Izquierda Unida impom o seu critério a Anova: CxG fica excluída da ‘Syriza galega’

Os diferentes grupos políticos participantes na criaçom da «frente ampla» de esquerda com que IU e Anova tencionam entrar no Parlamento autónomo galego passárom de pedir um acordo «sem exclusons» (Xosé Manuel Beiras dixit) à reviravolta de Compromiso por Galicia, rejeitando primeiro a integraçom na coligaçom, para depois pedir a entrada e acabar por desistir perante o bloqueio imposto por IU

A chave parece ter sido o papel determinante jogado pola organizaçom de obediência espanhola que véu pilotando o processo: Izquierda Unida, que conta com o aval nom só da sua direçom «Federal» (=espanhola) comandada por Cayo Lara e o PCE, mas também da Frente Popular Galega (FPG), que desde o primeiro minuto reconheceu a IU um papel central e estreou a série de contatos oferecidos pola sucursal de IU liderada por Yolanda Díaz às forças políticas galegas.

Grandes doses de oportunismo, escassa seriedade

Em todos os casos e em diferentes momentos, parece que uns e outros aplicárom um princípio marxista (dos Irmaos Marx) como guia para açom: «Estes som os meus princípios; se nom gostas deles, nom fai mal, eu tenho outros».

– Assim, CxG passou de rejeitar acordos com forças de soberania nom galega a aprovar a entrada na última hora de ontem, vendo-se obrigada a recuar quando viu que IU impunha o seu critério de a excluir.

FPG IUAnova passou de reclamar umha frente ampla e sem exclusons a assumir o veto imposto pola própria IU contra os ex-companheiros do Encontro Irmandinho nas suas brigas contra a UPG no interior do BNG.

– Izquierda Unida passou de rejeitar qualquer acordo com CxG a convidar os EcoGaleguistas (integrados em CxG) a participarem na sua Syriza. Já nas últimas 24 horas, primeiro descartárom a inclusom de CxG e depois dixérom que os centristas ficavam para umha segunda fase. Das insalváveis diferenças programáticas passárom ao esquecimento dessas supostas diferenças políticas. 

– Os tais EcoGaleguistas passárom de rejeitar a participaçom na Syriza de IU, por a considerarem «antissistema», a defender que CxG se embarcasse no projeto, mesmo ameaçando com trocar de plataforma se tal nom acontecia. Neste momento, nom sabemos o que acabarám por fazer.

– A FPG, integrada em Anova, jogou um papel especialmente delicado como força dita soberanista e anticapitalista no processo em curso: abençoou Izquierda Unida atribuindo-lhe suficiente ‘label’ de soberanismo e fijo de ponte entre Yolanda Díaz e Xosé Manuel Beiras, já que em ambas formaçons (Encontro Irmandinho e IU) havia setores contrários a um acordo. Provavelmente a FPG tenha sido a força mais séria na sua posiçom ao longo do processo negociador, aplicando os princípios da sua Posiçom Soto para situar a suposta «unidade da esquerda» por cima da soberania galega.

Vale a pena lembrar também como nos primeiros dias Yolanda Díaz afirmava que o importante do assunto nom eram as eleiçons, e sim a criaçom de umha frente «de longo percurso». Mesmo afirmou que IU tinha garantida a sua entrada no Parlamento com ou sem «Syriza galega». Ontem mesmo, o seu líder espanhol, o manchego Cayo Lara, reconhecia no site de IU que apoia a unidade com Beiras porque assim poderám «conseguir juntos o que provavelmente nom poderiam conseguir por separado» (SIC).

IU consegue aplicar a sua estratégia espanhola à Comunidade Autónoma da Galiza

Na prática, e após um percurso errático, precipitado e com nula discussom programática, Izquierda Unida consegue impor o seu histórico modelo, espanhol e social-democrata, que está a tentar aplicar em simultáneo em diferentes comunidades, como Catalunha, País Valenciano ou Aragom, para se erigir em referente da esquerda reformista «contestatária» aproveitando a crise do sistema e do principal partido opositor, o social-liberal PSOE.

No caso galego, IU passa do ostracismo a hegemonizar umha importante corrente reformista que inclui alegados independentistas (FPG e MpB), altermundistas também autoproclamados independentistas (Encontro Irmandinho) e umha restra de grupos eco-pacifistas (EcoSocialistas, Equo), altermundistas espanhóis (Esquerda Anticapitalista) e de difícil adscriçom ideológica (Partido Humanista).

Difícil mosaico o do campo reformista galego, no qual se enfrentarám o BNG, projeto histórico e de maior seriedade, ainda que moderado nas suas propostas nacional e social; e a tal Syriza galega, que levará o nome paradoxal de «Alternativa Galega«, configurado com base nos critérios impostos polo PCE-IU. Algumhas fontes já difundírom o definitório critério proposto por IU para a repartiçom de postos nas listas: «alternáncia entre um nacionalista e um de Izquierda Unida».

