NÓS-Unidade Popular apresenta ‘Manifesto à Pátria e ao Povo Trabalhador Galego’

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Num momento de grave crise económica e de emergência nacional para a Galiza, a&nbsp nossa organizaçom considera necessário dar passos firmes e claros nesse sentido, que possibilitem a reorganizaçom do espaço soberanista e de esquerda de maneira urgente, sendo essa a grande matéria pendente do disperso independentismo galego. Mais, sabendo que nom há diferenças ideológicas nem políticas que expliquem a divisom actual.

Contra o conformismo e as inércias sectárias, a corrente da esquerda independentista ligada a NÓS-UP quer com este gesto visibilizar umha disponibilidade sem reservas para um encontro imprescindível entre os sectores do movimento popular que apostamos num projecto estratégico revolucionário e de futuro para esta naçom chamada Galiza, num momento em que o capitalismo sofre umha grave crise e Espanha incrementa a sua agressom histórica contra a nossa identidade.

Sem mais objectivos que deixar patente essa disposiçom construtiva para iniciar os passos que conduzam para a articulaçom política da resistência e a luita nacional e de classe, NÓS-Unidade Popular fai público este ‘Manifesto à Pátria e ao Povo Trabalhador’.

Manifesto à Pátria e ao Povo Trabalhador Galego: Chegou a hora da unidade para resistir e luitar

Tempos de crise para a imensa maioria social&nbsp

Todos os índices socioeconómicos som claramente alarmantes. Os letais efeitos da crise estrutural capitalista estám golpeando com força as condiçons laborais e de vida da classe trabalhadora e dos sectores populares galegos.

A realidade é tam diáfana que o regime já nom se esforça em negá-la.&nbsp

Dúzias de empresas estám a fechar ou a reduzir quadros de pessoal, aplicando eufemisticamente EREs; o desemprego bate recordes; a congelaçom dos salários e a queda do consumo evidência as dificuldades do presente para o povo trabalhador; mulheres, juventude e pensionistas som os sectores mais afectados; a pobreza e a exclusom social atinge níveis já esquecidos; o dramático êxodo que nos acompanhou inexoravelmente nos mais recentes capítulos históricos adopta agora a forma de emigraçom maciça entre a juventude com formaçom académica e técnica numha autêntica fuga de cérebros; a precariedade e o incumprimento generalizado da legislaçom laboral na contrataçom está a converter-se em norma; a submissom e a obediência laboral que provoca o medo vai acompanhada polo endurecimento das condiçons de trabalho; o patriarcado avança sem complexos; a alienaçom embrutecedora dificulta organizar a resistência.&nbsp

Som tempos de crise e turbulências. Duros, cinzentos e tristes. A incerteza e o fatalismo semelham ganhar adeptos.&nbsp

Tempos de suculentos negócios&nbsp

Mas, como historicamente tem acontecido, também som tempos onde o capitalismo aplica com ferocidade e de forma descarnada, sem aditivos, nem eximentes, a sua doutrina predadora e especulativa, que nom duvida em incrementar as taxas e os níveis de empobrecimento, exploraçom e alienaçom para assim garantir e perpetuar os seus lucros. Bancos, companhias de seguros, grandes e medianas empresas, multinacionais, nom estám dispostas a recuar nos seus obscenos benefícios.&nbsp

Em aras da competitividade e do progresso que afronte a crise a burguesia, desprovista de complexos e escrúpulos, por meio do patronato, pressiona a casta política que a representa e os sindicatos corruptos a negociar um novo "Pacto da Moncloa" para aplicar excepcionais medidas de choque, endurecer a legislaçom laboral, flexibilizar ainda mais as leis do mercado, aproximando-nos assim dos parámetros decimonónicos que tantos sacrifícios e sangue custou superar. Querem que a sua crise a paguemos os de baixo, as trabalhadoras e os trabalhadores, os que vivemos do nosso esforço.&nbsp

Para que isto seja factível, os seus eficazes aparelhos de dominaçom ideológica intimidam com virtuais ameaças globais, bombardeam sem trégua com patranhas, criminalizam as organizaçons revolucionárias, o movimento popular, @s que simplesmentem resistem e luitam, levantando cortinas de fumo, promovendo a amnésia, &nbsp para despistar e amortecer os efeitos reais e tangíveis de umha crise à que já ninguém pode escapar.&nbsp

