São Paulo: Alckmin abandonou o Opus Dei?

 

Fiquei numa dúvida atroz quando li na coluna de Julia Duailibi, no jornal Estadão, que o governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB, promoverá um “reforço espiritual” nos próximos dias. “Os tucanos querem montar uma agenda do candidato com segmentos evangélicos e católicos”. Como ela observa, “com o começo da campanha eleitoral, é comum os candidatos procurarem lideranças religiosas e colocarem na agenda eventos populares, como visitas ao Santuário de Aparecida e à missa do Padre Marcelo. Há cerca de uma semana, Aécio reuniu-se com integrantes da Assembleia de Deus”. Mas minha dúvida é se Geraldo Alckmin teve algum desentendimento com o Opus Dei e abandonou a seita.

A ligação do governador de São Paulo com este “segmento” religioso, famoso por suas posições direitistas, é antiga. Já em 1978, como prefeito de Pindamonhangaba, no interior paulista, ele batizou uma rua da cidade com o nome do fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá Balaguer, como forma de marcar o cinquentenário da seita. Ele também teve como confessor o padre José Teixeira, famoso difusor da organização no Brasil. Os seus vínculos, porém, sempre permaneceram na penumbra, até que a revista Época, de janeiro de 2006, publicou uma reportagem bombástica, assinada por Eliane Brum e Ricardo Mendonça. Ela revelou que o grão-tucano usava o Palácio dos Bandeirantes para reuniões semanais da seita.

“Nos últimos anos, Alckmin tem recebido formação cristã no Palácio dos Bandeirantes de um influente numerário do Opus Dei, o jornalista Carlos Aberto Di Franco… Ela é chamada informalmente de Palestra do Morumbi, numa alusão ao bairro onde se localiza a sede do governo. Alckmin e um grupo de empresários, advogados e juristas recebem preleções de cerca de 30 minutos. Um dos participantes, o desembargador aposentado e professor da USP, Paulo Fernando Toledo, diz que o governador é um dos ‘alunos’ mais aplicados. ‘Ele toma nota de tudo’. Outro membro, José Conduta, dono da corretora Harmonia, relata que Alckmin não faltou a nenhuma reunião, mesmo quando disputava a reeleição em 2002”.

Em dezembro de 2003, na revista IstoÉ, o repórter Mário Simas Filho revelou outro fato curioso: “Quando completou 24 anos, em 7 de novembro de 1976, Geraldo Alckmin estava angustiado. Ele sonhava ser médico, cursava o quinto ano de medicina, era vereador em Pindamonhangaba e na semana seguinte disputaria a eleição para prefeito da cidade. Logo pela manhã, recebeu um bilhete de seu pai… Hoje, em sua carteira, ainda carrega o bilhete recebido há 27 anos e se emociona cada vez que o lê. Este bilhete reproduz literalmente o ponto número 702 do livro Caminho [de Josemaría Escriba], que aconselha o devoto a ‘olhar de longe e sem paixão os fatos e as pessoas’ para ascender na sociedade”.

Diante destes relatos sobre a dedicação do governador paulista aos ensinamentos do Opus Dei é que surge a dúvida. Houve algum problema de relacionamento ou as visitas planejadas pela cúpula tucana a outros “segmentos evangélicos e católicos” são apenas ações eleitoreiras típicas de campanha?

Por que ninguém mais fala sobre as “palestras do Morumbi” e as preleções semanais de 30 minutos?

Afinal, Geraldo Alckmin ainda milita no Opus Dei ou abandonou a seita? Talvez até o final da campanha deste ano surjam algumas pistas.

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