Entrevistamos a Iago Barros, membro da Direcçom Nacional da entidade estudantil independentista galega AGIR

Colóca-se no olho do furacam o sistema educativo público, retomando a velha discussom sobre a potencial perigosidade da juventude e pôm-se acima da mesa a necessidade de impulsar leis que convirtam ao professorado em autoridade pública. Depois de criado o falso debate, aproveitam para vitorear a “viabilidade” do Pacto Educativo entre o governo espanhol e o PP, icones na defesa desse “modelo único e comúm vertebrador para toda Espanha” evidenciando simplesmente que as diferenças ideológicas na sua aposta pola privatizaçom do ensino convertido no melhor dos métodos alienantes som, coma sempre, nulas.

BRIGA entrevista ao membro da Direcçom Nacional de AGIR, Iago Barros, para achegar a lúcida análise que a organizaçom estudantil da esquerda independentista fai a este respeito.

P. A presidenta da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, anunciou recentemente a sua intençom de dotar ao Governo autonómico de Madrid de umha lei para conferir aos professores autoridade pública. Que análise fai AGIR sobre esta ameaça?

R. Na Galiza, a repercusom destas medidas é factível por mor do governo -gémeo do madrileno- ultraliberal e espanholista que padecemos, e pola implicaçom mediática na campanha de alarmismo. Porém, esta proposta só se pode concretar numha lei orgánica que afectaria todo o Estado.

AGIR assume que trabalhar diariamente nas aulas, a través de assembleias de estudantes, é a única forma de frear estas arroutadas criminalistas. A autoorganizaçom permite-nos defender sempre o estudantado perante ameaças concretas. Doutro jeito, ficariamos pasmados perante um novo recorte de direitos.

Genericamente, entendemos que o objectivo destas leis é o meramente repressivo. Isso é um indicador do estado actual de temor que padecem as classes dominantes sobre a juventude. Como já vimos noutros Estados europeus, e noutras conjunturas no nosso País, a mocidade tem um potencial combativo enorme quando o capitalismo nom tem nengum horizonte que oferecer-nos.

P. Essas declaraçons fôrom automáticamente aplaudidas polos mídia e os sectores sociais mais involucionistas. Como valoriza AGIR o papel dos meios de comunicaçom no fictício debate sobre o ensino que tem lugar na actualidade no estado espanhol?

R. Mais umha vez, e em plena segregaçom universitária pola divissom em graus e posgraus do Processo de Bolonha; em plena algidez da incompetência governativa para dotar a escola pública de serviços elementais; em plena crise capitalista que impom desemprego, sinistralidade e desigualdade no futuro laboral das jovens… o problema acabou por ser umha noite de incidentes numha vila madrilena. A cortina de fumo dos meios burgueses é enorme, e tem umha raiz política evidente. Os interesses dos proprietários dos grandes empórios informativos som os da classe dominante, e passam por manter enfrentadas as classes populares.

Na realidade, nem há debate nem há vontade educativa por trás destes circos mediáticos. Há apenas mais umha cunca da receita burguesa: paus para educar a gente nova e circo para que nom pensemos muito e a sério em que nos devolvam o roubado.

P. Já na Galiza, pensades que o actual governo de Feijoó poderia fazer a mesma aposta?

R. Isso afirmárom eles. Em qualquer caso, estas decisons competem ao Estado, e os governinhos autonómicos todo o mais podem botar lenha ao lume para despistar. Suficiente temos com colégios que parecem verdadeiros presídios com vigiláncia privada incluida, ou a policializaçom do espaço escolar com normativas que pretendem converter todo em problemas de orde pública, quando a raíz dos mesmos é a incompetência do sistema para educar em valores de integraçom e garantias sociais para todos e todas.

P. Que diferenças detectades no que ao ensino di respeito entre o período anterior e agora que o PP volta a governar com maioria absoluta?

R. Existe umha diferença notável: o PP tem feito do antigaleguismo militante o referente da sua política em matéria educativa. Em acabar com o galego semelha ir-se todo o orçamento e os esforços da conselharia. Esta obsessom tem a esta gentalha aferrolhada numha só direcçom: a definitva substituiçom lingüística no nosso país. E nós aí estamos dispostos a dar batalha, por suposto.

No resto, a política educativa é calcada. Os partidos políticos do regimem som meros gestores. Nom há ideias para além da memorizaçom, dos valores rançosos e da cultura do individualismo. Da venda ao melhor postor, das despesas para convénios com a privada… da perseguiçom política… de acatar o que sigam Bruxelas e Madrid… Som todos iguais.

P. Estas novas medidas chegam num contexto de crise profunda do capitalismo. Como achades que influi isto nas receitas do governo espanhol e autonómico para o estudantado?

R. Os governos querem desentender-se da educaçom. Privatizá-la para oferecer algo de sobre-mesa ao grande capital agora que nom tem claro onde ir pescar. Os governos garantem-lhes um estudantado uniforme a cámbio de que se ocupem os bancos e as grandes empresas de vender com propaganda a toda cor novos planos de estudo… Enfim, nom esqueçamos que na Inglaterra a inspecçom educativa já há lustros que começou a ser privatizada.

O da universidade é extremamente evidente. Cada vez estám mais atadas aos bancos. Por algo será que o Estado se preocupou tanto em dar-lhes milhons de euros. Precisa do Banco Santander, BBVA, Banco Pastor ou CaixaGalicia como precisa de professorado. O modelo de universidade em expansom para mais e mais estudantes está em crise. Hoje já se consagrou o grau como um segundo bacharelato, generalista e subsidiário duns posgraus dirigidos a umha percentagem pequena da massa estudantil, com preços de mercado, poucas ajudas públicas e demasiados anos de dedicaçom sem remuneraçom.

Com o capitalismo em crise, a sua escola e a sua universidade, logicamente, também o estám.

P. Como organizaçom estudantil da esquerda independentista galega, qual é o modelo educativo que defendedes e qual deveria ser o papel do professorado?

R. Reconhecemos a eiva de apenas termos defendido em grandes linhas estratégicas o objectivo político que perseguimos. No dia a dia, o estudantado da esquerda independentista precisa dum fluxo militante real, que permanece passivo mas conscienciado, e que constitui a massa juvenil à qual nos dirigimos. Em particular, para podermos desenhar linhas de intervençom ambiciosas e tangíveis nos liceus de ensino meio.

Em qualquer caso, para nós o fundamental é criar assembleias que permitam que o modelo educativo tenha sentido para o estudantado, ou seja, que conheça o currículo educativo e poda inteirar-se dos seus objectivos, com o fim de poder criticá-lo e corrigi-lo para evitar a sua espanholizaçom, o machismo, a aprendizagem memorística, o excesso de conteúdos analisados superficialmente, a falta dumha História da Galiza, e a dependência da estrutura curricular das necessidades concretas em cada momento das classes dominantes.

Cremos que a educaçom pública joga um papel determinante na criaçom dos indivíduos como sujeitos da nossa sociedade, e o resultado actual é quando menos lamentável.

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