Procuram justificar a supressom de direitos e liberdades individuais e colectivas a bem da sua segurança e privilégios, procurando a inconsciente cumplicidade dos sectores populares desorganizados e desarmados da consciência operária e nacional que pretendem definitivamente aniquilar.&nbsp

Crise nacional. A Naçom pode desaparecer&nbsp

Estes fenómenos tenhem lugar numha adversa conjuntura de ofensiva global espanhola contra as naçons submetidas nesse cárcere de povos chamada Espanha. A endémica e estrutural crise do estado-naçom espanhol tenta ser novamente superada implementando agressivas políticas recentralizadoras contra o projecto nacional galego e do resto das naçons oprimidas.&nbsp

Décadas de políticas assimilacionistas democráticas no ensino e nos meios de comunicaçom de massas, aparentemente inócuas para as amplas maiorais sociais, dam como resultado que a Galiza afronte o início do século XXI à beira da indefensom, de um precipício letal que nos pode fazer cair irremediavelmente na maré uniformizadora a que nos quer conduzir o capitalismo espanhol e transnacional.&nbsp

A acelerada perda de falantes do nosso idioma nacional, a lamentável normalizaçom de hábitos e condutas intoleráveis há poucas décadas atrás, a metódica e paulatina socializaçom dos símbolos e imaginário espanholista entre a juventude, a trivializaçom e desprezo dos sinais medulares dumha Naçom trabalhadora forjada numha dilatada história, é também resultado dos banais e irresponsáveis comportamentos do autonomismo de prática regionalista na última década, e da fragmentaçom e debilidade da esquerda independentista e do movimento cultural normalizar articulado à volta dos centros sociais. Os que podiam frear os sintomas optárom por subestimá-los, e quem com lucidez diagnosticava estes fenómenos carece de capacidade real de os afrontar para além da denúncia.&nbsp

As enormes dificuldades e vulnerabilidade que atravessa a Naçom permitem explicar a crise demográfica que ano após ano gera umha preocupante queda de habitantes só compensada com o novo fenómeno da imigraçom para o que o movimento de libertaçom nacional ainda carece de umha estratégia definida que permita integrar este contingente de povo trabalhador na Galiza que queremos construir.&nbsp

Após mais de 150 anos de construçom do movimento nacional, a ameaça do abismo a que nos conduz Espanha continua sem ser superado.&nbsp &nbsp

Crise ecológica&nbsp

A grave crise ambiental é sem lugar a dúvidas mais profunda e preocupante do que nos querem fazer acreditar. Pola primeira vez, a sobrevivência da espécie humana acha-se em perigo. É tangível um enorme holocausto global derivado do esbanjamento de recursos e a implementaçom a escala planetária de um modelo de desenvolvimento antagónico com o equilíbrio e respeito ecológico.&nbsp

Embora persista a marginalizaçom e o empobrecimento secular que a Galiza padece na divisom internacional do trabalho, o nosso país nom é alheio a estes fenómenos. Todo o contrário. Temos uns índices de contaminaçom superiores o de sociedades mais industrializadas e urbanizadas que a nossa. Os infames planos do capitalismo espanhol e da Uniom Europeia que reduzírom à mínima expressom o sector primário inviabilizando assim a imprescindível soberania alimentar, pretendem seguir sobreexplorando os nossos recursos. As coordenadas criminosas baseiam-se na implantaçom com absoluta impunidade de indústrias de enclave, de insensatas reflorestaçons de monocultivos de espécies foráneas, dum modelo energético alheio às necessidades endógenas, destruindo as costas e espaços naturais protegidos com portos desportivos, construindo urbanizaçons, campos de golfe, vias de transporte que desvertebram o País e o incomunicam, no quadro de umha estratégia turistificadora que pretende inviabilizar economicamente a Galiza até lograr convertê-la numha simples reserva de matérias-primas, energética e de mao de obra barata.&nbsp &nbsp

