Entrevistamos a estudante represaliada em Compostela por integrar um piquete na greve do ensino

Falamos com Tatiana Maseda, estudante de Direito na Universidade de Compostela que sofreu a expulsom de um ato académico por ter participado num piquete na jornada de greve de 24 de outubro.

Foto 1: Tatiana Maseda, estudante de direito represaliada pola sua participaçom num piquete de greve.

Foto 2: Luís Míguez Macho, professor e decano da Faculdade de Direito que protagonizou a atuaçom repressiva contra a aluna.

O Diário Liberdade quijo conhecer em primeira mao um chamativo caso de repressom contra umha estudante, Tatiana Maseda, diretamente «acusada» polo decano da Faculdade de Direito da Universidade de Compostela, Luís Míguez Macho, de participar num piquete de estudantes na jornada de greve.

Tatiana, estudante de último ano de Direito, fai parte da entidade estudantil independentista AGIR, tendo aderido à greve convocada por toda a comunidade educativa galega para o passado 24 de outubro. O piquete em que ela participava, organizado polas três entidades estudantis convocantes (LEG, Comités e AGIR), apresentou-se na Faculdade de Direito no dia da greve, para evitar que se realizasse um ato académico protagonizado polo referido professor e decano, Luís Míguez Macho, que o tinha convocado para contrarrestar a greve num claro gesto de pressom contra os e as estudantes.

O ato de distribuiçom de vagas para as práticas de estudantes de Direito foi finalmente interrompido. Porém, o decano nom esqueceu o rosto de Tatiana e, na repetiçom do mesmo, a aluna foi increpada, ameaçada e expulsa por Míguez Macho.

Eis a conversa que mantivemos com a aluna represaliada por exercer a sua responsabilidade como estudante galega em defesa do ensino público e contra a elitizaçom, privatizaçom e espanholizaçom imposta pola LOMQE ou Lei Wert:

DL – Tatiana, em que consiste a «puniçom» que o decano che impujo?

Tatiana Maseda – Expulsou-me dum ato académico no qual se atribuem destinos para a realizaçom das práticas internas e externas, o chamado Practicum, que o alunado de Direito deve realizar no último ano do curso, no valor de 15 créditos obrigatórios. Além de reconhecer que o motivo da expulsom é a minha participaçom num piquete de greve, ameaçou-me diretamente com um expediente.

machomanDL – Um expediente? Por que motivo? És acusada de algumha açom ilegal?

Tatiana – Nom, a atuaçom do piquete foi totalmente proporcionada e limitou-se a reclamar que nom se realizassem atos como aquele numha jornada de greve, para assim permitir que o alunado pudesse participar na paralisaçom convocada. Foi o êxito da atuaçom do piquete o que pareceu alterar o decano, que foi quem tinha escolhido a data para esse ato. 

DL – Estamos, entom, diante de um caso de repressom por parte de um cargo institucional contra o direito de greve, nom é?

Tatiana – Exatamente. De facto, temos algumhas informaçons que vinculam esse senhor com outras atuaçons parecidas como integrante do setor mais reacionário do professorado, primeiro na Universidade de Vigo e agora na de Compostela.

O certo é que o suposto «expediente» com que me ameaçou nom tem nengumha base, mas já conseguiu que eu nom pudesse exercer o meu direito a escolher destino em funçom das normas oficiais marcadas para isso, ao expulsar-me do ato em que se realizou essa escolha. Isso pode mandar-me para o fim da lista, obrigando-me a viajar a muitos quilómetros diariamente durante um mês, com o que isso suporia de castigo económico.

DL – Qual foi a tua reaçom?

Tatiana – Bom, eu metim queixas formais no Valedor da/do Estudante e no registo da Vice-Reitoria. Também falei com a secretária geral do Vice-reitor, reclamando umha rápida atuaçom que evite a arbitrária atuaçom de Míguez Macho.

DL – E a dos teus companheiros e companheiras?

Tatiana – Devo agradecer a solidariedade tanto de companheiras e companheiros de Direito, como das assembleias do Cámpus Norte, da Ocupaçom de Filologia e da Assembleia de Educaçom e Psicologia. Além disso, agradeço o apoio dos Comités e da Liga Estudantil Galega, assim como da minha organizaçom, AGIR. Também chegou apoio de organizaçons como NÓS-UP, Briga e entidades de estudantes doutros povos, nomeadamente Països Cataláns, Aragom e Euskal Herria.

DL – Também foi convocada umha concentraçom solidária, nom foi?

Tatiana – Foi, sim. Nesta terça-feira às 12 horas haverá umha concentraçom às portas da Faculdade de Direito, junto à Biblioteca Concepción Arenal. É importante respondermos como alunas e alunos conscientes às agressons contra os nossos direitos fundamentais.

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