O que se esconde na sombra da campanha do coronavírus

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Toda a narrativa ancorada no coronavírus baseia-se em duas taras que se cruzam para controlar a Humanidade – o capitalismo nesta sua fase neoliberal e genocida; e os propósitos de redução do efetivo de seres humanos. A segunda componente não é muito visível em Portugal mas a primeira teve a sua peça principal no layoff simplificado e no desemprego que se lhe seguirá

Sumário

0 – Prólogo

1 – O regime oligárquico e autoritário em seu esplendor

2 – A vida dos confinados

3 – As grandes instâncias globais

0 – Prólogo

Como intérprete das normas globais e neoliberais, António Costa aplicou-as a um país pobre, periférico e politicamente estagnado. E disse:

«Ninguém tenha ilusão de que a partir de maio vamos viver como vivíamos«… “mas ninguém tenha a ilusão que a partir de maio vamos  viver como vivíamos até ao mês de fevereiro, porque vamos ter de viver com este vírus até termos vacina e isso não vai acontecer nos próximos meses«

·     Já sabíamos. Desta vez foi o coronavírus, como poderia ter sido outra coisa qualquer; excesso ou falta de chuva, um incêndio ou, uma evolução nefasta dos ignotos mercados;

·    Talvez o dueto Costa-Marcelo precise explicar porque fecharam infantários, escolas e universidades quando se sabe que as crianças não incubam coronavírus e afins e que os mais jovens passam por ela sem problemas de maior; a própria DG de Saúde vem informando que não há vítimas mortais com menos de 40 anos. E devem explicar qual é o modelo mais inteligente de tratar a crise pandémica – o modelo concentracionário e impositivo em curso ou, o modelo sueco baseado no bom senso de cada pessoa, sem a militarização da vida coletiva.

·        Porque desconheceram que com esse fecho, pais ou mães teriam de ficar em casa com as crianças e antecipar as férias ou perder salário; e que ficariam na inatividade educadores de infância, professores e auxiliares?

·   Porque pouco se importaram em prejudicar o decurso do ano letivo, com o confinamento para alunos do secundário e superior, sabendo que, mesmo com algum acompanhamento online, terão deficiências na recolha de conhecimentos e, os mais novos, no desenvolvimento da sua sociabilidade?

·   Porque consideraram ser saudável manter crianças e jovens confinados em casa, isolados, com avós, pais ou mães, muitos destes readaptados a trabalhar online, num ambiente de clausura para toda a família?

·     Mais de 86% dos infetados em Portugal (num total de 25000 em 30/4, e correspondentes a 0.2% da população) estão em casa e não a passear, divertidos, na procura de vírus em vizinhos, colegas e amigos. Assim, o total de infetados “à solta” corresponde a 0.03% da população; isto é, 3500 pessoas, uma por cada quadrado de terra com mais de 5 km de lado! E, não é nada garantido que isso conduza a uma contaminação para os próximos… com ou sem máscara.

·      No caso do surto detetado em Ovar, com naturalidade foi declarada, a 17 de março, uma cerca sanitária de um mês, para toda a população; e, pouco depois foi todo o país que entrou em quarentena, incluindo os 80 concelhos onde não se registou caso algum até 30/5. E… quem foram os imbecis que fecharam as escolas nas ilhas do Corvo e Sta. Maria, sem que lá houvesse qualquer caso de covid-19, mesmo vindo a nado?

·    Todo este espalhafato mediático e assustador não contemplará uma encenação montada para reestruturar alguns setores da economia, mormente na área do comércio e da restauração? E, proceder à concentração de capital, à cartelização desses negócios? E de justificar despedimentos a preço de saldo, através do layoff simplificado (criado à sombra da crise sanitária) tornados assim mais rápidos e baratos dada a prestimosa contribuição da Segurança Social?