A terceira corrente, Compromiso por Galicia, representará na iminente campanha eleitoral o centro liberal galeguista, com poucas possibilidades de êxito.

Resta ainda por se definir a posiçom de NÓS-UP nesse processo eleitoral, se bem essa força independentista e socialista já descartou qualquer participaçom no complexo jogo de alianças a que assistimos.


070912 xosemanuelbeiras[07.09.12 às 12h] Quem dixo impossível? CxG, Anova e IU juntos às eleiçons

Parecia impossível mas nom: Alguns cindidos do maior partido da (ultra)direita espanhola (o PP), concorrendo juntos às eleiçons autonómicas com supostos comunistas e independentistas. No meio: alegados comunistas espanhóis/las, ecologistas, pacifistas, altermundistas, liberais…

Hoje termina o prazo para apresentar candidaturas formadas por coligaçons às eleiçons na Comunidade Autónoma da Galiza (CAG), em que mais um ano ficarám de fora as comarcas do Berzo, Cabreira, Seabra, Íbias e Eu-Návia, e o que até o final da semana passado nom estava muito claro demonstrou ser possível.

A Anova (produto da cisom do BNG, supostamente pola esquerda) e a espanhola Izquierda Unida –que já manifestárom a sua vontade de apresentarem umha candidatura conjunta no começo desta semana- acaba de juntar-se agora Compromiso por Galicia, cisom do BNG supostamente pola direita.

Estranha combinaçom, sim, mas poderá dar bons resultados no acesso ao Parlamento autonómico galego nas eleiçons de próximo 21 de Outubro, como assegurou um otimista Xosé Manuel Beiras (Anova-IN) que dixo há poucos dias da hipotética convergência Anova-IU-CxG que seria umha “bomba eleitoral”.

Os sonhos de Beiras e Yolanda Díaz, de IU, cumprem-se e as diferenças ideológicas e programáticas nom parecem ser tam importantes quanto o acesso ao parlamento. Entretanto, os setores social-democratas tentam legitimar a aposta interclassista a partir de um suposto “antissistemismo” mediante a autoproclamaçom da “Syriza galega”.

Fica por ver como encaixarám os programas em que se deveriam traduzir essas diferenças. Suporá isso dificuldades ou, de novo, o cálculo eleitoral servirá de lubrificante aos setores mais «extremistas»? Até agora, todo aponta para a segunda das opçons.

Por enquanto, o matrimónio orquestrado polas cúpulas dos atores participantes nom estivo falto de polémica entre as bases das formaçons.

NÓS-UP, o primeiro a desmarcar-se; CxG, o último a unir-se

Paradoxo ou nom, os maiores impedimentos à participaçom na candidatura interclassista e galego-espanhola nom vinhérom da esquerda. Nem sequer da esquerda independentista representada no processo polo Movimento pola Base e a FPG, após o abandono de Causa Galiza no dia anterior à constituiçom oficial de Anova, e que desde a sua debacle na convocatória do Dia da Pátria nom voltou a dar sinais de vida (política). Por seu turno, NÓS-Unidade Popular foi a primeira a desmarcar-se tanto do NPC que deu na formaçom de Anova, como da proposta de Syriza lançada por Izquierda Unida, mas ainda nom esclareceu a sua posiçom diante das eleiçons de 21 de outubro.

Foi CxG -centrista-liberal galeguista formada por cisons do BNG, elementos cindidos do ultradireitista Partido Popular, grupos autodefinidos de «centro galeguista» como TEGA e ecologistas-pacifistas nada antissistema- a última a se somar à candidatura única e a que mais objeçons colocou. De facto, CxG classificava o acordo político de «impossível» até há mui poucos dias. Assegurava que nom estava disposta a concorrer com forças que se definiam como «anticapitalistas», nem com forças que destruíam o princípio de auto-organizaçom galega (em referência à sucursal da espanhola IU).

Porém, afinal também CxG fijo contas e viu que a melhor maneira de obter umha quota de poder no cada vez menos legítimo Parlamento galego era renunciar a esses pormenores. Sem dúvida, recentes inquéritos que colocavam a intençom de voto nessa formaçom em cerca dos 3% ajudárom na decisom.

Entretanto, a escolha feita à última hora da quinta-feira pola Executiva Nacional de CxG foi polémica entre parte da militáncia, chegando a haver ameaças de rutura por algumhas das assembleias comarcais da formaçom, nomeadamente em Val d’Eorras, e posicionamentos contrários em Trasancos ou a Estrada, segundo informa o digital Galicia Confidencial.

Anova e IU, a “Syriza galega”

Anova, para justificar a rutura do princípio de auto-organizaçom galega. IU para justificar a coligaçom com nacionalistas e independentistas. A questom é que ambos coletivos estám empregando a fórmula da “Syriza” galega, umha sorte de frente comum de esquerdas para desalojar o Partido Popular do poder como pretexto.

