PT não altera planos de campanha de Dilma, pré-candidata à Presidência da República para 2010.

A direção do PT não pretende diminuir o ritmo da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Ministra da Casa Civil) à sucessão presidencial de 2010. O anúncio de que a ministra terá que fazer quimioterapia contra um linfoma –um câncer nos gânglios linfáticos– por pelo menos quatro meses foi recebido com otimismo por dirigentes do partido.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzsoini (SP), foi informado sobre o estado de saúde da ministra por sua assessoria e conversou no início da tarde de hoje com o secretário-geral da legenda, deputado José Eduardo Cardozo (SP). A avaliação é que o tratamento não deve prejudicar as atividades profissionais de Dilma nem os planos que o partido preparou para a sua pré-campanha.

«A notícia que temos é de que está tudo sob controle. Hoje a medicina tem muitos instrumentos para atacar esta doença e como ela foi detectada em um estado precoce não deve mudar muito o ritmo de trabalho da ministra. Para nós não muda em nada os nossos planos», disse.

Berzoini disse estar confiante na cura da ministra e afirmou ter certeza que ela sairá fortalecida do episódio. «Pelo que conheço da ministra, isso vai ser apenas mais um grande desafio. E ela gosta de vencer desafios, como fez ao longo de toda sua vida», disse.

Em entrevista, Dilma confirmou neste sábado, em São Paulo, que faz tratamento contra o câncer e disse que não mudará o ritmo de trabalho.

«Vou manter minhas atividades no mesmo ritmo. Não há uma incompatibilidade entre uma coisa [trabalho] e outra [tratamento]. Não implica que tenha que deixar de fazer as atividades. Pelo contrário, será um fator para me impulsionar», afirmou Dilma.

Desde o ano passado, a pré-candidatura da ministra vem ganhando fôlego. A ministra até mudou o visual, fez plástica e alterou o tom dos discursos, tornando-os mais políticos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é seu principal cabo eleitoral. Durante uma entrevista há duas semanas, o presidente voltou a confirmar que quer Dilma como sua sucessora. «Fazer minha sucessão é uma tarefa gigantesca. Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que Dilma seja candidata do PT e dos partidos, mas se ela vai ganhar vai depender de cada brasileiro», disse Lula.

São Paulo

Em São Paulo, a notícia sobre a doença de Dilma surpreendeu a cúpula petista que está reunida hoje em Cubatão (SP) para um seminário. Somente no início da tarde puderam acompanhar a entrevista coletiva na qual a ministra confirmou que está em tratamento contra um linfoma.

Entre os petistas que participam do seminário do PT em Cubatão estão o senador Alizio Mercadante (SP), os deputados federais Arlindo Chinaglia (SP) e José Eduardo Cardoso (SP), os deputados estaduais Maria Lucia Prandi e Vanderlei Siraque e o presidente estadual do partido em São Paulo, Edinho Silva

Dr.Paulo Hoff: A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tem chances «altíssimas» de se curar totalmente do linfoma.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tem chances «altíssimas» de se curar totalmente do linfoma detectado há cerca de um mês, segundo a equipe médica do hospital Sírio-Libanês. O otimismo da equipe se justifica pelo fato de o linfoma ter sido detectado no estágio mais inicial da doença.

Segundo o o­ncologista Paulo Hoff, que acompanha o tratamento de Dilma, as chances são de mais de 90%. «São altíssimas. São de mais de 90%», afirmou.

A ministra deve ficar por quatro meses em tratamento com quimioterapia, para combater um linfoma (câncer no sistema linfático). Ela deve se submeter a sessões a cada três semanas, segundo a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês.

De acordo com os médicos, a quimioterapia será feita por questão de segurança, como tratamento complementar para o linfoma do tipo B de grandes células. A ministra afirmou que há cerca de 30 dias, em uma tomografia feita durante um exame de rotina, foi detectado um nódulo de dois centímetros em sua axila esquerda, que já foi retirado.

Exames constataram que não havia outros focos da doença em seu organismo. «Os médicos me asseguraram que as consequências da quimioterapia não são problemáticas, que posso continuar com meu ritmo de trabalho», afirmou Dilma.

De acordo com a o­ncologista Yana Novis, não há uma regra específica para repouso em razão da quimioterapia. «Ela pode fazer a aplicação, que dura cerca de quatro horas, ir para a casa e trabalhar no dia seguinte», afirmou a médica.

A possibilidade de a ministra apresentar efeitos colaterais em função da quimioterapia são mínimos, de acordo com Novis. A ministra afirmou estar se sentindo «muito bem». «Essa é uma das coisas contraditórias dessa doença –não tem sintomas. Me sinto totalmente bem», afirmou. «Na vida de todos nós é normal ficarmos diante de problemas, de desafios, de opções. Esse é mais um desafio que eu terei na minha vida.» Após a quimioterapia, a ministra Dilma continuará com seus exames regulares, como fazia anteriormente.

Dilma convocou a entrevista neste sábado que a ministra passa por um tratamento prolongado de saúde no Sírio-Libanês.

Eleições

Dilma é pré-candidata do PT à Presidência da República nas eleições de 2010. A ministra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionada sobre sua possível candidatura, Dilma voltou a dizer que «nem amarrada» confirma sua participação na disputa. Em outras duas ocasiões a ministra a ministra usou a mesma expressão para evitar a candidatura.

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