Nova expulsão dos mouros

Uma manifestação de imigrantes percorreu a 17 de Maio as ruas de Lisboa contra a Europa fortaleza e a xenofobia, contra a dificuldade de obtenção de vistos de residência e a redução do contingente de imigrantes para 2009, decidida pelo governo

A tentativa dos governos europeus de se livrarem dos imigrantes que nos últimos anos têm chegado às centenas de milhares às praias e aos portos da Europa à procura de trabalho e sobrevivência faz-nos pensar numa “segunda expulsão dos mouros”, de certo modo comparável à ocorrida há 400 anos.

Com efeito, em 1609 deu-se a expulsão dos mouros de Espanha, oitocentos anos após a chegada da sua civilização à península, depois de, em 1492, Boabdil, o último emir do reino muçulmano de Granada, sair do seu palácio de Alhambra para entregar, chorando, as chaves da sua residência aos reis católicos.

Foram assim banidos vários milhões de habitantes, responsáveis pelo desenvolvimento de ramos industriais como o têxtil, o fabrico de armas e de papel e por grandes plantações de algodão, açúcar e arroz e o cultivo do bicho-da-seda (por exemplo, as manufacturas de lã de Segóvia empregavam, no ano de 1552, 13 000 trabalhadores). Muitos foram forçados a aceitar a nova fé para permanecer no reino, tornando-se cristãos-novos. As crianças com menos de 5 anos deviam ficar em Espanha e ser entregues a padres ou famílias cristãs.

A expulsão dos mouros em Portugal foi decretada em 1496 pelo rei D. Manuel I. Resultado desta decisão, nos séculos XVI e XVII deu-se na península Ibérica uma grave crise económica. E agora, como seria a Europa sem mão-de-obra imigrante?

NOTICIAS ANTICAPITALISTAS