Guiné-Bissau – Jogos sem fronteiras

Embora os analistas se interessem mais pelos en­redos internos dos acontecimentos recentes na Guiné-Bissau, estes têm muito mais a ver do que se possa pen­sar com factores internacionais. Multinacionais liga­das ao petróleo, fosfatos, bauxite e narcotráfico influenciam e tentam controlar o poder político do país, através de facções locais ao serviço de lóbis com origem no Bra­sil, Angola, China e Senegal.

Os militares não escapam a este jogo e são intrumen­talizados para impor pela força este ou aquele interesse:­ a mineração e a iminente extracção de petróleo offshore representam uma ameaça para a estabilidade de um go­verno já de si muito fraco e totalmente dependente da aju­da externa.

As ligações são fáceis de estabelecer, o sim­ples enun­ciado dos factos fala por si: há três meses morreu em con­­dições obscuras Lansana Conté, aliado de Nino Vieira e presidente da Guiné-Conacri, onde também foi desco­berto petróleo. A junta militar de Conacri entregou o po­der ao seu filho mais velho, associado ao narcotrá­fico latino-americano e a meios de Bissau. Em Dezem­bro, o governo guineense concedeu licenças para a pes­quisa de hidrocarbonetos em nove dos 14 blocos offshore exis­tentes no país. Uma semana depois do duplo assassinato de Nino e Tagmé Na Waie, o presidente Gad­hafi da Lí­bia, produtora de petróleo, visitou Bissau. Em Abril, o governo bissau-guineense e o Brasil assina­ram um me­morando de entendimento para a prospec­ção e ex­ploração de recursos energéticos. Angola, muito ligada à facção Nino, já suplantara a concorrência na adjudica­ção da exploração de bauxite, mas lamenta ago­ra ter per­dido a corrida ao petróleo, em que seria intermediária da China, disposta a pagar qualquer preço por ele. E este enredo não termina aqui, há que esperar pela conti­nuação.

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