Pobreza aumenta, salários caem

A pobreza aumenta em Portugal, mesmo entre os trabalhadores com emprego, e também entre os desempregados, as famílias com filhos e os jovens. Há 2 milhões de pobres: 300.000 são crianças, 596.000 reformados e 586.000 são trabalhadores por conta de outrem, segundo dados do recente Novos factos sobre a pobreza em Portugal, da autoria do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal.

O estudo mostra que a pobreza é uma realidade persistente e transversal a todo o território nacional, atingindo sobretudo os que ganham salários de miséria e os que recebem pensões baixas.

O país tem elevadas assimetrias nos rendimentos dos 20% da população mais rica comparativamente com os 20% da população mais pobre. As regiões mais pobres são a Madeira, com 29,8%, os Açores, com 26,4% e o Alentejo, com 26%. Seguem-se a Região Centro, com 23,2%, a Região Norte, com 18,5% e o Algarve, com 15,5%. A Região de Lisboa, com 11%, é aquela onde a incidência da pobreza é a mais baixa do país.

MAIS DESEMPREGO, MENOS SALÁRIOS

Em Maio de 2009, a taxa de desemprego em Portugal atingia, segundo a OCDE, 9,3%, o que correspondia a 520.316 desempregados. Nesse mês, o número de desempregados a receberem subsídio de desemprego, segundo o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, era apenas de 323.916, o que significava que 196.400 não tinham direito a subsídio de desemprego. Dos 323.916 a receber subsídio de desemprego em Maio de 2009, 101.546, ou seja, 31,3%, recebiam um subsídio inferior a 351 euros/mês, ou seja, abaixo do limiar da pobreza, que era de 384,50 euros.

Entretanto, os salários reais em Portugal vão cair 0,4% este ano, estima a Comissão Europeia, isto apesar de prever uma diminuição de 0,3% nos preços. Portugal fará par com a Irlanda como as duas únicas economias da Zona Euro com reduções reais nas remunerações. O executivo europeu não explica a contracção, mas um dos contributos deverá chegar pelo forte aumento do número de processos de lay-off.

Entre Janeiro e Abril deste ano já foram afectados mais de 10.500 trabalhadores por este tipo de processo, quatro vezes mais que o total de 2008. Se em 2009 os salários vão cair, em 2010 e anos seguintes os aumentos serão muito moderados. "Os baixos níveis de actividade irão traduzir-se em níveis de emprego mais baixos e a taxa de desemprego poderá atingir os 10% em 2010", lê-se no relatório que concluiu, por isso: "Espera-se que a moderação salarial se siga a estes desenvolvimentos".

A Comissão Europeia prevê que a crise internacional faça a economia portuguesa recuar 3,7% em 2009.

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