em 2016. Sobre as notícias de renúncia do secretário de Educação, Herman Voorwald, Maria Izabel afirmou que, se confirmada, a saída teria sido resultado das consequências do autoritarismo do secretário.

Quem bate em estudante merece ser presidente?

Até recentemente, aliados do governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, diziam que a candidatura presidencial pelo PSDB em 2018 cairia naturalmente no seu colo, quase que por gravidade. Bastaria ficar quieto e deixar que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um mau perdedor que ameaça a democracia brasileira, prosseguisse com suas trapalhadas, no seu ímpeto golpista.

Por isso mesmo, Alckmin manteve um diálogo construtivo com a presidente Dilma Rousseff e jamais comprou abertamente a tese do impeachment. Aos poucos, ele vinha amarrando alianças dentro do PSDB, como com o governador Marconi Perillo, de Goiás, e com outros partidos, como o PSB.

No entanto, o projeto Alckmin dependia também de que ele não cometesse erros. Especialmente, que não cometesse erros tão grotescos como a guerra inútil e já perdida que ele próprio criou com estudantes secundaristas, ao decidir fechar 93 escolas em seu projeto de ‘reorganização educacional’.

Numa resistência histórica, os alunos ocuparam mais de 100 escolas e, como Alckmin não se dispôs a dialogar, os protestos migraram para as ruas. A imagem que simboliza a luta estudantil foi captada por Newton Menezes, da Agência Futura Press, e, nela, um policial militar, com os punhos cerrados, agride com um soco no rosto um estudante, como se pretendesse levá-lo a nocaute num ringue de boxe.

A imagem, publicada na capa do jornal Estado de S. Paulo, estará inscrita para sempre na biografia de Alckmin. Se o paranaense Beto Richa era o governador tucano que batia em professores, Alckmin conseguiu ir além. É o governador tucano que bate em alunos. Ou seja, que violenta o futuro.

Não por acaso, esta sexta-feira traz também uma pesquisa Datafolha que revela um quadro desolador para o governador. Sua aprovação caiu vinte pontos e é a mais baixa da história. Se um ano atrás 48% o consideravam ótimo ou bom, hoje são apenas 28%. Menos do que os 30% que consideram sua administração ruim ou péssima.

Alcklmin ainda não repreendeu a Polícia Militar, não pediu desculpas aos estudantes, nem reviu sua reorganização escolar. Mas mesmo que o fizesse, nada seria capaz de ressuscitar seu projeto presidencial de 2018

 

1-Vídeo:Mino Carta: “Eu gosto dessa resistência”

2-Vídeo: Alunos do Fernão presentes

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