Movimento Indígena do Brasil e o assassinato do Cacique Francisco de Assis Araújo Xicão Xucuru

Xicão foi covardemente executado a tiros em frente a casa de sua irmã, no município de Pesqueira, Estado de Pernambuco, acrescentando mais um nome à enorme lista de crimes premeditados no campo.

Desde 1985, o Cacique liderava a resistência do povo distribuídos em 23 aldeias com 7.600 índios Xucuru, lutando pelo reconhecimento e demarcação da terra tradicional indígena compreendida em 27.555ha, no município de Pesqueira.

O trabalho desenvolvido por Xicão acompanhado pelas comunidades, teve como resultado o resgate do respeito às suas reinvidicações, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento de excelentes projetos na área de Educação e Saúde.

Mesmo com morte anunciada, sofrendo seguidas emboscadas ; a partir de 1989, nunca se intimidou, sempre a frente do projeto político do povo, demarcar a terra e o reconhecimento por toda a sociedade enquanto etnia diferenciada.

Em 1992 após escapar de um atentado foi revelada uma lista dos 21 nomes de lideranças Xucuru marcadas para morrer,incluindo o Cacique Xicão. As ameaças de morte sempre foram denunciadas às autoridades competentes, Polícias Civis, Militares e Federal, como também à Secretaria de Segurança Pública.

Hoje, sem Xicão, os índios debatem na assembléia os projetos futuros para o desenvolvimento sustentável da etnia, a política indigenista brasileira e a questão da criminalização dos movimentos indígenas. Mas eles não desistem. O cacique atual, Marcos Luidson, filho do cacique Xicão, mesmo sob ameaça de morte, continua buscando os direitos do seu povo.

Mesmo nesse clima de violência, Xicão sempre dizia em cima de medo e coragem :

“O homem precisa respeitar a Natureza e o povo”.

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