Manifesto pela Verdade

 

Em um período de tempo muito curto o mundo ficou sabendo muita coisa sobre as agências secretas que não prestam contas a ninguém e sobre os programas de vigilância ilegais. Por vezes as agências tentam deliberadamente esconder a sua vigilância até dos altos oficiais ou do público. Enquanto a NSA e a GCHQ parecem ser os piores ofensores – segundo os atuais documentos – não devemos esquecer que a vigilância em massa é um problema global que requer soluções globais.

Tais programas não são apenas uma ameaça à privacidade, eles também ameaçam a liberdade de expressão e as sociedades abertas. A existência da tecnologia de espionagem não deveria determinar políticas. Nós temos a responsabilidade moral de garantir que as nossas leis e valores limitem os programas de monitoramento e protejam os direitos humanos.

A sociedade só pode entender e controlar esses problemas através de um debate aberto, respeitoso e informado. Inicialmente, alguns governos constrangidos pelas revelações da vigilância de massa iniciaram uma campanha sem precedentes de perseguição para suprimir esse debate. Eles intimidaram jornalistas e criminalizaram a publicação da verdade. Nesse ponto, o público ainda não tinha como avaliar os benefícios dessas revelações. Eles confiaram em seus governos para decidir corretamente.

Hoje sabemos que isso foi um erro e que tal ação não serve aos interesses do público. O debate que eles queriam evitar irá agora ocorrer em países ao redor do mundo. E ao invés da causar danos, hoje ficou claro para a sociedade os benefícios desse novo conhecimento público, uma vez que reformas são propostas para aumentar o controle contra descuidos e de novas legislações.

Os cidadãos devem lutar contra a supressão de informação em questões que são de importância vital para o público. Falar a verdade não é crime.

* Esse artigo escrito por Edward Snowden foi publicado no Der Spiegel em 03/11/2013. Como não consegui encontrar uma tradução online em Inglês, decidi publicar uma tradução (sugestões para melhorá-la são bem vindas). Eu publiquei previamente o texto completo em alemão.

 

Traduzido do alemão por Martin Eriksson

Tradução para o português: Ana Amorim

 

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