Publicado en: 27 diciembre, 2015

O Natal colonizado dos brasileiros

Por Cynara Menezes

Como seria um Natal brasileiro de verdade, se não fôssemos tão colonizados?

Parece incrível, mas a única coisa que tem de legitimamente brasileira no Natal é a farofa. As outras “tradições” natalinas foram todas importadas e reforçadas pelo comércio para ganhar dinheiro. Como seria um Natal brasileiro de verdade, se não fôssemos tão colonizados?

1. Papai Noel poderia até ser branquelo, afinal vivemos num país multirracial, mas nunca usaria roupas tão quentes em pleno verão! Só aceito Papai Noel se for de regatinha e bermuda. E o mais patético é que o coitado, além de vestido dos pés à cabeça, ainda entra pelas casas por uma… chaminé! No Brasil! Hahahaha. Pobres criancinhas, é um insulto à inteligência delas acreditar nisso.

2. Esqueça tudo envolvendo neve, trenó, cachecóis, gorros, luvas… Nem pensem em pinguins!!! A visão de Natal de muitas pessoas aqui parece ser a cópia exata de um filme de Hollywood, sendo que, nos Estados Unidos, isso se justifica porque é inverno. Num país tropical como o nosso, é simplesmente ridículo ficar macaqueando tradições de países onde, agora, é frio. Neve de pipoca e de algodão é o cúmulo da cafonice e do complexo de colonizado. Apenas parem.

3. Pra que pinheiros, gente, com tantas árvores muito mais lindas na flora brasileira para enfeitar o Natal? Por que não uma jabuticabeira, que já tem até as bolinhas? Jaqueiras, pitangueiras, amoreiras, cajueiros… Um coqueiro com seus cocos! Imaginem uma árvore de Natal dessas, que linda. Não precisaria nem ser de plástico, como 99% dos pinheiros são. Aliás, que festa mais artificial, hein? É tudo falso, até o amor de alguns pelo aniversariante do dia, Jesus…

4. Os frutos secos também não têm nada a ver. Acorda, deslumbrado! Você sabia que em muitos países da Europa tem frutas tropicais na ceia de Natal? Que mané nozes e avelãs! Dezembro é época de abacate, abacaxi, ameixa, manga, jabuticaba, umbu, cajá, siriguela, melancia… Lichia, que já virou brasileira e só dá nessa época do ano! A mesa ficaria muito mais linda e ainda daria para fazer umas caipiroscas. Nada contra champanhe, mas tem tudo a ver com o calor.

5. Em vez de peru ou chester, por que não um delicioso frango caipira? Além de mais suculento e apetitoso, ainda evita maltratar os animais. Vejam como os perus são criados neste frigorífico, um dos maiores do mundo, no Canadá [aqui]. Você acha que no Brasil é diferente?

6. No lugar do tender, carne de fumeiro da Bahia! Já provaram? É uma carne de porco defumada, muito mais deliciosa e macia do que o tender. Pode ser preparado da mesma maneira que o presunto, com abacaxi ou fios de ovos, mas fica bom mesmo é no escondidinho com mandioca…

7. E em vez de arroz com passas, por que não um goianíssimo arroz com pequi? Aromático, exótico, e amarelinho… Mais brasileiro impossível.

8. Confesso a vocês que a melhor parte do Natal para mim é o panetone. Além disso, a origem italiana do acepipe também é a mesma de muitos brasileiros. Portanto, ao invés de substituí-lo, nossa ceia brasileira seria apenas acrescentada de um magnífico bolo de fubá com goiabada. Feito em casa, o que já lhe dá uma vantagem diante do panetone.

9. Para terminar, podíamos substituir essas músicas gringas de Natal. Já deu de Noite Feliz e de Simone! As letras também poderiam ser mais honestas. Nada mais falso, por exemplo, do que “como é que papai Noel/ não se esquece de ninguém/ seja rico ou seja pobre/ o velhinho sempre tem”. Papo furado! Muito mais verdadeira é Boas Festas, de Assis Valente, a canção natalina que é a cara do Brasil e suas desigualdades. Aqui, na voz de Carlos Galhardo.

Confira a letra:

Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem…

10. Ah, os presentes? Tudo bem, dar e receber presentes é sempre bacana, simpático, independente da época. Agora, não precisa pirar e entrar na onda consumista importada dos EUA. Dê presente para as crianças, para quem precisa, para quem você ama. E pronto.


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