Entrevista com Enric Duran traduzida para galego-português

Com motivo da publicação do novo número do jornal “Podem” (disponível&nbsp aqui) continuação do jornal CRISI, de onde o “Robin Hood” catalão, Enric Duran reivindicou a sua já famosa acção de estafa ao sistema bancário a qual define como um acto de “desobediência civil” disponibilizamos para o galego uma entrevista concedida polo activista social no mês de Fevereiro ao jornal de contra informação&nbsp Diagonal.&nbsp &nbsp &nbsp
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Que objectivos planeaste ao “roubar” aos bancos?

Ao começo marquei como objectivos denunciar o sistema financeiro&nbsp e financiar alternativas, em concreto projectos estratégicos para fortalecer os movimentos sociais. A medida que a acção foi colhendo forma, também era transcendental a sua visibilidade. Mostrar à gente que podemos ser quem de mudar as cousas, se realmente o pensamos e nos comprometemos com o objectivo.

Que repercussões legais te poderia causar esta dívida?

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Até seis anos de cárcere por delito de estafa, pode que algo mais de se juntar com insolvência punível. Isto já o sabia e assumi-no desde o primeiro dia que decidi iniciar esta acção. Se não o fizera pública é possível que não chegasse a ter denúncias penais, mas dous dos três objectivos comentados dependiam disso. Para controlar esse risco, estou em paradeiro desconhecido, quando veja que se dão as condições para começar um juízo não descarto aparecer publicamente.

Durante quanto tempo e como preparaste esta operação?

Há algum tempo explicaram-me&nbsp que as contas empresa não são comprováveis polos bancos se as empresas são reais. Há três anos recuperei essa ideia depois de conhecer a crise energética, que fazia prever que se contagiaria ao sistema económico que precisa de um crescimento exponencial, polo qual era de prever que entraria antes ou depois. Isto fizo-me pensar que dos movimentos sociais havia que fazer um esforço especial para estar aí quando o momento chegara, com capacidade de incidência e com propostas reais de alternativas de sociedade. Evidentemente outras pessoas tinham colaborado em acções como o jornal&nbsp Crisi, mas a insubmissão financeira tão só me atinge a mim.

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Que inconvenientes topaste à hora de conceber a acção?

A soidade foi uma delas, isso dificulta o acesso às emprestas dos bancos, já sejam pessoais ou de empresa. Também, o estar palpando um terreno do que não tinha referentes, nem a quem fazer questões acerca das dúvidas. Isso a nível da acção estritamente bancária, porque em relação às acções dos movimentos sociais, tenho-me sentido mui encorajado e muita gente deu-me força sem ter toda a informação.

Que repercussões pode ter isto para os movimentos sociais?

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Polo momento, ainda que seja a nível de Catalunha, as respostas já se dão através do debate sobre a mudança social, os bancos… Muita gente transmitiu-me que esta acção lhe tinha feito sentir-se mais esperançada com as possibilidades dos movimentos. Espero que esta acção que sejamos quem de seguir tirando proveito face ao futuro para questionar a legitimidade do sistema económico actual e estender as suas alternativas.

Escolheste a banca como principal objectivo. Explica-nos o porquê.

São o principal meio do que controlam as famílias mais poderosas do mundo para controlar o sistema actual. Quem controla o dinheiro não precisa de leis. Os seus métodos som mui desconhecidos e é preciso sair da ignorância para transformar a realidade. Só saindo do crescimento perpétuo podemos ter um futuro como sociedade integrada no meio.

O papel dos meios…
Os grandes meios de comunicação também saem mal parados na tua denúncia. Qual foi a resposta mediática?
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O efeito surpresa e a simpatia que a acção recebeu de muitos jornalistas tem sido chave para romper o filtro mediático. Especialmente na rede, rádios e imprensa, assim como alguns programas de televisão. Mas o filtro conservam-no nos informativos de televisão, que é o espaço mais controlado politicamente. Percebe-se que a aparição mediática tem sido muito melhor nos meios catalães que nos estatais, com honrosas excepções. É normal, aliás de que a acção esteja feita ali, a gente tende a ter uma opinião mais favorável a estas cousas que noutros pontos do estado.
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Para fechar o triângulo de poder encontra-se o sistema politico….
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Em&nbsp Crisi&nbsp também explicamos como os partidos dependem financeiramente dos bancos, quem lhes perdoam os créditos quando se portam bem. Exactamente isto encerra o círculo e mostra como o poder financeiro domina as nossas sociedades “modernas” que são uma caricatura do que seria uma democracia.
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Fazes referência na publicação à “crise sistémica”, poderias explicar melhor este conceito?
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O sistema está numa encruzilhada porque nos últimos 300 anos assentou-se no crescimento exponencial para sobreviver. Havia crise e recessões, mas sempre num contexto que permitia voltar à senda crescente ao pouco tempo. Isto agora rematou, temos chegado aos limites do planeta em quanto a energia disponível, e estamos cerca do limite de muitos outros recursos. No futuro a economia não poderá assentar-se mais no crescimento exponencial, por isso dizemos que estamos ante uma crise sistémica.

“Os usuários não pagaram”
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Uma das criticas que recebeste é que o dinheiro será reembolsado polo resto de clientes dos bancos … é certo isto?
Não o é. A gente que tem depósitos contratados vai-nos cobrar, a gente que pida empréstimos tem as mesmas possibilidades de tê-los que se não tivesse acontecido nenhuma acção, já que os bancos precisam de prestar para sobreviver. Conceptualmente, este dinheiro desaparece, ao não pagar-se essa dívida; posto que o dinheiro tam só existe quando existe a dívida. Como os bancos incrementam seus ingressos é especulando com esse dinheiro fictício, então estão na obriga de responder respeito do buraco ante o Banco de Espanha, isso vam ter que tirá-lo da conta dos seus benefícios. Por tanto se alguém com cara e nome vai ter que responder de todo serão os seus próprios investidores, e não os clientes.
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