São Paulo: A ‘educasão’ é um ‘pobrema’, não é Alckmin?

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A ‘educasão’ é um ‘pobrema’, não é Geraldo?

Um mês de greve e até o momento nada. Nem papel higiênico as escolas do Estado de São Paulo têm para oferecer. Em muitas, nem água para beber.

Os professores, batalhadores de sempre, continuam acampados nas ruas, reivindicando direitos e sendo silenciados pela imprensa-golias, que prefere dar voz ao xaveco furado do Geraldo, ao dizer que está valorizando os professores com “o maior bônus da história”.

No “maior” implicitamente mora o “menor”, no “valor” mora o “desvalor”, e disso o burocrata Geraldo sabe bem. Assim, na estratégia silenciante, prevalece a verdade-oficial sem abalar esse discurso fajuto e as contradições da história.

A educasão em SP não é um pobrema, engano meu, na verdade é eficaz, já sucateou pelo menos duas gerações estudantis nesses 20 anos de governo monopartidário e garantiu a cegueira-pálida da população por mais um tempão.

Além disso, essa eficácia produz um número mais que satisfatório pras vagas de subemprego, das agora famosas terceirizações (escravidão das antigas com versão modernosa).

O plano é simples: Arregaça com as condições de trabalho dos professores e investe na “cidadania” prisional da juventude. Os professores serão vistos como um bando de vagabundos-reclamões a serem ignorados e a juventude como delinquentes inatos a serem contidos, se possível a sete palmos abaixo daqui.

Pois, em muitos casos, quem vem cuidando da disciplina pedagógica nas escolas tem sido a polícia, ou seja, quando o bixo pega chama us home, que o Geraldo garante.

Se a diminuição da maioridade penal tiver êxito fica perfeito, né Geraldo? Os jovens sairão da escola escoltados direto pros presídios. Logo você dá um jeito e o caminho dos professores será o mesmo, e a educasão seguirá pro tão praticado descaso, a ovelhinha que embala a mamada tranquila do intocável Geraldo e sua trupe.

Sem pobrema… Garanto que o mercado de escolas particulares está pronto para atendê-lo, pra que você pague duas vezes por um direito não cumprido. Distorção perfeita da orquestra-geraldina.

Agora, se quiser continuar contando com a escola pública e se afundar na areia movediça junto com os professores as portas estão abertas, até o sinal tocar, a tranca selar e as grades reinarem pro terror da educasão paulista.

Enquanto isso os professores seguem, sem resposta ou proposta, só restando a greve. Sem aumento digno, no risco das salas super-lotadas, desempregados, assediados moralmente e ignorados.

Já o Geraldo passa o pó na cara, ajeita a gravata, corta a fita de inauguração, mira a câmera de maior audiência e garante o “maior” e o mais “valorizado” tratamento aos professores, pois educasão é prioridade.

Depois, segue pro Palácio encolhendo o nariz de madeira, orgulhoso da sua eficácia e sem dar margem pra nenhum pobrema.

 

Michel Yakini é escritor e produtor cultural.

www.michelyakini.com

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