Em Portugal, não há corrupção…

A Procuradora-Geral  Adjunta e Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, interveio na Universidade de Verão do PSD afirmando que “o nosso país não é um país de corruptos”, que “os políticos e dirigentes não são corruptos”, e “a corrupção é residual”, insurgindo-se contra a ideia instalada, fomentada pelo sensacionalismo da comunicação social, de haver corrupção.

Estas são afirmações tanto mais surpreendentes quando vindas de quem tem grandes responsabilidades no combate à corrupção e não se espanta com a inoperância da justiça, os processos que se arrastam até prescreverem apesar da imprensa, rádio e televisão denunciarem casos atrás de casos, mencionados os nomes em muitos deles. Podia-mos falar do Isaltino, do Dias Loureiro, do Duarte Lima, do BPN, do negócio dos Pandur, da Bragaparques, do Freeport … ou do caso dos submarinos comprados por Paulo Portas, em que os tribunais alemães julgaram e condenaram os negociadores alemãs que, agindo a mando da Ferrostaal, corromperam os colegas portugueses com generosos milhões de euros, e em Portugal não se consegue descobrir qualquer corrompido!

Como a senhora está convicta que em Portugal não há corruptos, certamente achará normal não haver notícia nem memória de qualquer “colarinho branco” condenado e preso. Mais difícil é perceber as razões porque não quer tomar conhecimento daquilo que todos sabemos – que os “engenheiros financeiros” e demais trafulhas e corruptos estão bem protegidos por advogados pagos a peso de ouro. Por exemplo, Isaltino Morais, sucessivamente consegue fugir ao cumprimento de pena, que vai sendo reduzida por alguns crimes prescreverem, com os tais recursos; o Domingos Nóvoa, da Braga Parques, julgado por corrupção, que consegue não só que os tribunais julguem e condenem quem ele pretendeu corromper, por o ter denunciado, como uma pena mais pesada que a sua.

O Bastonário da Ordem dos Advogados Marinho Pinto e Paulo Morais (ex-vereador da CM do Porto com basta obra de investigação sobre a corrupção em Portugal) classificaram a Assembleia da República como uma casa de corrupção e interesses onde pontificam os “escritório de advogados”; o Fórum Económico Mundial coloca Portugal em 34º lugar na lista dos países mais corruptos do mundo. Em tempo, Saldanha Sanches, foi claro nesta matéria: “Caso Portugal não tivesse tanta fraude e corrupção teríamos um nível de vida semelhante ao da Finlândia”.
Pois é, o problema é que a ser assim, 1% dos depositantes bancários não seriam detentores de 40% dos depósitos, nem o rendimento dos 20% mais ricos seria 5, 7 vezes maior que os 20% mais pobres, segundo dados do INE relativos a 2010.
Sem corrupção o regime português não sobreviveria. Assente num capitalismo atrasado e parasitário, entraria em colapso se, em nome da moral e da transparência, começasse a levantar entraves ao livre jogo dos subornos, tráfico de influências e lavagem de dinheiro. É a corrupção que dá vida à economia portuguesa fazendo fluir os negócios e o dinheiro. A corrupção é a forma encontrada pelo grande capital nacional para contornar as leis tacanhas e o “peso do Estado” que abafam a livre iniciativa dos empreendedores. Daí a cegueira de Cândida Almeida e da justiça portuguesa.

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