Rio de Janeiro,Brasil-Os Cariocas das favelas,vivem uma guerra não assumida.

Dois policiais morreram e três ficaram feridos após um helicóptero da Polícia Militar realizar um pouso forçado. Ele foi atingido por tiros durante uma operação policial no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio. A aeronave, parcialmente blindada, dava apoio a uma operação com 120 homens da PM para acabar com o confronto entre traficantes na guerra por pontos de vendas de drogas no Morro dos Macacos. Além dos tripulantes mortos, um capitão da PM foi baleado na perna e outros dois policiais tiveram queimaduras leves.

&nbsp Após pouso forçado em campo de futebol, helicóptero começou a pegar fogo e explodiu.

De acordo com relato de moradores, o confronto entre traficantes começou por volta de 1h30 de sexta e se estendeu durante a manhã deste sábado.&nbsp &nbsp Segundo informações da polícia, houve uma tentativa por parte da facção criminosa Comando Vermelho de invadir o Morro dos Macacos, dominado pela facção Amigo dos Amigos (ADA). Criminosos do Complexo do Alemão, Manguinhos e do Jacarezinho teriam invadido a favela em um caminhão baú, que ficou abandonado em um dos acessos à comunidade. Alguns moradores da favela colocaram fogo em pneus na Rua Visconde de Santa Isabel para impedir a chegada da polícia. Em seguida, manifestantes tentaram, sem sucesso, invadir a carceragem da Polinter para linchar presos da facção que invadiu a favela. Até o início da tarde, cinco ônibus, um carro, um depósito de gás e duas salas de uma escola municipal foram incendiados nas imediações da Favela do Jacaré.

Ação das facções foi em retaliação à operação da polícia

&nbsp Mesmo após a chegada de 120 policiais militares, o tiroteio entre os traficante continuou. Um policial do 6º BPM (Batalhão da Polícia Militar) ficou encurralado no alto do Morro dos Macacos. Um helicóptero Fênix da Polícia Militar foi resgatá-lo. De acordo com testemunhas, a aeronave foi alvo de intensos disparos. Atingida, começou a pegar fogo e o piloto perdeu o controle. O pouso forçado aconteceu em um campo de futebol na Vila Olímpica do Sampaio, nas imediações do Morro da Matriz, na zona norte da cidade, a cinco quilômetros do Morros dos Macacos.

&nbsp Os três policiais que sobreviveram à queda pularam da aeronave, antes de ela tocar no chão. Os dois que ficaram morreram carbonizados.

«Um PM saiu com o corpo em chamas e ficou apenas de cuecas», contou um morador.

No momento do resgate dos feridos, os traficantes voltaram a atirar na direção dos policiais. Depois da tragédia, a polícia acionou o Corpo de Bombeiros que informou que não prestaria socorro, por se tratar de «área de risco».&nbsp &nbsp Uma ambulância e três viaturas chegaram 50 minutos depois. Dois outros helicópteros, um da PM e outro blindado da Polícia Civil, foram acionados e também foram alvo de disparos, mas não foram abatidos. O confronto se estendeu para favelas vizinhas ao Morro dos Macacos e do Complexo do São João. Ainda não há número oficial de mortos.Há mais de duas décadas, desde que traficantes começaram a mostrar o rosto no horário nobre durante os combates entre Zaca e Cabeludo no Morro Dona Marta (alguém aí lembra?), que os cariocas vivem uma guerra não assumida, mas mal disfarçada. Era questão de tempo para um dos Águias — como os policiais cariocas apelidam seus helicópteros — ser abatido. E para o Rio virar notícia internacional, mais uma vez do ponto de vista negativo.

&nbsp Não se tem notícia de aeronaves ou helicópteros abatidos por bandidos comuns em qualquer outra parte do globo. Infelizmente, foi acontecer no Brasil.

Como em qualquer guerra, o acirramento dos combates trouxe um incremento no arsenal. Lança-foguetes de fabricação russa (RPG) podem ser vistos em mãos de garotos mirrados, que mal sabem mexer na arma. Se tornaram comuns também metralhadoras antiaéreas, cujas balas traçantes podem ser vistas à noite, cortando o céu da cidade.




A aeronave dava apoio a uma operação no Morro dos Macacos. O piloto tentou fazer um pouso de emergência, mas explodiu.

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