·    Este candente tema revela, uma vez mais, a putrefação do regime político, protagonizado por oligarcas incompetentes, ignorantes, vaidosos elementos da ordem dos galiformes; neste caso, com gravata em vez de crista… Infelizmente, não são exclusivo das terras lusitanas; imbecis e safardanas apresentam altas densidades entre as classes políticas…

·      Que valia tem para o povo toda a turba de deputados e partidos que se renderam, servilmente, ao plano de Costa e de Marcelus Augustulus, traduzido de um email do Neil Ferguson[1], campeão das falsificações estatísticas? Ao que parece, apenas com a tímida abstenção do PCP;

·        E, não é lenitivo saber-se de que há verdadeiros trastes e desequilibrados nas lideranças de países de maior gabarito, porque o modelo global de organização económica e política, de facto, é daqueles proveniente. Como será na próxima epidemia/pandemia, certamente dentro de poucos anos?

1 – O regime oligárquico e autoritário em seu esplendor

Só os ingénuos duvidariam que algo de muito importante não iria acontecer, com a sucessão de estados de emergência articulados entre o governo e o PR, com preocupações nítidas de confinamento legislativo para o mundo do trabalho e da população não ativa; desta vez, completamente alheados da habitual ladainha do crescimento, da redução do deficit… e da competitividade que, transitoriamente, deixou de ser a grande razão para se ser digno de estar no mundo.

Mas, pela voz tonitruante de Costa (ver a sua frase no início deste texto) a coisa ficou oficializada. Todos seremos obrigados a ficar mais ou menos confinados, à espera que a vacina para esta gripe – ainda em preparação e que só surgirá (?), lá para outubro, made in Switzerland, se entretanto não aparecer um competidor mais lesto (em Tubingen? Na China?); que seja imposto por Trump um remdesivir ou, que o coronavírus abandone o terreno, para preparar a próxima mutação. Costa aliás, apenas traduziu a opinião do norte-americano Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), muito envolvido nos projetos de Bill Gates para o decrescimento populacional.

Para um povo de gente modesta, com pendor para a obediência, o elogio perante a crise pandémica cabe, legitimamente, aos profissionais de saúde, por todas as razões inerentes à sua função, pelos particulares riscos que correm; e que, no caso dos enfermeiros, são pagos a uns 6.2 euros por hora… um pouco menos do que receberiam a trabalhar nas limpezas[2]; e ainda, coletivamente, o aplauso para o SNS, tão maltratado pelos corruptos governos, sempre inclinados para o favorecimento dos grupos privados.

Estranhamente, as forças policiais – com uma dimensão relativa em Portugal excessiva[3] para os padrões europeus – tiveram oportunidade de passar mais tempo ao ar livre da primavera, fora do confinamento nas esquadras, onde a regra é nada haver para fazer que não esperar o próximo vencimento. É curiosa, a troca de confinamentos; a população é obrigada a estar em casa, em troca com as polícias que saíram para a rua.

Outros apoios poderiam surgir da tropa, como por exemplo, aconteceu em Espanha, na desinfeção de lares; e, como desejado por Marcelo, o sumo pontífice dos militares. Porém, há questões que obstam a que isso aconteça.

Uma, quiçá a principal, é a rivalidade corporativa entre militares e polícias, com estas a quererem os louros da operação só para si; por outro lado, a dimensão excessiva dos corpos policiais (já atrás referida) ficaria mais a nu se os militares também entrassem em cena. A dimensão da infeção em Portugal é muito menor do que em Espanha – em termos absolutos e relativos – não havendo oportunidade para  atropelos corporativos no combate ao vírus. Neste contexto, as forças militares terão de ficar à espera de algo mais ponderoso do que a crise do covid-19 que, em termos nacionais continua a não ser, nem galopante, nem com um nível de desastre nacional; e, entretanto Marcelo e os seus generais, esperam, perfilados, que o Pentágono ordene o local de destino para mais uns pelotões lusos.

Como achamos importante alguma descontração em tempos de quarentena, referimos um caso caricato acontecido durante uma transferência de idosos de um lar de Vila Real para um hospital militar, no Porto. Isso, porque um polícia havia pedido a identificação a um militar que se apresentara armado (não sabemos se esperava… alvejar algum vírus).

