Publicado en: 9 octubre, 2015

Cuba: “A revolução se faz pelas massas e para as massas”

Por José Reinaldo Carvalho

A intervenção do dirigente cubano companheiro José Ramón Machado Ventura foi feita no ato comemorativo do 50º aniversário da criação do Comitê Central do Partido Comunista e da fundação do jornal Granma.

A repercussão de um discurso comunista

Alcançou ampla repercussão nas redes sociais o discurso do companheiro José Ramón Machado Ventura, segundo secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, publicado com exclusividade em português pelo Blog da Resistência e em seguida reproduzido pelo Portal Vermelho. A intervenção do dirigente cubano foi feita no ato comemorativo do 50º aniversário da criação do Comitê Central do Partido Comunista e da fundação do jornal Granma.

Certamente, o eco da palavra do dirigente cubano entre os leitores de dois veículos na rede de internet ligados ao Partido Comunista do Brasil – o Portal Vermelho é o porta-voz do partido e o Blog da Resistência agasalha e difunde os conteúdos produzidos pela Secretaria de Política e Relações Internacionais – se deve ao fato de que enaltece três valores que são caros também aos comunistas e revolucionários brasileiros: o caráter de vanguarda do partido comunista, a ligação com as massas e a unidade.

Machado Ventura descreve um processo histórico que “marcou uma nova etapa no desenvolvimento do partido marxista-leninista cubano”. O resgate é importante, numa época em que, a partir de modelos fracassados da social-democracia europeia das primeiras décadas do século 20, e do eurocomunismo de matriz italiana dos decênios de 1960 e 1970, pretende-se construir hoje partidos de esquerda “desideologizados”, considerando ultrapassado o marxismo-leninismo.

“O Partido não se deteve, mas através dos anos enriqueceu seu arsenal ideológico como organização, demostrando que não se pode levar adiante uma revolução sem uma forte e disciplinada organização política; que a seriedade de um partido revolucionário se mede pela atitude que assume ante seus próprios erros; que o Partido não é prebenda mas sacrifício; que o Partido é o melhor fruto da Revolução. (…) Este é um Partido de vanguarda, que demanda de cada um de seus militantes pensar com a própria cabeça e expressar-se livremente no seio dos órgãos partidários e atuar unidos; que educa e aprende em seu permanente contato com o povo trabalhador; que tem como estilo de trabalho conhecer em todo momento as dificuldades, os critérios e as propostas das massas; que educou várias gerações de cubanos; que conduziu com firmeza e inteligência a resistência do povo; que tem por ideologia os ensinamentos de Marx, Engels e Lênin, a doutrina martiana e as ideias criadoras e o exemplo de Fidel e de Raúl”, afirma Machado Ventura.

É pertinente a passagem do discurso em que de maneira aguda aborda a qualidade das fileiras comunistas. “Também se transformou em pauta da construção partidária o que se referia à qualidade humana e revolucionária que devem ter aqueles que aspiram a ser membros do Partido”, afirmou. “Temos que estabelecer verdadeiros requisitos para pertencer ao núcleo e, antes de mais nada, ser trabalhadores exemplares” (…) “selecionar pelos organismos correspondentes do Partido os que têm méritos suficientes para ser militantes”.

Machado Ventura recorre várias vezes à sabedoria do comandante histórico da Revolução Cubana. Em uma das citações, lembra o que apontava Fidel sobre a ideologia partidária: “Este Partido nasceu de dois fatores essenciais, fundamentais, inestimáveis: a união de todos os revolucionários, e uma doutrina científica, uma filosofia político-revolucionária: o marxismo-leninismo. […] E por essas duas coisas teremos que velar sempre: pela unidade e pela doutrina, porque são nossos pilares fundamentais”.

O tema da ligação dos comunistas com as massas é tratado com outra lapidar citação de Fidel: “A revolução se faz pelas massas e para as massas. Essa é a razão de existir do Partido, e todo o seu prestigio, toda a sua autoridade estará em relação com a ligação real que tenha com a massa. Esse Partido não terá autoridade perante a massa por ser Partido, mas será Partido pela autoridade e o prestígio que tenha perante as massas. Se não tem conexão com as massas, nem prestígio e autoridade perante as massas, não é Partido; torna-se uma organização raquítica, pobre, e será cada vez menos Partido, porque sua razão de ser estava em sua vinculação com as massas”.

Trata-se de um conceito atualíssimo, este da ligação indissolúvel com as massas, quando no ciclo político que vive atualmente a América Latina, com a emergência de partidos revolucionários ao vértice do poder político, atribui-se aos aparatos da institucionalidade estatal a primazia na acumulação de forças, o que inevitavelmente conduz à acomodação burocrática e ao reducionismo tático.

O texto comemorativo do 50º aniversário do Partido cubano é perpassado, como já indicamos, pela noção da unidade entre os revolucionários.

No Brasil, em outro contexto histórico e em conjuntura política peculiar e diversa, a unidade é indispensável não só como atributo dos comunistas. Na etapa que atravessamos da luta política e social, os caminhos da luta pela emancipação nacional e social do povo brasileiro exigem a mais ampla e sólida unidade entre as forças progressistas.

É uma opção política e organizativa estratégica para enfrentar os grandes desafios do momento e apontar diretrizes programáticas a fim de abrir novos caminhos na luta pela democracia, a soberania nacional e o progresso social.

Esta unidade gradativamente toma corpo também na Frente Brasil Popular, integrada por partidos políticos, entre eles o PCdoB, movimentos sociais e personalidades progressistas e patrióticas.

 

José Reinaldo Carvalho– Jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais, diretor do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
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