Com que camisola joga a tua consciência?

Que os homens e mulheres que se dedicam ao desporto, de base ou de elite, sejam notícia por se posicionarem de umha maneira crítica com a iniciativa do governo nom é muito habitual.

O que acontece é que em política existem limites, e o crédito podese-che acabar quando o sem-sentido alcança uns níveis já insuportáveis.

A gente do desporto está indignada, nom há meios para treinar em condiçons decentes, se queres competir a determinados níveis tens que emigrar, em muitas disciplinas nom há clubes profissionais ou de elite galegos… e nom fai falta falar do que acontece com a maioria dos clubes de elite galegos das disciplinas com maior apoio mediático e maior seguimento de público (veja-se basquetebol, futebol…) quanto chupa o Xacobeo Blussens de ajuda institucional e quantos jogadores galegos tem? E os clubes de futebol… nom fai falta que recorde por onde acabárom muitas promessas do Celta e o Desportivo, ainda que no primeiro caso as vacas fracas obrigassem a confiar mais na canteira (nom há mal que por bem nom chegar…).

Em qualquer caso, digo, que o panorama é difícil e ingrato, que nom há vontade política para o mudar substancialmente e, vai a Junta, e coloca umha outra vaca no milho nomeando ao nadador madrileno David Meca embaixador do Jacobeu. O gajo meteu o dinheiro na saca, fijo um pequeno teatro no Ulha e marchou… além do número circense que nos ofereceu para justificar a cobrança dos seus onerosos honorários, ignoramos se o contrato assinado com a Junta dispom algumha outra condiçom, que tipo de promoçom do Jacobeu tem que fazer polo mundo adiante o senhor Meca.

Mas, além dessa questom sem aclarar, há um detalhe que fai muito evidente (e inevitável) a crítica. Nalgum momento alguém tinha que fazer a observaçom, claro. David Meca, com efeito, nom é galego. Nem se lhe conhece ligaçom algumha com Galiza. E é que isso de que no desporto sobram as bandeiras e sobra a política… chega um momento em que como apriorismo inquestionável que coroa qualquer debate em matéria desportiva, cai polo evidente da intencionalidade de certas decisons e polo impacto que tenhem. Foi inocente a decisom de presentear uns quantos miles de euros a David Meca em troca de ser embaixador do Jacobeu? Nom.

Nom foi inocente a decisom, com certeza. E muitos dos que berrárom quando soubérom da decisom, nom vam gostar deste artigo, nom vam gostar de que eu aproveite para dizer que os que pensam nas minhas coordenadas tenhem razom. Mas é que nom tenhem razom porque eu o proclame num artigo de opiniom;&nbsp tenhem razom porque som os acontecimentos que lhe-la dam. É indiferente de onde for David Meca? Nom. Como vai ser indiferente que, para patrocinar um evento que se supom que vai projectar Galiza ao exterior, contratem um atleta que nom é galego? E como se pode pretender que um desportista galego (de elite ou nom de elite) fique calado quando sabe que a este senhor lhe vam pagar 40.000&nbsp euros?

No espernejo colectivo do desporto galego eu nom sei se pesa mais o querer ter estado no lugar do David Meca ou o agravo comparativo entre a precariedade que atravessa o desporto na Galiza e a esplendidez com a que o Jacobeu trata o nadador espanhol. Será umha combinaçom do primeiro e do segundo. Nom o duvido. Ainda que o facto de que haja dinheiro polo meio, nom tem umha influência pequena.

Se o desporto é o reflexo de umha sociedade (que em certa medida é) que cadaquem tire as suas conclusons… aquelas pessoas que, como profissionais ou afeiçoados ao desporto, defendemos o direito deste povo a se ver representado nos eventos desportivos oficiais, temos direito a tirar as nossas e fazemo-lo, e manifestamo-lo, incomode a quem incomodar. Já sem entrar a julgar ao senhor Meca e a sua trajectória, com efeito está fora de lugar que para promocionar um evento que vai ter lugar aqui se recorra a alguém que nom é de aqui, polo menos haveria que explicar porque se toma essa decisom, ainda que é claro que a Junta nunca vai explicar o que, por outro lado, também nom obedece a mais critério que a santa vontade do senhor Varela e os seus adláteres, com a finalidade de presentear dinheiro público aos seus amiguinhos, que disso a direita galega sabe muito. Mas além do tam evidente fraude da “operaçom David Meca”, está a ideologia subjacente da decisom.

Queria eu um impossível: que a outrora “açouta” da política desportiva do governo anterior, o medalhista olímpico David Cal, que agora berra também muito, me respondesse aqui, ou em qualquer outro lugar, a isto que vou afirmar. Como ele nom o vai fazer, porque nem constáncia terá de que existe este artigo nem se importará muito com o que eu opine, valia-me com que os muitos que pensam como ele fossem capazes nem que fosse de discutir seriamente sobre este tema.

Em qualquer caso, aí vai a minha afirmaçom: esta nada inocente decisom política vem de um governo que nom vai ajudar ao desporto galego, porque nom acredita nele, porque nom acredita na capacidade dos nossos e das nossas desportistas para competir e para nos representarem com dignidade. Seguramente pensará o senhor Varela que o desporto galego (como a cultura galega) está muito bem, mas limita. E que prefere o desporto feito na Galiza (tal como lhe acontece com a cultura) é dizer, o desporto que praticam mercenários com a camisola de clubes “galegos”, cuja galeguidade se limita à questom geográfica, porque nem o “factor humano” é minimamente galego. No fim de contas, o desporto nom deixa de ser cultura, e se a cultura galega limita, pois conseqüentemente o desporto galego também. É mais, até será melhor, da sua óptica, que @s galeg@s demos o nosso coraçom ao Barça ou ao Madrid, como se fazia até há nom tantos anos.

Criar referentes próprios é perigoso para um governo que nom fijo nada de nada, no quase um ano que leva no poder, por defender a Galiza em nengum aspecto: nem o seu desporto, nem a sua cultura, nem a sua língua, nem os seus sectores produtivos, nem o seu património natural… absolutamente nada, todo fôrom agressons. E é que claro, para roubar e saquear à vontade este país, há que aprofundar bem no sentimento de inferioridade do povo galego. David Cal, Óscar Pereiro, Iván Ranha, Gomes Noia e outros, tenhem esse pouco elegante detalhe de serem de lugares tam pouco “cosmopolitas” a olhos do senhor Varela como Cangas, Porrinho, Ordes ou Ferrol… som “limitativamente” galegos… ou perigosamente galegos.

Entom, penso que o desporto galego vai ter que reflectir e debater muito sobre um gesto que na realidade define toda umha política desportiva. Ou provavelmente toda umha acçom de governo.

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