É estranho que os confinados, com rendimentos comparativamente baixos e agora encolhidos por despedimentos e layoffs aceitem a situação pacificamente enquanto os grandes patrões confinam os seus lucros onde o vírus dos impostos é menos letal – em offshores. É também estranho que os entes viventes em Portugal agradeçam a quantos são mandatados para vigiar a sua própria clausura, por tempo não determinado, com saídas precárias e vigiadas, ameaçados com multas, coimas e processos de desobediência, pouco reconhecíveis por detrás de máscaras, temerosos de se cruzaram com alguém dos 0.2% da população tocados pelo coronavírus (incluindo, portanto os mortos e os recuperados).

Em grande parte, os contaminados são oriundos de depósitos de velhos debilitados, doentes e pobres, com os quais o ditoso Estado tem treinado um “distanciamento social”, remetendo para Misericórdias e “empresários” a gestão desses depósitos de velhos. E a que ternamente chamam lares, ornados com nomes de santos ou termos ternurentos que ocultam a triste realidade dos internados, muitos deles já com capacidades mentais muito diminuídas, abandonados, doentes, acamados, prostrados, semimortos. Esses, de facto, cumprem… escrupulosamente o confinamento e, não incorrem em multas!

De acordo com a OMS, é nos ditos lares de idosos que se regista cerca de metade dos mortos com covid-19! Em Portugal, essa proporção reduz-se para 40.9%, de acordo com afirmação de Graça Freitas no dia 23/4 (327 óbitos nesses locais). Uma sociedade que não trata bem os seus “mais velhos”, como se diz em África, aproxima-se de ser um vasto grupo de trogloditas. Esta crise sanitária vem revelar que, no seu afã consumista e produtivista, as sociedades animadas pelo espírito capitalista, na sua pior versão, neoliberal, praticam de modo dulcificado o que os nazis faziam a doentes mentais ou membros de “raças” inferiores – um extermínio planificado.

Outro grupo de socialmente diminuídos e até discriminados é o de mais de uma centena de imigrantes contaminados, amontoados em Lisboa num “hostel” (com 4 ou 5 a viver em cada quarto) mesmo que a situação já tivesse sido reportada às “autoridades competentes”.  Migrantes, pobres e islâmicos, recordam-nos que o racismo teve o seu despontar na Península Ibérica, no final do século XVI.

2 – A vida dos confinados

Para os trabalhadores com piores salários houve e há dois destinos – desemprego e layoff (simplificado, em contraste com a típica e pesada burocracia) – sobretudo, se trabalhavam em restaurantes e áreas turísticas, fazendo o desemprego aumentar 40% no Algarve, de acordo com o IEFP (dados de março). E, nos locais onde a necessidade de exercer atividade era essencial para a sobrevivência do negócio e do emprego, lá estava a polícia para aplicar penalizações e encerrar o espaço, cega às consequências económicas… como se houvesse coronavírus em cada esquina. Perante as conhecidas fragilidades financeiras das empresas portuguesas, a situação poderá ir bem além, com desemprego subsequente a encerramentos e falências, numa espiral que não se sabe onde vai parar.  Para o total do país, a variação do desemprego face a março do ano passado foi apenas de 3%; veremos o que acontecerá nos próximos meses…

Num inquérito recente da Deco realizado em março e, certamente, com conclusões já alteradas pela rápida evolução das variáveis essenciais, sobressaem estes elementos:

·         Trabalhadores temporariamente inativos – 30%

·         Com horário reduzido – 19%

·         Com perda de emprego – 9%

·         Com teletrabalho total (30%) e parcial (19%)

·         Mal-estar psicológico com o confinamento – 60%

·         O desemprego atinge mais as mulheres (13%) do que os homens (4%)

Por seu turno, o Banco de Portugal, na semana de 20/24 de abril revelou que 80% das empresas reduziram o volume de negócios e 59% diminuíram o efetivo de pessoal. No capitulo da redução da faturação em mais de 50%, situavam-se 39% das empresas e, 26% destas haviam reduzido em mais de 50% o volume de pessoal. O layoff simplificado terá atingido 54% das empresas. Sabe-se também que até ao início de abril, foram aprovados 62431 processos de layoff, envolvendo 38465 empresas (área do alojamento e restauração, 26% e comércio 22%) e 359000 trabalhadores; daí que perto de metade sejam empresas com 10 trabalhadores, em média. O valor médio de cada compensação paga pela Segurança Social é de… € 421.8! Um pequeno totoloto…

Perante esta situação, um minúsculo superavit orçamental – como era norma na contabilidade criativa de Salazar – e com que Centeno pretendeu adornar a sua imagem de mago das finanças, nada significa; Centeno passou de brilhante a baço e foi largamente engolido pela sombra do coronavírus… como também pelo protagonismo do Siza Vieira.

