Internacional: A semana em foco

Entre os principais acontecimentos da semana passada está o assassinato de dois haitianos que protestavam contra a o­nU no Haiti, a libertação da líder Aun San Suu Kyi em Mianmar e o mandato de prisão para Julian Assange que divulgou documentos secretos do exército dos EUA no Afeganistão e Iraque



Sábado, 13 de novembro&nbsp – A Frente Popular imperialista contra a revolta do povo

Neste sábado, a libertação da líder da Liga Nacional pela Democracia (LND), Aung San Suu Kyi, foi o acontecimento de maior repercussão.

Depois de realizar eleições gerais após uma lacuna de 20 anos, apesar dos inúmeros casos de fraude eleitoral e a vitória certa do partido oficial, o Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), a Junta Militar teve que ceder a forte pressão popular e libertou Suu Kyi após 15 anos de prisão.

No comando do País há pelo menos 48 anos, a Junta Militar está em crise e colocou em marcha um plano para aliviar a pressão sobre as massas e amenizar o governo ditatorial para chegar a um acordo com o imperialismo capaz de sustentar a situação diante das massas. A realização das eleições é um primeiro passo para isso e agora a libertação da líder da LND também.&nbsp A Junta pretende estabelecer um governo que mantenha os interesses dos militares, mas que diminua o confronto constante entre a população birmanesa e o governo. O governo militar, ligado à China, está sob pressão do imperialismo, que busca aumentar a sua exploração do País e coloca como condição um alargamento da participação política no regime através da oposição financiada diretamente por ele.

A conciliação entre o partido do governo que ganhou as eleições fraudadas e o partido de Suu Kyi é tão evidente que a líder já fez declarações que vão no sentido de uma frente popular.

Aung San Suu Kyi disse que pretende realizar no País uma “revolução pacífica”, mas que para isso não deseja que a Junta Militar saia do governo, pelo contrário seja apenas “reformulada” para que assim possa servir melhor à população. &nbsp Suu Kyi fez a seguinte declaração, “Não quero ver os militares caindo. Quero ver os militares se elevando a alturas dignas do profissionalismo e do verdadeiro patriotismo” (BBC, 15/11/2010). A “democracia” seria o resultado da fraude da vontade popular e a preservação da camarilha militar repressora.

A reconciliação está sendo apoiada pelo imperialismo norte-americano que declarou apoiar o diálogo entre os diferentes pontos de vista. O interesse dos Estados Unidos é aumentar a sua participação econômica na pilhagem do País. A derruba da junta por um movimento popular poderia dar lugar a uma completa perda de controle do país, por este motivo o imperialismo busca um acordo que, ao mesmo tempo dê sustentação para o regime e uma maior participação da oposição. Na realidade, o acordo fundamental não é entre Suu Kyi e os militares, mas entre o imperialismo norte-americano e a burocracia capitalista da China, acordo que já vinha se esboçando em várias reuniões internacionais e que envolve outros países, entre eles o Sudão, com plebiscito marcado para dividir o território daquele país..

O governo norte-americano tem interesse em abrir caminho para um maior controle sobre a economia birmanesa com a introdução de empresas e bancos. Hoje a economia de Mianmar é dominada pelos chineses. Com esta abertura, os Estados Unidos poderiam ganhar terreno e competir com a China um importante território econômico e político na Ásia.

Domingo, 14 de novembro – Tentando recuperar a popularidade

Depois de aplicar um dos maiores ataques contra a população francesa dos últimos tempos, o governo francês de Nicolas Sarkozy anunciou, neste domingo, uma série de mudanças nos ministérios para o próximo ano.

A intenção do presidente é tirar a imagem negativa do governo e preparar as eleições de 2012 para tentar se reeleger.

As principais mudanças irão ocorrer nos ministérios das Relações Exteriores, da Defesa, e do Trabalho, mas não vai mexer no cargo do primeiro-ministro e nem nos ministérios da Economia e do Interior.

Pelos nomes destacados, tem-se a impressão que o governo Sarkozy vai dar mais espaço para a direita no governo.

No ministério das Relações Exteriores a ministra da Justiça, Michele Alliot-Marie vai substituir o socialista Bernard Kouchner. No ministério da Defesa deixa o cargo Hervé Morin e assume a posição o ex-premiê Alain Juppé, um dos “grandes” nomes da direta francesa.