Refundaçom do obsoleto nacionalismo ou recomposiçom da esquerda independentista?&nbsp

Os três últimos quinquénios fôrom espectadores de um progressivo processo de aggiornamento da principal estrutura defensiva que os sectores populares galegos tenazmente erguérom desde meados da década de sessenta do século XX até atingir a sua actual plena integraçom no sistema político espanhol. A direcçom e imensa maioria dos quadros da esquerda nacionalista optou por capitular frente Espanha e o Capital adoptando um inofensivo e contraditório perfil centrista e regionalista que lhes permitiu saborear as migalhas que o regime lhe condece pola sua lealdade.&nbsp

O autonomismo logo da nefasta experiência do bipartido pretende aplicar de forma oportunista e a marchas forçadas um giro à esquerda para recompor-se, ganhar tempo, evitando assim um maior descalabro eleitoral e retrocesso nos espaços de poder institucional atingidos. Porém, este movimento nom passa de ser algo meramente virtual. O actual autonomismo nom se pode regenerar. O pactismo, a adulteraçom ideológica, a cumplicidade com os inimigos de classe e nacionais, a renúncia estratégica ao exercício do direito de autodeterminaçom e à transformaçom social estám plenamente inoculadas no seu seio, fam parte do seu ADN.

&nbsp Só pessoas bem intencionadas, ingénuas e incautas podem acreditar honestamente nas possibilidades reais de voltar a fazer do BNG umha ferramenta útil para defender Galiza desde os interesses das camadas populares. O seu ciclo está esgotado. Inexoravelemente o BNG caminha a ser um espectro mais da velha esquerda desnutrida e anémica, estrategicamente derrotada e imbricada na lógica do parlamentarismo burguês.

&nbsp Este processo enquadra-se na mais que provável mudança de ciclo que após o parêntese dozapaterismo levará a direita tradicional a voltar a ocupar o governo espanhol.&nbsp

É hora de avançarmos na reformulaçom do independentismo socialista&nbsp

A grave e profunda crise social e nacional colhe-nos a contrapé. Porém nom é o momento de inclinar bandeiras, de resignaçom e desencanto. Todo o contrário!&nbsp

É imprescindível dar passos firmes e claros face à recomposiçom sociopolítica da esquerda independentista e socialista galega. A reorganizaçom deste espaço é urgente, nom pode seguir dilatando-se sine die. É hora de adoptar com valentia e coragem a grande matéria pendente. A indecisom, a comodidade e o conformismo nom tenhem cabimento. Nom existem muros infranqueáveis.&nbsp

As responsabilidades colectivas desta lamentável situaçom nom podem seguir condicionando a actual divisom e fragmentaçom que impossibilitam sermos um projecto útil para defender a naçom galega e os interesses de classe e de género da imensa maioria social. É &nbsp necessário visibilizar mudanças de atitudes. Há que mover ficha.&nbsp

As experiências falhadas que arrastamos tampouco podem continuar a ser umha lousa inamovível que condiciona e negue antidialecticamente o futuro.&nbsp

Com modéstia revolucionária, sem falsos protagonismos, sem condicionantes prévios, nem modelos preestabelecidos, apelamos o conjunto de agentes políticos e sociais de carácter nacional e local, de activistas do movimento popular e operário, que nos enquadramos nos parámetros da esquerda independentista, a iniciar um processo de diálogo tendente a superar este mal endémico que nos consome e esteriliza para organizar a resistência, injectar moral, frear a ofensiva do Capital e do projecto espanhol, como objectivos imprescindíveis que posteriormente permitam sentar as bases de umha vitória estratégica da Naçom Galega, da emancipaçom social de género.&nbsp

Com total honestidade, estamos plenamente convencidas de que é possível com generosidade e olhar de futuro iniciar a imprescindível transfusom de ideias, de projectos, de modelos que permitam elaborar sínteses de mínimos colectivamente aceitáveis que possibilitem a convergência para, com iniciativa, impulso, inconformismo, e intransigência, dotar o País e a nossa classe do baluarte organizado que demandam amplos sectores populares.&nbsp &nbsp

Galiza, Maio de 2009&nbsp

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