A criatividade também não falta nas catedrais da finança – o FMI aponta para uma queda de 8% do PIB em Portugal e a Moody’s 4% (o que faz lembrar a quebra verificada em 2012, de 4.4%); e daí ressaltam sinais para os ditos “investidores” que compram dívida pública para, em troca, terem dinheiro fresco do BCE. Tudo indica que o volume da divida pública portuguesa, relativamente constante em termos de percentagem do PIB nos últimos anos[4], vá disparar para valores pouco auspiciosos; que as agências de rating não deixarão de adornar com subidas das taxas de juro. Ficando por se saber se será possível suportar uma dívida maior; mas sabendo-se que camadas sociais serão as sacrificadas.

Os bancos, simpaticamente, permitem que as famílias (não sabemos que requisitos estas têm de apresentar) possam adiar as prestações de empréstimos para habitação por seis meses; mostram uma face benévola porque sabem não incorrerem em qualquer risco, uma vez que têm hipoteca sobre a morada dos devedores; e por isso a banca não teve problemas em aceitar 250000 moratórias.

Da experiência de variadas proibições, inibições e obrigações, mais ou menos ainda em curso, virão como custos faturados através da carga fiscal, diretamente ou, através do aumento da dívida pública; mesmo que ocorra alguma facilidade proveniente de uma menor desigualdade entre os estados-membros da UE.

É evidente a criação duma psicologia de medo, associada ao confinamento. As casas tornaram-se verdadeiras prisões, com os seus moradores incomodados e irritáveis, com as crianças mais pequenas sem contacto com os seus amigos de escola ou de brincadeiras; com o aviso de que lá fora andam polícias à solta a impor o encarceramento (re)definido a toda a hora; com a frenética enxurrada de informações inúteis, repetidas para encher os tempos de emissão. Isso, sem prejuízo do trabalho de informação levado a cabo, particularmente pela Graça Freitas ou na página da DGS; e isso, embora em janeiro ela tivesse dado a cara afirmando que não havia razão para alarme…

Doses adicionais de écran não evitam que os confinados se sintam menos prisioneiros, quando veem as polícias passarem pelas ruas desertas a verificar o cumprimento das ordens governamentais, incomodando, por qualquer motivo – ou mesmo sem motivo – quem ande pela rua… sem passear o cão. Nunca no planeta houve espaços tão alargados como prisões, tal número de prisioneiros ou de carcereiros; é a desumanização neoliberal em todo o seu esplendor.

Por outro lado, a frenética necessidade de Marcelo em aparecer – no écran, sobretudo mas, também numa plantação de tomates[5] – adequa-se à postura de Costa como o pivot da pátria, que traz a oposição pela trela e açaimada, sequer capaz de contrariar um estado de emergência, capa para uma reestruturação do tecido económico, para um aumento da “produtividade”, com a eliminação do trabalho para perto de um milhão de pessoas, entre os quais, as mulheres serão as mais afetadas; e, reduzindo os sindicatos a simples powerpoints que adornam uma (des)consertação social.


Marcelo agarrou firmemente a questão do estado de emergência subalternizando Costa que em nada se deverá ter importado. Todos os danos gerados na plebe com quarentenas e intromissões na vida privada, com layoffs e despedimentos, com toda a psicologia de insegurança quando se sai de casa, tudo isso é repartido entre o grande líder Marcelo e o querido líder o executivo Costa.

Quanto à oposição, António Costa está tranquilo. Se as coisas correrem menos mal desarma a sua principal concorrência – PSD e BE/PC – cuja única arma é dar relevo ao que não correr bem e afirmar que poderia ter sido melhor. Para o que corre mal, pode Costa dizer que a concorrência nunca apresentou alternativas válidas e a oposição dirá que … faria o mesmo mas de forma mais competente. Como não podem estar em jogo, no terreno, o governo e a dita oposição, tudo se resume à conversa do Faria dizendo o que faria.

