Neste Dia da Pátria, na rua com a esquerda independentista

Neste Dia da Pátria, na rua com a esquerda independentista

Este Dia da Pátria apresenta-se diante de nós num panorama de ofensiva total dos capitalistas contra  o povo trabalhador, umha ofensiva atravessada por umha outra componente nom menos importante: a recentralizaçom forçada dirigida a evitar o avanço das posiçons independentistas nas naçons oprimidas polo Estado espanhol. Em plena crise, o grande capital impom-nos, neste caso através dos governos do PP, as suas receitas: mais Espanha, mais capitalismo e mais opressom de género contra as mulheres.

Perante esse panorama de brutal agressom contra a Galiza trabalhadora, no ámbito da esquerda política galega assistimos a umha recomposiçom das forças de matriz nacional, provocada polas cisons sofridas polo BNG no último ano. O resultado foi, como se sabe, a criaçom de duas novas forças reformistas e galeguistas: Compromisso por Galicia e a Anova-Irmandade Nacionalista.

Como é público, só NÓS-Unidade Popular ficou à margem desses movimentos de recomposiçom do nacionalismo social-democrata, na qual sim participárom outras três forças soberanistas: FPG, MpB e OLN-Causa Galiza.

Para completar a complexa situaçom que resumimos, e às portas do 25 de Julho, vemos como, apesar desses processos e da criaçom de novas forças políticas de vocaçom unitária, existem diferentes mobilizaçons convocadas.

Às duas já previstas, a de NÓS-UP e a do BNG, poderám somar-se outras de última hora que contribuirám para umha certa confusom e desánimo.

Por todo o anterior, parece-nos importante esclarecer a quem nos lê a posiçom da nossa força política, NÓS-Unidade Popular, na volúvel situaçom política atual e diante de um novo Dia da Pátria.

Devemos começar por reconhecer o caráter minoritário de NÓS-UP. A nossa é umha força minoritária, porque minoritária é ainda a consciência revolucionária e independentista na Galiza. Mas também porque, como organizaçom coerentemente oposta ao atual regime, sofremos um implacável boicote mediático e institucional que dificulta o nosso desenvolvimento.

Tampouco esqueçamos que as restantes expressons do chamado soberanismo galego, inclusive as assumidamente reformistas e integradas no sistema, som também minoritárias. O próprio BNG, fortemente financiado polo Estado espanhol, nom passa de ocupar o terceiro posto em termos eleitorais, a muita distáncia dos dous principais partidos do espanholismo e do regime espanhol na nossa terra.

Diante dessa realidade, num contexto de crise sistémica generalizada e de extrema fragmentaçom política, as diferentes siglas da esquerda nacional participárom nos últimos meses em processos para alargar o seu peso eleitoral e ocupar um lugar ao sol do atual sistema, como a sua consciência crítica ou, parafraseando o próprio Xosé Manuel Beiras, como “muro de contençom” do descontentamento popular.

A militáncia e as bases de NÓS-Unidade Popular figérom nos últimos anos umha aposta clara por evitar esse tipo de jogos políticos que em nada servem para o avanço das posiçons rupturistas com o atual estado de cousas no nosso país.

Nom temos nada contra que os social-democratas, reformistas e liberais se agrupem, mas a eventual irrupçom de umha ou duas novas forças eleitorais como a que ANova ou Izquierda Unida podam representar no futuro imediato em nengum caso vai servir nem para aproximar-nos da ruptura com Espanha, nem tampouco para criar a força política que garanta umha aposta anticapitalista em caso de umha verdadeira crise revolucionária.

Independência e socialismo, junto à superaçom do patriarcado como sistema de opressom histórico, som os objetivos estratégicos de NÓS-Unidade Popular. Os passos táticos que em cada momento devam ser dados só terám utilidade se servirem para avançar nessa direçom.

Conformar grupos de interesses eleitorais, limitando a crítica e a intervençom aos parámetros tolerados polo sistema, poderá servir para que alguns novos ou velhos valores da política-espetáculo se acomodem e consigam maior visibilidade ou mesmo muitos votos, mas nom para que o povo trabalhador galego organize de maneira efetiva a luita frontal contra Espanha, o capitalismo e o patriarcado.

NÓS-Unidade Popular, força minoritária, mas insubornável nos seus princípios, tem total abertura para avançar em alianças amplas de base com esse horizonte, mas nom vai participar em processos de integraçom no mesmo regime que ataca sem piedade os direitos sociais, laborais e nacionais do nosso povo.

É a derrota e superaçom desse regime, e nom a participaçom na sua gestom, que dá sentido à existência de NÓS-Unidade Popular. Para isso sairá às ruas de Compostela neste 25 de julho a manifestaçom independentista.

Alberte Moço e Rebeca Bravo som membros da portavozia de NÓS-Unidade Popular

 Galiza, 19 de julho de 2012

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