João Jesus Gonçales: independência, socialismo e reintegracionismo galegos

Assassinado por luitar contra o golpe de estado de 1936, o de Cúntis é um exemplo de vida entregada à Galiza. Nos últimos anos os trabalhos de Héitor Picallo e Marcos Seixos (de cujo livro A loita permanente de Xoán Xesús González tiramos a informação aqui publicada) entre outros estám a divulgar a figura deste ativista galego, até o de agora pouco conhecido. Pola nossa parte, e dentro deste especial acerca das relaçons Galiza-Portugal, queremos sublinhar as ideias reintegracionista do João Jesus, comuns, por outra parte, a todo o nacionalismo galego (polo menos no nível retórico), até o período autonomista no que estamos.

O seu lusismo manifestou-se bem pronto. No ano 1926, com motivo da chegada dum grupo de peregrinos portugueses a Compostela escreve:

“Nistes novos tempos de sensibilización universal, o feito de que unha pelerinaxe portuguesa veña a Compostela, revela fonda trascendencia. Portugal hirmán de Galiza: en lingua, en raza, en limiar histórico, debera vir máis vegadas a Galiza e nós debéramos ir moitas máis a Portugal. Con elo chegaríamos a establecer unha forte comunidade espiritual, tanto no orde relixioso, como no social, como no comercial e no cultural. Conoceríamos máis e chegaríamos a convencernos definitivamente de que Portugal e Galiza, ten de realizar xuntas un mismo destino histórico, ten de levar xuntas un mismo vieiro, social, político, relixioso e cultural. Non se debera comprender Portugal sin Galiza nin ista sen aquela hirmán tan alonxada e tan preta […]”.

Quatro anos depois, em 1930, após as revoltas estudantis nas que estava implicado, visita Compostela a Estudantina do Porto. João Jesus, estudante de Direito, participa na receção dos hóspedes lusos.

O seu interesse pola cultural portuguesa em geral é grande. Por exemplo, em 1927, com motivo da atuação da soprano Beatriz Baptista no Teatro da Casa Social compostelana, dedica-lhe umas linhas, e refere-se a ela como “unha artista portuguesa, hirmán de raza e hirmán de sentimento”, insistindo em que a gente do além-Minho deve ser calidamente recebida na Galiza, “porque galegos e portugueses vimos a ser unha mesma entidade en todos os ordes da vida, e no orde artístico muito máis”.

Dentro do seu trabalho no campo cultural, será no 1933, na revista Resol, quando melhor poda render tributo ao seu querido Portugal, e ao seu conceito de irmandade. O poeta Octávio de Medeiros, natural de Bande residente no Brasil, propõe a João Jesus dedicar um número da revista a Portugal na íntegra. O de Cúntis entusiasma-se com a ideia, pois vê nela uma materialização das suas ideias. É certo, também, que números anteriores da revista já apresentavam obras dos portugueses Teixeira, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, etc. Em Abril sai o número especial, coincidindo com a Semana Portuguesa em Vigo. No número 112 da revista Nós fazem alusão ao acontecido:

“Resol número 7. Dedicado a Portugal. Co gallo da semán galego-portuguesa de Vigo. Resol publicou un número con poesías de Guerra Junqueiro, Eugénio de Castro, Teixeira de Pascoais, António Patrício Ribeiro Couto, Gil Vicente, Lourenzo Jograr, Almeida Garret, Mezquita de Câmara, Bocage, Antero de Quental, Emílio Moura, Rei Don Diniz e cantigas populares”.

Com a IIª República, e as suas críticas à traição de Casares Quiroga ao nacionalismo, demonstra também que Portugal ocupa um importante ponto de referência nos seus ideias políticos, pois ao falar de autonomia sublinhará que esta:

“…livrar-nos-há da cadeia que sai do Ministério da Governação e de chefe em chefe político, e de presidente em presidente vai aprisonando vilas e aldeias; é a redenção do lavrador, a liberdade da terra e dos homens que trabalham a terra; a unificação espiritual de Galiza obrigando o nosso capital a galeguizar-se e o nosso trabalho colonizado a tornar-se em trabalho próprio; o estreitamento da irmandade com Portugal que espiritualmente forma com nós um só corpo seccionado polos aranceis centralistas…” [adaptamos este trecho por estar o original em espanhol].

Não obstante, se temos que ficar com uma das suas declarações de lusismo, se calhar, por mais explícita, deveriamos citar um artigo de 1922, onde manifesta a necessidade de os galegos e portugueses “establecer unha forte comunidade espiritual, tanto no orde relixioso, como no social, como no comercial e no cultural”, concluíndo:

“Somos galegos e somos lusitanos: relixiosamente, etnoloxicamente, filoloxicamente, por enriba de todas as pequenas e vulgares opinións.”

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