3 – As grandes instâncias globais

É verdade que há uma crise sanitária, em torno do covid-19, que atingiu, ao momento (30 de abril) 3.3 M de pessoas, dos quais perto de um terço estão recuperados; e, conta com perto de 235000 mortos. Uma crise que concentra 77% dos casos na Europa e na América do Norte (em conjunto, apenas com 15% da população global), para além da China e do Irão onde a parcela de recuperados é superior a 75% do total. A crise ainda poderá vir a alastrar pelo resto do globo, numa escala que se desconhece, dependente dos meios existentes ou disponibilizados, a zonas mais pobres do planeta.

Houve vários surtos epidémicos de caráter localizado, em África, na Ásia Meridional ou no Sudeste Asiático, desde o princípio do século e que, pouco preocuparam os europeus ou os norte-americanos – (H1N1, a gripe A) em 2009, a MERS-CoV em 2012 (Middle Eastern Respiratory Syndrom Coronavirus), a Gripe Aviária (H7N9), o Ébola (EVD) em 2014 ou, o vírus Zika em 2015. A gripe A e a atual coronavírus são as únicas que a OMS decretou como pandemias, inferindo que todas as outras tiveram âmbitos geográficos (Ébola) ou sociais (HIV), restritos.

Esta sucessão evoca vários aspetos da atual subserviência dos meios sanitários e políticos nacionais face às projeções efetuadas e aos interesses que as inspiram. Sabe-se que a Fundação Melinda e Bill Gates tem uma posição de grande destaque como financiadora da OMS e que se virá a reforçar o seu papel depois de Trump ter suspendido a contribuição para a organização; dito de outro modo, a OMS estará mais sensível aos interesses e idiossincrasias messiânicas de Gates do que a abordagens sobre a saúde dos humanos em geral. Ora, uma ideia há muito prosseguida pelo casal Gates é a de uma redução da população mundial; uma continuidade da agenda de Malthus. E para isso, preocupa-se muito com a vacinação nos países mais pobres do dito Sul (África e Índia, sobretudo) para conter o crescimento populacional, ignorando que em 1999, por exemplo, uma projeção da Unesco apontava para a possibilidade de alimentação de 12000 M de pessoas com os conhecimentos da época. É evidente que as desigualdades sociais e económicas, o consumo desbragado, a destruição do ambiente e dos solos, os efeitos das guerras promovidas pelo chamado Ocidente, etc impedem uma vida longa e saudável para grande parte da Humanidade. Gates escusa de se preocupar tanto com a natalidade e de se focar na sua redução. Não há um problema de excessiva natalidade no planeta; há apenas na cabeça das elites genocidas.

Em 2017, o Pentágono terá avisado Trump de que poderia surgir uma nova crise sanitária na sequência de gripes anteriores; e, apontado para a criação de reservas de ventiladores, máscaras e camas, sem qualquer eco… naturalmente, dado o perfil do destinatário.

Mais recentemente, entre janeiro e fevereiro, Trump terá sido alertado para o perigo de pandemia 12 vezes até… que aconselhou, com a sua imensa criatividade, a toma de desinfetantes domésticos. Mas Trump não está sozinho na leviandade e na incapacidade!  O seu amigo Boris Johnson, na mesma época, faltou a cinco reuniões de emergência, sobre o covid-19, convocadas pelo seu próprio gabinete. Os deuses acharam que era demais e inocularam-lhe um coronavírus… Estes factos – como em muitos outros casos, nos EUA e fora dali – levantam, a questão da ausência de democracia nos regimes políticos em geral, mesmo naqueles onde ninguém é preso por questões de opinião. Entre duas eleições, os ungidos usufruem de um poder próximo de ditatorial, raramente sendo, de imediato, sancionados.

                           

                                                    Então e eu?   Fico de fora?

                                                                    

O perfil infra-humano de Trump revela-se em toda a sua brutalidade quando propôs a uma empresa de Tubinguen –  a CureVac – a compra de uma vacina para o coronavírus para aplicação exclusiva nos EUA, por $ 1 bilião. A proposta foi recusada liminarmente pelo governo alemão. Mas demonstra os valores, a qualidade do indivíduo e, o que é mais importante”, a qualidade do regime dos EUA, dito “democrático”.

