Na rua, pela legalização

Em Maio, mais de milhar e meio de imigrantes voltaram a exigir a legalização para todos, a denunciar o tratamento arrogante e prepotente da polícia de fronteiras e a repudiar a política das quotas.

Menos participada que a anterior, apesar de igualmente combativa, a mobilização denota algumas fraquezas que podem ser fatais para a continuação do movimento. A primeira tem a ver com o facto de os protestos dos imigrantes obedecerem a uma agenda que lhes é alheia, definida pelos partidos europeus em que se integram o BE e o PCP e ao sabor das discussões e decisões que sobre a imigração se realizam no Parlamento Europeu. A segunda ordem de razões prende-se com o facto de a tónica das reivindicações dos imigrantes estar a tornar-se cada vez menos política e mais moral, privilegiando formulações como “Exigimos respeito” ou “Directiva da vergonha”, em detrimento das que denunciam a discriminação, o racismo, a exploração, o trabalho escravo, os salários desiguais, a perseguição policial, a criminalização da imigração, etc. Essas formulações aparecem nos cartazes e demais propaganda, mas são ignoradas pelos manifestantes, que gritam pelo reconhecimento dos seus direitos, o da legalização acima de tudo.

Se é verdade que é ao domingo que os imigrantes estão mais disponíveis para participar em protestos, por ser o seu dia de descanso, também é verdade que nesse dia os ministérios e outros órgãos de poder (como o SEF) estão encerrados, impedindo-os de ter um outro estilo de iniciativas e protestos, habituais nestas situações, como ocupar instalações e serviços, entregar protestos, etc.

O grande problema é, neste momento, como continuar a luta, dado haver um sentimento crescente de que o formato habitual das manifestações está a ficar esgotado e os resultados são escassos.

Entretanto prosseguem semana-a-semana as rusgas e os controlos policiais em “bairros problemáticos”, estradas, estações de comboios suburbanos e, principalmente, locais de diversão nocturna. E de cada vez que isso acontece, lá vão mais uns tantos estrangeiros indocumentados borda fora. Com particular destaque para mulheres, rotuladas liminarmente de prostitutas. E, sinal dos tempos, já ninguém acha estranho, já ninguém se indigna. Mesmo aqueles que na “esquerda ordeira” até há poucos anos se dispunham a protestar, agora mais preocupados em captar o voto imigrante, agora que está a prestes a ser aprovada a lei que lhes confere esse direito.

Em Julho, nos dias 11 e 12, vai-se realizar o Fórum Pela Cidadania e a Justiça Social, em Lisboa, organizado por entidades anti-racistas, de defesa dos imigrantes e dos direitos humanos. Coincidência ou não, realiza-se em período pré eleitoral e pretende alargar-se a outras temáticas que vão para além da imigração e da discriminação racial, onde cabe tudo e mais alguma coisa, e em que a questão do voto imigrante vai ser um assunto em destaque.

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