O ministro do Trabalho, um dos mais atacados recentemente por causa da reforma da previdência que foi aprovada aumentando a idade mínima para a aposentadoria, Eric Woerth, também vai sair do ministério e em seu lugar entrará Xavier Bertrand.

Alguns ministros classificaram as mudanças como sendo eleitoreiras, como foi o caso do ministro da defesa, Hervé Morin.

O primeiro-ministro, Francois Fillon, a ministra da Economia, Christine Lagarde, e o ministro do Interior, Brice Hortefeux mantiveram os cargos.

Apesar desta alteração, o presidente Sarkozy vai precisar de muita “ajuda” para conseguir se reeleger, pois está com a menor popularidade de toda a história francesa, menos de 35%.

Novos ataques contra os trabalhadores ainda devem ocorrer até as próximas eleições e isto vai diminuir ainda mais a popularidade de Sarkozy e as chances para se reeleger.

15 de novembro – segunda-feira: Aprofundamento da crise

A crise aguda na Grécia ficou evidente nesta segunda-feira, com o anúncio do primeiro-ministro grego, Georges Papandreou que afirmou que será necessário aumentar o prazo para o pagamento do empréstimo feito à União Européia (UE) e ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Segundo o primeiro-ministro, «O fato é que hoje podemos evocar a renegociação por uma única razão: provamos a nossa credibilidade, mostramos a nossa vontade de mudar, senão ninguém discutiria conosco uma possível renegociação».

«No entanto, a extensão não significa que o problema está automaticamente resolvido. O déficit (orçamentário) é um problema e o problema é nosso.»

Em maio, a Grécia assinou um acordo com o FMI e a UE para receber recursos financeiros e impedir que algumas dívidas vencessem o prazo. O empréstimo foi feito sob a base de que o governo grego reduzisse o seu déficit fiscal.

O prazo estipulado anteriormente previa o pagamento do empréstimo num período de quatro a cinco anos entre 2014 e 2015, por meio de parcelamento, mas agora a Grécia anunciou que este prazo é insuficiente. Como o dinheiro é proveniente de um fundo criado com o dinheiro de vários países da zona do euro, alguns países não gostaram da idéia de receber o dinheiro da Grécia mais tarde, entre eles a Alemanha.

O novo prazo para o pagamento grego ainda não foi estipulado, mas este anúncio foi suficiente para abalar as demais economias européias e da zona do euro em particular, pois indica que nos últimos sete anos, a economia da Grécia não avançou no sentido da recuperação econômica, ou seja, indica que a crise está se agravando no País.

Enquanto a crise grega não se resolve e o governo francês enfrenta enorme resistência popular aos planos de austeridade, a imprensa internacional anuncia a falência da Irlanda, que poderá levar o Euro completamente abaixo.

16 de novembro – terça-feira:Missão assassina da o­nU

A verdadeira face da suposta missão de paz da o­nU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, a Minustah, mostrou mais uma vez na terça-feira.

Em um protesto realizado por haitianos, contra a Minustah, em decorrência da enorme epidemia de cólera no País, que já conta com mais de mil vítimas, as tropas da o­nU assassinaram dois manifestantes. A população protestava contra a presença das tropas da o­nU e afirmavam que os soldados do Nepal foram os responsáveis por iniciar a epidemia de cólera no País, pois teriam trazido a doença que não era registrada há mais de 100 anos.

A manifestação foi brutalmente reprimida pelos soldados da o­nU que atiraram gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes. Mas a população não se rendeu e revidou com pedras formando barricadas nas ruas de Porto Príncipe. Em determinado momento da manifestação os soldados passaram a utilizar de armas de fogo contra a população rebelada. Durante o confronto um manifestante foi assassinado a tiros por um soldado. E outro jovem, posteriormente também foi encontrado morto. Na manifestação os haitianos incendiaram uma delegacia e também abriram fogo contra os soldados da o­nU.

Estes protestos eram generalizados e aconteciam em várias cidades do País, como por exemplo, no subúrbio da cidade de Cap Haitien que é considerado o maior de todo o Haiti. O protesto exigia a retirada imediata das tropas da o­nU da ilha caribenha.

Este acontecimento é uma demonstração de que as condições subumanas nas quais a população haitiana está sendo colocada vão provocar um levante popular no País contra a invasão imperialista.

