São Paulo: Estudantes decidem intensificar ocupações. Manifesto

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Assembleia na tarde do dia 29 na escola Caetano de Campos, no centro de São Paulo, com representantes de escolas ocupadas contra a reorganização do ensino da pretendida pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) definiu intensificar o movimento até que a secretaria de Educação abra um canal de diálogo com a comunidade escolar sobre o projeto e seus impactos. O evento reuniu estudantes de cerca de 40 ocupações de escolas da capital e de outras cidades do estado.

Além da continuidade da mobilização, os estudantes tiraram um manifesto que unifica a pauta da luta e que já passou a circular entre estudantes secundaristas de todo o estado, via redes sociais.

O manifesto propõe seis pontos fundamentais para a continuidade da resistência do movimento contra a intransigência do governo estadual, que busca impor medidas que vão, numa avaliação prévia, fechar ao menos 93 escolas e transferir automaticamente cerca de 311 mil alunos de suas atuais unidades escolares.

No documento, os estudantes reforçam que estão em luta por educação pública de qualidade, que em sucessivas manifestações públicas buscaram o diálogo com o governo Alckmin logo que foi anunciado o projeto de reorganização e que, mantida a intransigência, as ocupações foram a última alternativa que encontraram.

Afirmam ainda que, quando o secretário Herman Voorwald propôs suspender a reorganização por 10 dias, em audiência de conciliação no Tribunal de Jusitça de São Paulo, no dia 19, admitu que não houve discussão sobre projeto e que sua aplicação seria imposta sem que os estudantes, pais e professores fossem ouvidos.

A partir daí, o manifesto enumera os princípios fundamentais do movimento:

MANIFESTO

– revogação imediata do projeto de reorganização do ensino em São Paulo;

– nenhuma escola será fechada;

– nenhuma escola será dividida;

– nenhum professsor será demitido;

– não se admite nenhuma sala superlotada;

– nenhum aluno, pai, professor ou cidadão que pariticipe de alguma forma das ocupações será perseguido.

Nova escola

A assembleia reuniu estudantes de Guarulhos, Santos, Campinas, Sorocaba, Americana, Itapecerica da Serra, Guarujá, Piracicaba, Praia Grande e Mauá, além da capital. O encontro alternou momentos de emoção, pela proporção tomada pelo movimento, e de energia, com palavras de ordem como «Ocupar é resistir», «Alckmin veio quente e nós ‘já tá’ fervendo» e «Alckmin, almofadinha, os estudantes vão te por na linha», entre outros.

A Ubes anunciou que cerca de 250 escolas em todo o estado estão ocupadas contra a reorganização do ensino proposta pelo governo paulista. A Apeoesp, sindicato que representa os professores da rede pública estadual, em balanço divulgado durante à tarde, aponta 199 escolas ocupadas, 73 delas na capital.

Ao fim da assembleia, participantes manifestaram impressões e expectativas acerca da mobilização.

Em sua participação, Anderson Ribeiro de Freitas, de Praia Grande definiu o sentimento geral dos alunos que partiram para a mobilização organizada contra as medidas propostas pela secretaria de Educação: «o mais importante é que estamos dicutindo a escola que queremos.»

Mateus Lopes da Silva, da escola Maria José, na região central da capital, confimou: «a escola não deveria ser essa coisa chata onde você vai, senta e olha pra cara do professor e muitas vezes não aprende nada. A escola tem que ter cultura e é isso que tentamos fazer na ocupação. Desde que estamos lá, temos feito oficinas e convidamos toda a comunidade para participar conosco.»

A estudante Patrícia preferiu não revelar o nome completo, mas deixou claro seus sentimentos em relação ao projeto pedagógico em vigor nas escolas públicas paulistas: «eu cansei de ser doutrinada. Na minha escola tem grade nas portas e nas janelas. Isso já é quase terrorismo. O governador não quer gente inteligente para bater com ele.»

Rosimeire Gualberto, que dá aulas de sociologia em Santos conclamou que se amplie e fortaleça o movimento dos estudantes até o atendimento das reinvindicações: «precisamos do apoio de outros estados e até de países vizinhos. Proponho que, se for necessário, não iniciemos o ano letivo.»

 

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