Greve geral, sim

Os resgates e as ajudas ditas suficientes para debelar as crises da Grécia e Portugal produziram o efeito contrário ao anunciado e mostraram-se incapazes de travar o alastramento da crise à Itália, Espanha, França e Alemanha. Tudo está a acontecer às avessas do que nos prometeram.

Surgem todos os dias números e estatísticas que dão razão aos que, como nós, desde a primeira hora dizem que tais medidas só produzem o aumento do desemprego e da miséria, a degradação das condições de vida dos trabalhadores e das classes médias, a recessão económica e as falências, o aumento da repressão e o cerceamento das liberdades, ao diktat alemão, traduzido na nomeação de governos não eleitos e de funcionários e “comissões” para gerir as finanças e as economias “incumpridoras” à sombra dos pseudogovernos nacionais e da redução da democracia burguesa a uma caricatura.

Por isso os trabalhadores portugueses e europeus não têm de se haver só com partidos ou opções políticas, mas com a linha geral do grande capital europeu. Na guerra que este trava com o seu rival americano e com as chamadas economias emergentes, é do seu interesse privatizar tudo o que dê lucro, desmantelar os serviços sociais, despedir, generalizar a precariedade, baixar os salários, flexibilizar, recorrer ao trabalho escravo dos imigrantes e dos desempregados, reforçar a vigilância e o controlo policial e a alienação das massas.

Nunca como agora o “interesse nacional” se confundiu tanto com o interesse do grande capital europeu. Nunca os partidos se assemelharam tanto entre si e as suas alternativas políticas se reduziram a uma única – a aceitação dos ditames do FMI e da dupla Merkl/Sarkozy. Por isso a alternativa ao actual estado de coisas não passa pelo PS nem pela derrota de Sarkozy nas próximas eleições.

A 22 de Março vai realizar-se nova greve geral, plenamente justificada e merecedora de todo o apoio. Sabemos que por si só não derrubará o governo, não correrá com a troika nem alterará a relação de forças entre o trabalho e o capital, assim como sabemos que as cúpulas sindicais tudo farão para impedir a sua radicalização.

Por seu lado, a burguesia dominante está convicta de que pode ganhar esta guerra, dada a desmoralização e a confusão a que chegou a resistência operária. Mas o alastramento do desemprego e da miséria, a catadupa de escândalos, roubos e abusos que todos os dias vêm a público, a insolência e arrogância dos ricos aumentam o descrédito dos debaixo em relação aos de cima. A greve geral pode ser um passo importante na corporização deste sentimento. Basta que seja capaz de ganhar voz própria, autónoma, e de demonstrar nos locais de trabalho e nas ruas o repúdio dos trabalhadores pela política de esbulho e repressão em que o país vem sendo arrastado. Fazer da greve geral um êxito é o que mais importa.

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