17 de novembro – quarta-feira- A luta contra Rodas e a privatização da USP pelo PSDB

Na quarta-feira, dia 17, cerca de 400 estudantes da USP realizaram uma assembléia geral para discutir uma política para impedir a expulsão de 20 estudantes da universidade.

A assembléia foi realizada no prédio da História, na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e teve como único ponto de pauta a perseguição política e os processos de expulsão que a direção da universidade está impondo contra 20 estudantes que participaram de mobilizações este ano e em anos anteriores.

A discussão na assembléia aprovou a necessidade de realizar imediatamente uma ampla campanha que denuncie por toda a USP e também para a população o que está acontecendo.

Entre as medidas aprovadas está a realização de um acampamento em frente a reitoria entre os dias 23 e 30 de novembro. Nos dias 23 e 30 deste mês também serão realizados atos em frente à reitoria para impedir que depoimentos sejam realizados com os estudantes que estão ameaçados de expulsão. Os estudantes exigem a retirada de todos os processos a estudantes, funcionários e professores e a revogação do decreto da ditadura militar, 52.906, de 27 de março de 1972 que está sendo utilizado como base para punir estes estudantes. Um comitê permanente de mobilização também foi aprovado na assembléia para organizar atividades, protestos e informar os estudantes sobre o andamento dos processos.

A perseguição de Rodas contra estes estudantes que participam ativamente do movimento estudantil da universidade é parte integrante do plano de privatização da USP que está sendo implementado pelo reitor-interventor que tem o interesse em entregar a universidade para os capitalistas.

18 de novembro – quinta-feira – Preso por denunciar, mas acusado de estupro

Na quinta-feira, Julian Assange, fundador do portal WikiLeaks, que denunciou nos últimos anos toda a farsa das invasões imperialistas no Oriente Médio, em particular no Iraque e no Afeganistão, foi condenado pelo governo sueco por estupro.

O mandato de prisão foi requerido por uma promotora sueca que desenterrou uma acusação de estupro contra Assange. Este caso havia sido arquivado no final do mês de outubro por ser considerada uma acusação sem nenhum fundamento. A acusação é de assédio sexual e estupro.

No pedido de prisão a promotora sueca declarou, «Solicito à Corte Distrital de Estocolmo que prenda o senhor Assange (…), suspeito de estupro, assédio sexual e coerção ilegal».

É evidente que esta acusação e o mandato de prisão contra Assange é exclusivamente contra o portal e as centenas de milhares de documentos confidenciais do exército norte-americano que o Wikileaks publicou revelando a verdadeira face genocida da guerra imperialista no Afeganistão e no Iraque. O imperialismo está utilizando de uma política de calúnia contra Assange para prendê-lo e impedir que sigam as denúncias. No mês passado foram divulgados nada menos que 400.000 relatórios sobre incidentes, no Iraque comprovando que existe uma política deliberada de extermínio dos civis iraquianos pelas tropas imperialistas. Julian Assange continua foragido.

19 de novembro – sexta-feira&nbsp – Efeito Irlanda

Com a crise do setor imobiliário irlandês, os demais países europeus da zona do euro deram sinais de um agravamento da crise econômica.

Na sexta-feira, o Banco Central Europeu, por meio de José Manuel González-Páramo, membro do Comitê Executivo do Banco Central Europeu (BCE), fez uma “recomendação” para o governo espanhol, adotar novas medidas de contenção de gastos.

A justificativa é o “contágio” com a crise irlandesa. É um aprofundamento do plano de austeridade já em aplicação na Espanha. Para o BCE, devem ser feitos novos cortes nas áreas de previdência, saúde etc.

O BCE também disse ser necessário um «maior dinamismo do mercado de trabalho», isto significa, reformulação de leis trabalhistas, cortes de benefícios e demissões.

Este anúncio veio um dia depois que a Grécia também declarou que vai realizar novos cortes nos gastos públicos como o objetivo de reduzir seu déficit público atual dos 9,4% para 7,4% no próximo ano.

Esta redução é uma exigência da União Européia e do Fundo Monetário Internacional para que a Grécia possa continuar usufruindo do empréstimo de 110 bilhões de euros realizado em maio deste ano.&nbsp

Estes cortes públicos na Espanha e na Grécia devem provocar novas manifestações populares e aumentar a crise política nestes países e nos demais países europeus.

A crise irlandesa coloca uma enorme pressão sobre o euro e pode levar a uma nova etapa do aprofundamento da crise capitalista.

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