Haiti:Ocupação e Violência das tropas da ONU

Não bastassem as condições precárias nas quais vivem milhões de haitianos após o terremoto de janeiro passado, agora a população também enfrenta uma epidemia de cólera, que até agora já são mais de 442 mortes e 6.742 contaminados pela doença. Inicialmente detectada ao redor do rio Artibonite, no norte do Haiti, a epidemia se espalha rapidamente. Os hospitais da região estão abarrotados de infectados. O temor maior é que a doença chegue à capital Porto Príncipe, o­nde a precariedade em que vivem 1,3 milhão de desabrigados, pode potencializar a propagação do cólera e causar uma verdadeira tragédia no país.
Cinco casos já foram registrados na capital, mas o governo afirma que se tratam de casos “importados” das regiões afetadas. Médicos informaram ao jornal El Pais, porém, que já foram detectados casos em bairros populares de Porto Príncipe.
Mais um tragédia anunciada
A epidemia de cólera mostra de forma dramática a situação na qual vivem os haitianos após o terremoto. Pouco ou nada foi reconstruído, e grande parte da população ainda vive sobre os escombros e nos acampamentos improvisados. Segundo a OMS, trata-se da primeira vez em um século que o Haiti sofre uma epidemia de cólera. Desde o terremoto havia o temor que uma epidemia atingisse o país, porém, nada foi feito.

O mandato das tropas da Minustah no país foi renovado pela o­nU em 14 de outubro e, segundo o texto aprovado pelas Nações Unidas, a prioridade para os soldados seria “garantir a segurança” das eleições no país em novembro.

Furacão Tomas

A violência das tropas da o­nU

Antes mesmo do furacão Tomas chegar ao Haiti, o caos já havia tomado conta do país. Os moradores, com medo dos estragos e da intensidade do furacão, entraram em desespero na noite desta quinta-feira. Com chuvas e ventos fortes, a maioria das pessoas não tinha nenhum lugar para ir, ou mesmo resistiam em sair de suas barracas com medo de perde-las para outros ocupantes.

Confusão, raiva e ansiedade despertaram os haitianos que começaram a se revoltar em meio a situação. Soldados da o­nU entraram em ação e arrancaram os moradores para fora de seus barracos à força. Os acampados ficaram desesperados e perguntavam o que iria acontecer com seus poucos pertences que ficavam, ou pediam informações mínimas para o­nde eles iriam. Alguns gritavam que os soldados queriam tirar os haitianos das tendas para dar para outras pessoas como no caso de um do acampados, Jonathas Metelus, que disse: «nós sentimos que eles querem nos levar para que possam colocar outras pessoas aqui» (New York Times, 5/11/2010)

Os moradores desconfiados das tropas e de algumas entidades resistiam em aceitar ajuda, muitos se recusaram preferindo ficar o­nde estavam. A experiência com as tropas da o­nU fez com que os haitianos não confiassem mais na ajuda dos soldados, já que são eles os maiores repressores no país.

Segundo meteorologistas, o furacão Tomas se aproxima cada vez mais, e as medidas de salvamento estão sendo tomadas em cima da hora, sendo que tempestades e furacões na região são constantes nessa época e previsíveis. A ajuda aos haitianos deveria ter sido antecipada meses antes. Agora, no meio da tempestade, com a selvageria das tropas tudo parece uma armação para esvaziar os acampamentos, segundo os seus moradores.A falta de estrutura para abrigar os haitianos mostra que o governo do país, o imperialismo e as forças da o­nU estão montando um plano para eliminar ainda mais sobreviventes do terremoto. O presidente René Préval deixou claro qual era a política com os desabrigados «Vocês tem que ajudar a si mesmo.» (idem)

Outro medo do furacão e das chuvas que já estão ocorrendo no Haiti é que a cólera se espalhe ainda mais, por conta das condições adversas.Até agora já são mais de 442 mortes e 6.742 contaminados pela doença. E a tendência é piorar ainda mais, no sábado, dia 30, morreram 105, um salto de 40% nos casos de cólera.O surto de cólera no país também não foi explicado convicentemente até agora. Há mais de 50 anos que a doença tinha sido erradicada do país, fato que levou muitos a desconfiarem de que a doença tenha sido espalhada propositalmente .

Todas essas catástrofes, em conjunto, estão dizimando a população, e os países ricos que exploraram o Haiti não deram o mínimo de ajuda para que pelo menos os moradores tivessem um local descente para se abrigar quase um ano após o terremoto

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