Cine-Brasil: New Queer Cinema

Por RBA

Mostra em São Paulo reúne cinema, sexualidade e política.De 28 de maio a 10 de junho, New Queer Cinema exibe 27 filmes independentes e promove debates sobre diversidade e sexualidade

No final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, incorformados com a falta de ações políticas dos governos diante da crise da Aids, jovens cineastas americanos e britânicos começaram a produzir filmes que valorizavam formas alternativas de sexualidade.

Assim nascia o New Queer Cinema, um movimento que desafiava a onda conservadora que havia se fortalecido após a propagação do vírus HIV. Queer é um termo proveniente do inglês usado para designar pessoas que não se identificam com as formas consideradas “usuais” de identidade e orientação sexual.

Os filmes mais emblemáticos deste grupo de cineastas compõem a Mostra New Queer Cinema, em cartaz de 28 de maio a 10 de junho na Caixa Cultural, em São Paulo. Ao todo serão exibidos 27 filmes independentes, entre eles 14 longas, quatro médias e nove curtas-metragens. A programação também inclui quatro filmes brasileiros lançados entre 2013 e 2014.

A pré-estreia da mostra, no dia 27 de maio, traz um bate-papo com os diretores brasileiros Marcelo Caetano e Breno Baptista, seguido da exibição de seus filmes Na Sua Companhia O Animal Sonhado, respectivamenteDurante o festival, também será lançado um livro-catálogo sobre o movimento e seus antecedentes cinematográficos, políticos e acadêmicos.

“O objetivo da mostra é reavaliar esse intervalo de 25 anos, a relevância e o impacto do New Queer Cinema e o que ele representa na sociedade contemporânea com novos debates e questões. Alguns filmes raros – especialmente curtas seminais da época – não tiveram sessões públicas no país. Não apenas celebraremos e discutiremos os filmes produzidos nos Estados Unidos e no Reino Unido entre as décadas de 1980 e 1990, com fatos específicos histórica e politicamente, mas, também, propomos pensar o que significa os poucos representados filmes queer brasileiros contemporâneos”, afirma Mateus Nagime, curador da mostra.

Garotos de Programa, de Gus Van Sant, Seams, de Karim Aïnouz, This is Not an AIDS Advertisement, de Isaac Julien, Tongues Untied, de Marlon Riggs, e The Living End, dirigido por Gregg Araki, são alguns dos destaques do festival. Entre os filmes nacionais estão Tatuagem, de Hilton Lacerda, Doce Amianto, de Guto Parente e Uirá dos Reis, e Batguano, de Tavinho Teixeira.

“Rever estes filmes é pensar como a questão das dissidências sexuais pode se colocar além das hetero e homonormatividades, ou seja, para além de padrões ‘aceitáveis’ de sexualidades e afetos tanto entre heterossexuais quanto homossexuais. Este é um momento particularmente especial em que a produção cinematográfica brasileira, por meio de uma nova geração, parece estar mais sensível a esta discussão”, declara o curador Denilson Lopes.

Além do bate-papo de abertura da mostra, estão previstas outros dois debates: “O New Queer Cinema no Brasil – Abordagens e Influências”, no dia 28 de maio, e “Filmes Gays e Queer: o Desafio de Programar e a Relação com o Público”, no dia 4 de junho. Participam dos bate-papos os cineastas Marcelo Caetano (Na Sua Companhia), Breno Baptista (Animal Sonhado), a diretora-adjunta do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, Beth Sá Freire, e o programador da Cinemateca Brasileira, Sérgio Silva.

A programação completa pode ser conferida no hotsite do evento. A mostra também será realizada no Rio de Janeiro, em Fortaleza, Curitiba e Salvador.

 

Foto:’Tatuagem’, de Hilton Lacerda, é um dos filmes da mostra

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