Esse mesmo regime avançou com $ 2500 biliões para o sistema financeiro e grandes empresas, deixando $ 500 biliões para apoios sociais e ao desemprego, quando o coronavírus já assolava Nova York. Aí se vê a facilidade – intercalada por períodos de instabilidade – com que o sistema financeiro se tornou o grande determinante da economia mundial, colocando todas as outras atividades a funcionar para alicerçar a especulação financeira. A economia global vive suspensa da instabilidade dos ditos mercados financeiros; e estes, por sua vez, replicam, ampliando, as desventuras da economia relacionada com a produção de bens e serviços, monitorando, na sombra, os governos nacionais, num plano adequado ao gabarito de cada estado-nação. E isso, é transparente no plano de apoios acima referido, rapidamente decidido e, em todo o detalhe, entre o Senado e o governo dos EUA; a despeito da animosidade entre Nancy Pelosi e Trump. Os Estados são encarregados de assumirem a dívida necessária para manter o sistema financeiro em constante e acrescida acumulação; a intervirem em empresas sempre que o sistema disso necessite (em breve, eventualmente, na TAP onde os valentes empresários não têm dinheiro ou conhecimentos); ou, a colocar populações presas em casa a arcar com os efeitos sanitários das disfunções do capitalismo.

O acima referido Neil Ferguson é o responsável por um modelo de previsão com um vasto espólio de convenientes dislates;  mas que continua a exercer um papel de autoridade nesta área, porque inscrito na rede de instituições ligadas à saúde, pagas pelo casal Gates.

No princípio do ano corrente procedeu a estimativas para os casos de covid-19 no pressuposto de que na China teria havido subestimação do número de infetados. Assim, na Grã-Bretanha, inicialmente tinha sido pensado, para fazer face ao covid-19, um modelo baseado no isolamento dos infetados, com a sociedade e a economia a funcionarem normalmente, como adoptado na Suécia. Porém, quando Ferguson apresentou uma previsão de 500000 mortos, o governo inglês (com um… Boris à testa…), aterrado, emitiu logo uma quarentena geral, como aliás foi feito na paróquia lusa e no resto da Europa. Em Portugal, teve-se também em mira a situação em Espanha… colando-lhe os aproveitamentos economicistas acima referidos. Ferguson juntou a esta última grave falha, outra, em 2002, quando apontou para 50000/150000 as vítimas inglesas da doença das vacas loucas que nunca passaram das… 178; para a N1H1 que em 2009/10 abateu 18449 pessoas num total de 651000 casos, ele teria calculado 55000. E há mais…

Ainda recentemente, Anthony Fauci diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) dos EUA, ao receber a previsão (Ferguson made) de uma infeção que atingiria 80% da população do país (cerca de 260 M de pessoas…) e 2.2 M de mortos pela covid-19, confrontou Trump com esse número e aquele logo avançou com as …drásticas medidas tradicionais… confinamento, punições, controlos policiais, paragem da atividade económica, com despedimentos massivos…

Ferguson será assim tão burro para nunca se preocupar com o seu modelo de previsão? Claro que não.  O Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) tem sede em Seattle, a terra de Bill Gates, que o criou e vem financiando, tal como acontece com a OMS, através da sua Fundação, que também financia o Imperial College London, onde brilha o… Ferguson.

O papel de Bill Gates e da sua fundação é o de avaliar estratégias médico-sanitárias para o decrescimento da população mundial e estudar instrumentos para a controlar e monitorizar, mormente aliciando as populações mais pobres do planeta, em África ou na Índia, por exemplo. Nessa sua cruzada que constitui, hoje, a sua principal atividade, gasta os recursos da sua fabulosa fortuna, bem como dos rendimentos do software que utilizamos quase todos, sem prejuízo dos investimentos em algo tão controverso como a Monsanto, conhecida pela utilização massiva de OGM – organismos geneticamente modificados.

