Moralmente falidos…

Sondagem recente da Universidade Católica diz:”62% dos portugueses considera o Governo mau ou muito mau”. Não admira, Passos Coelho podia fazer melhor do que impor medidas para  além das que a troika exigiu. Até o representante do FMI reconheceu a necessidade de abrandar o ajustamento orçamental. Paul Thomsen ainda disse: é “necessário abrandar a austeridade”. O povo aguente-se com sucessivas austeridades, enquanto os fiscais troikistas ao examinar as nossas contas ganham enormidades… tratando-nos como broncos. Onde está a moral? O mal-estar acentua-se e agrava-se com o somatório de calamidades e infortúnios que nos garroteiam. Coelho, Miguel Relvas e cia. Estão contentes. O “custe o que custar” está a resultar.

Entretanto o executivo foi desautorizado. A “desfaçatez” da populaça não acatou a não-tolerância carnavalesca e o inteligentíssimo ministro Relvas disse que no próximo ano,  Carnaval nem vê-lo. Há dias o Presidente da República faltou a um compromisso na Escola Secundária António Arroyo, por “imprevisto” ainda não esclarecido. Certamente foi avisado que o espírito de rebeldia e liberdade de algumas centenas de estudantes o esperavam. Amedrontou-se?! Por timidez,  fraqueza de espírito ou cobardia o dr. Cavaco continua a dar razão a quem o acha sem perfil para ser presidente da república. Em contraste, Coelho foi a Gouveia e centenas de manifestantes, onde se incluíam operários recém despedidos, vaiaram- no. Por comparação a Cavaco, com “destemor” – disse a imprensa – enfrentou a populaça. Afirmou à comunicação social: “É preciso falar e explicar a situação do país às pessoas”, insinuando que estava ali gente “encenada para as televisões”. Só lhe faltou dizer que eram sindicalistas ou bloquistas ou comunistas. Para quem está no poder é fundamental entristecer as pessoas, levá-las a interiorizar que não há alternativa a ficarem pobres. A mais poderosa arma nas mãos dos governantes é a mente dos governados. Este  país está moralmente falido…

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