Com a entrada de CxG será difícil manter o de frente “de esquerda”, mas com certeza veremos prodigiosas manobras que salvaguardarám as aparências.

O acordo entre estas duas formaçons vinha já prevendo-se desde havia algumhas semanas, principalmente após as conversas IU-FPG (partido integrado em Anova) nas quais umha pletórica IU assegurava no seu comunicado que os independentistas da FPG admitiram colocar “a questom de classe por diante da questom nacional”. Toda umha demonstraçom das intençons dos social-democratas espanhóis. A FPG emitia, à sua vez, um comunicado no qual nom dizia tal cousa mas também nom corrigia o texto de IU.

Esses primeiros contatos vinhérom seguidos de um progressivo achegamento entre IU e Anova, cristalizado na decisom tomada no passado fim de semana para concorrerem juntas, e à qual CxG se acaba de somar.

As bases de IU serám consultadas em poucos dias sobre a coligaçom e, embora nom se poda prever um retrocesso nas diretrizes aprovadas “de cima para baixo” na formaçom espanhola, sim houvo descontentamento entre alguns setores da militáncia social-democrata (mas autoproclamada ‘anticapitalista’). Parte deles nom concordariam com pactuar com nacionalistas e independentistas galegos/as. Outras e outros, nom verám com bons olhos a entrada de setores de direita via CxG.

Também esotéricos e eco-pacifistas espanhóis!

Nom esquecemos ainda mais dous ingredientes para o caldo (ou melhor gaspacho?) que se prepara: O esotérico Partido Humanista e o eco-espanholista Equoo seguramente adiram também à «frente ampla», colocando ainda mais dúvidas sobre o seu caráter nom já revolucionário, mas de esquerda nem que seja reformista. Izquierda Unida tem mostrado especial interesse na adesom desses grupos, o que parece bastante provável em ambos casos.

Mas… qual é a perspetiva eleitoral?

Com certeza, a perspetiva eleitoral é a única razom capaz de explicar a convergência de setores com ideologias e interesses de partida distantes ou mesmo contrários. Nom sabemos se um bom resultado ajudará a Galiza a sair da crise ou os próprios atores eleitorais a se situarem no baile de máscaras institucionais, mas o problema será que a «fórmula grega» nom funcione. Aí começarám os problemas da «pluralista» Syriza galega.

É difícil avaliar, neste momento, a expectativa eleitoral da coligaçom Anova-IU-CxG, perante a ausência de inquéritos e, claro, o desconhecimento até este momento da conformaçom final da candidatura.

Um estudo feito há poucos dias por NC Report para um jornal espanhol ultradireitista de grande tiragem dava a Anova e IU percentagens de voto no limite da representaçom parlamentar (5% nalgumha das circunscriçons provinciais). Isso poderia fazer com que, no melhor dos cenários, tivessem cada umha 2 representantes. Mas também poderia acontecer que ficassem sem nengum. CxG ficaria cerca dos 3%. Isso poria complicada a sua entrada no Parlamento galego.

Mas umha eventual convergência das formaçons numha candidatura oportunista e populista, como acaba de acontecer, poderia apanhar cerca de 10% dos votos, segundo analistas políticos consultados polo jornal Praza Pública antes de que se conhecessem as últimas notícias. Essa percentagem daria 6 ou 7 cadeiras ao grupo Anova-IU-CxG.

As cousas complicam-se para o PP

Seja como for, é verdade que a ultradireita nacionalista espanhola do PP, atualmente no poder com Alberto Nunes Feijó como Presidente da Junta, tem agora as cousas mais difíceis que antes.

O dito inquérito de NC Report dava ao partido de Feijó um máximo de 37 cadeiras. Umha menos que a necessária para a maioria absoluta –é difícil que o PP poda governar sem esse resultado, pois nom haverá no parlamento galego forças dispostas a pactuar com ele. Mas isso era antes de que acontecessem dous factos significativos:

Primeiro, a conformaçom da fronte Anova-IU-CxG.

Segundo, a irrupçom da ainda mais ultra e populista candidatura de Mario Conde (Sociedad Civil y Democracia –SCyD), ex-banqueiro condenado à cadeia polas suas falcatruas na direçom do Banesto. Embora seja impossível a sua entrada no Parlamento galego, Conde pode apanhar umha parte pequena dos votos do PP muito necessária, dadas as margens em que se vai decidir a maioria absoluta. Resta também comprovar os votos que consegue a ultranacionalista espanhola UPyD, que nos dous processos eleitorais em que participou andou à volta dos 20 mil sufrágios.

Contodo, o dado mais interessante fornecido polo único inquérito disponível até agora, o de NC Report, nom tem a ver com os partidos votados mas sim com os nom votados: a abstençom prevista é de 45%. Umha deslegitimaçom contundente da democracia burguesa e a as suas matemáticas eleitorais com resultados sempre idênticos.

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