Quando chegará o momento em que a ideologia de decrescimento da população passará por vacinações obrigatórias sob orientação de instituições privadas financiadas por multimilionários que pagam as despesas, com o agradecimento de Estados deficitários, falidos e das oligarquias corruptas que os gerem? E, como também gerem e manipulam os mercados eleitorais, as populações transformam-se em máquinas de sustentação do capitalismo, sem vontade própria, submetidas a um ciclo de vida com o momento do nascimento definido, a inoculação obrigatória de vacinas, a comida essencialmente processada e inflada de matéria transgénica, gorduras e açúcares; o ensino meramente utilitário com vocações definidas por programas e questionários com caráter obrigatório e em que as pessoas se reduzem à expressão de capital humano, na continuidade do que vem sendo apontado e definido na estratégia do Banco Mundial, há décadas. E, dentro da mesma lógica de terror, quando serão os Estados, mandatados por maníacos, que decidirão o momento da morte dos indivíduos que, depois de medida a sua utilidade através de métricas rígidas, depois de avaliados os custos e os proveitos da sua existência, serão abatidos pelos Estados logo que os custos superem os proveitos? Os lares de idosos e as pensões miseráveis são apenas aproximações, ainda distantes de novos Auschwitz.

Colocamos em seguida – e para finalizar – as opiniões de especialistas sobre o comportamento das gripes, sempre muito centrado nas variações climáticas durante o ano, bem como na experiência de anos de cálculos, cujo conjunto obedece, naturalmente, à chamada lei dos grandes números. Segundo esta, quanto maior é o volume de dados sucessivamente recolhidos maior é a sua previsibilidade, daí se podendo efetuar, por exemplo, o cálculo da probabilidade de acontecerem valores mais afastados da média. E que, o surgimento de dados muito afastados da média, num dado momento não garante que não se possa repetir no momento seguinte; embora a probabilidade dessa dupla ocorrência seja constituída pela multiplicação das probabilidades das duas ocorrências.

Como é evidente, os cálculos efetuados pelos membros das classes políticas têm pouco de científico, resultando de um misto de avaliação da oportunidade de uma dada medida, dos proventos corruptos em jogo e, com o grau de aceitação dos contemplados com os efeitos dessa medida – os povos.

Knut Wittkowski

https://www.youtube.com/watch?v=k0Q4naYOYDw  (1)

https://www.youtube.com/watch?time_continue=88&v=lGC5sGdz4kg&feature=emb_logo (2)

Johan Giesicke

https://unherd.com/thepost/coming-up-epidemiologist-prof-johan-giesecke-shares-lessons-from-sweden/

André Dias

https://eco.sapo.pt/opiniao/um-seculo-de-epidemiologia-diz-nos-outra-coisa/

https://www.youtube.com/watch?v=BDQJw5FqgY4

entrevistas a Neil Ferguson

https://unherd.com/thepost/imperials-prof-neil-ferguson-responds-to-the-swedish-critique/

https://cointimes.com.br/neil-ferguson-explica-projecao-de-estudo-sobre-coronavirus/

Este e outros textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

https://pt.scribd.com/uploads

[1] Neil Ferguson é o chefe do Departamento de Epidemiologia de Doenças Infecciosas, incluído no Imperial College de Londres, um dos muitos subsidiados pela benemérita Melinda & Bill Gates Foundation,

[2]  Recentemente abordámos a questão dos salários pagos na enfermagem em Portugal. Aqui

[3]  Na Europa ocidental, os países com maior número de polícias por 100000 habitantes são: Espanha – 506, Portugal – 463, Irlanda do Norte – 435, Itália – 411, França – 391. Pela sua riqueza em polícias, Portugal deveria ser integrado nos Balcãs. Para comparação, os menores indicadores encontram-se na Finlândia (156) e Noruega (159)

[4] Essa estabilidade deve-se em grande parte a um adiamento da maturidades (o momento do pagamento) – de um pouco abaixo de 8 anos em 2017 para uns 10.5 anos a partir de 2018 ) para aproveitamento dos juros baixos/negativos. Veremos como irá crescer a dívida no rescaldo da chegada do coronavírus e das medidas radicais que se irão traduzir, deliberadamente, num grande pecado – a redução do PIB!

[5] Sempre que vos tocam à porta, vejam pelo óculo ou pela janela se não é o Marcelo a oferecer-se para uma selfie

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