Publicado en: 3 diciembre, 2015

O Rio Doce do Carranca Edilson Martins [Vídeos]

Por Edilson Martins

A barbárie do rio Doce é o maior desastre ecológico,no gênero,de que se tem notícia na História humana.62 milhões de m3 de lama,lama tóxica,contendo chumbo, cádmio,alumínio,entre outros rejeitos.

O doc, atualíssimo 20 anos depois, no Canal Curta (16h30, canal 56). Produzido em 1996, mostra todo o histórico de degradação do rio, desde o extermínio — nos idos do ciclo de mineração do ouro — das nações indígenas ribeirinhas, Krenac, Botocudo e Maxakali, os que chamavam o Rio Doce de Watu.

A obra lembra que há 20 anos, os então governadores de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, e do Espírito Santo, Vitor Buaiz, anunciaram um plano interestadual, com financiamento francês de US$ 2 bilhões, em sua primeira fase, para a recuperação do já então muito degradado manancial.

“Já estava na UTI há décadas, até porque em seu vale se concentra o maior número de indústrias de minério do país, e uma população de 4 milhões de pessoas o transformando em latrina”, lamenta Edilson.

A barbárie do rio Doce é o maior desastre ecológico, no gênero, de que se tem notícia na História humana.

Ao todo, 62 milhões de m3 de lama, lama tóxica, contendo chumbo, cádmio, alumínio, entre outros rejeitos.

O alumínio provoca o mal de Alzheimer, paralisia nos membros inferiores, laringite crônica, afora a hepatite, entre outras graves sequelas.

O vale do rio Doce, a maior bacia hídrica da região Sudeste, alcança 29 cidades em MG, e outras 11 no ES.

O Doce, o Watu dos Maxacali, Botocudo e Krenac, percorre 853 Km. Nasce na Mantiqueira, em Minas, e desagua no mar, em Regência, Macondo capixaba, no ES.

Ao nascer exibia águas claras, verdes, recentemente, ainda nos anos 90.

Nos últimos 30 anos os eucaliptais, para produzir papel, foi ocupando suas nascentes, margens, matas ciliares, desmatando tudo, somado à concentração das indústrias, dos vilarejos, todas em torno da Vale.

Essa substituição passou pela Ipatinga de Drummond, Valadares dos voos de asa delta, fazendas históricas, tudo muito ontem, tudo muito belo.

O Watu dos índios, o rio das águas mais doces do mundo, vem, há muitos anos, sendo agredido, perversamente mutilado.

Lá atrás, pelos idos do século 17/19, os índios vinham resistindo, era uma guerra desigual, arco e flecha contra a pólvora, a Winchester, os tiros de repetição, as roupas contaminadas.

Eles sabiam que a gente civilizada não pouparia o rio, não poupariam nada, sabiam porque que viam como se comportavam.

Praticamente não restou ninguém, foram exterminados, e o que sobrou foram as mulheres, poupadas pelos invasores.

 

 

*Edilson Martins, jornalista, documentarista, escritor. Há quatro décadas atuando na Amazônia.

Para saber mais sobre nossa degradação humana e ambiental pelos olhos de Edilson, em nosso site: http://coletivocarranca.cc/author/edilson/

Vídeo: Rio Doce: Tragédia Anunciada (com Mário Moscatelli)

Canal Curta!

6.488

 

Vídeo: Rio Doce: Apocalipse (com Mário Moscatelli)

 

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