Cúpula Unasul- Barack Obama, onde esta Você?

Respeitamos o acordo, mas queremos nos resguardar», afirmou o presidente, que insistiu na necessidade de que os países da região possam «ter a segurança» de contar com instrumentos jurídicos que garantam que o acordo «é específico para o território colombiano».

«Não está (no acordo), mas também não é proibido, o que não é proibido é permitido, temos que ter cuidado com isso», afirmou. «Ter cuidado e tomar sopa não fazem mal a ninguém»

Lula disse que ainda aguarda uma resposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, à sua proposta de convocar uma reunião com os membros da Unasul para debater o tema.

Discussão com outros líderes

Lula destacou a importância de «provocar uma boa discussão com Obama para discutir qual é o papel dos EUA para a América Latina», mas admitiu que «é difícil que um presidente em começo de mandato tenha o controle de tudo».

O presidente, que se mostrou partidário de convocar o Conselho de Defesa Sul-americano para fazer um «estudo real» sobre a situação das fronteiras dos 12 membros da Unasul, admitiu que a soberania nacional «é algo sagrado», mas pediu que Uribe reflita.

«O que queremos é que quando o companheiro Uribe tenta mostrar que as bases (dos EUA) já existem na Colômbia desde 1952, eu queria dizer de maneira muito carinhosa, se as bases americanas estão na Colômbia desde 1952 e ainda não há soluções ao problema deveríamos pensar em outra coisa que pudéssemos fazer em conjunto para resolver os problemas», ressaltou.

Drogas e Amazônia

Lula admitiu que os traficantes de drogas utilizam as fronteiras dos países do Cone Sul, mas lembrou que «os grandes consumidores não estão» na região.

«Seria extremamente importante que o mundo rico, além de querer combater o narcotráfico em nossas fronteiras, o combatesse dentro das suas fronteiras», defendeu.

Ele também expressou preocupação com as consequências do acordo para áreas vulneráveis para a América do Sul, como a Amazônia. «Às vezes, me dá a impressão de que a Amazônia é dos países ricos e que eles querem decidir a política na Amazônia», denunciou.

Lula propôs a seus parceiros «construir um melhor padrão de relação» e disse que a única forma de evitar conflitos precipitados é conter as palavras.

«Cada um de nós deve chegar às portas destas reuniões com a decisão de se queremos construir um clima de paz ou um clima de guerra», afirmou.

Críticas do Presidente Hugo Chávez

Lula pediu «moderação» ao colega venezuelano Hugo Chávez, mas a sugestão não reduziu as diferenças em torno do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

Chávez citou parágrafos supostamente atribuídos a um documento das Forças Armadas americanas dizendo que os militares deveriam «ampliar a mobilidade» na América do Sul. Para Chávez, essa «mobilidade» na região poderia surgir a partir deste pacto entre Colômbia e Estados Unidos.

Uribe se defende

Pouco antes das palavras de Chávez, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, justificou o acordo dizendo que os Estados Unidos foram, há muito tempo, o único país que ajudou seu país «de forma prática». «Recebemos muita solidariedade de muitos lados, mas foram os EUA que nos ajudaram, na prática, contra o narcoterrorismo».

Uribe afirmou ainda que o novo pacto militar com Estados Unidos não «afetará terceiros países» e não «deixará que a Colômbia perca um milímetro de sua soberania».

Cúpula focada em acordo militar

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) realizou nesta sexta-feira uma reunião especial para discutir o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, motivo de divergência na região e responsável por impedir um pronunciamento conjunto na cúpula passada.

O acordo para que os EUA utilizem até sete bases colombianas foi recebido com respeito, mas também com preocupação por Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, foi apoiado pelo Peru e enfrenta oposição firme de Venezuela, Equador e Bolívia.

Esta foi a segunda reunião de chefes de Estado já feita em Bariloche, principal centro turístico de inverno na Argentina, 1.650 quilômetros ao sul de Buenos Aires, que já havia recebido a Cúpula Ibero-Americana de 1995.

A Unasul substituiu, em março de 2008, a Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), criada em 8 de dezembro de 2004 no Peru por todos os países da América do Sul.

Presidente Hugo Chávez: bases na Colômbia fazem parte de plano global de guerra dos EUA

O uso de bases militares na Colômbia está incluído em uma estratégia global de guerra idealizada pelos Estados Unidos, assegurou nesta sexta-feira o presidente venezuelano Hugo Chávez na Cúpula Sul-Americana, em Bariloche (sul da Argentina).

«A estratégia global de dominação dos Estados Unidos é a razão pela qual estão instalando essas bases na Colômbia», disse Chávez a seus colegas da União Sul-Americana de Nações (Unasul), convocada com urgência frente à escalada de acusações mútuas pelo acordo colombiano-americano.

Chávez exibiu cópias do chamado Livro Branco do Comando Aéreo dos EUA (Global En Route Strategy) que até pouco tempo podia ser consultado no site da Universidade da Força Aérea norte-americana (www.au.af.mil). Tal documento menciona a base colombiana de Palanquero (centro) como um dos objetivos para a mobilização de tropas.

«Palanquero é uma localidade de segurança de cooperação. A partir de lá, quase a metade do continente pode ser alcançado por um (avião de transporte militar pesado) C-17 e deverá ser suficiente para a estratégia de mobilidade aérea no continente sul-americano», disse, enquanto exibia o documento em suas mãos.

Chávez defendeu a proposta de seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de que a Cúpula deveria ter sido realizada na presença do norte-americano Barack Obama.

«Seria importante que Obama nos esclarecesse essas coisas», afirmou. «Seria interessante, também, conhecer o documento» do acordo EUA-Colômbia, acrescentou.

Para se diferenciar da Colômbia, em um discurso comedido, Chávez disse que «na Venezuela não há bases militares chinesas nem russas, nem a presença militar desses países», apesar de a Venezuela ter comprado armas de ambos.

Em uma ironia sobre o suposto objetivo norte-americano de se assentar militarmente na região, disse: «Menos mal que Lula tenha encontrado petróleo suficiente e continue conseguindo petróleo, para nós não estarmos sozinhos na mira do petróleo de que o império precisa para se manter».

«Saberão que aqui estamos falando de mobilidade para a guerra. Em Honduras, o presidente (Manuel) Zelaya foi sequestrado em um avião sob a mira de fuzis e esse avião aterrizou, antes de ir à Costa Rica, em uma base militar que os Estados Unidos têm muito perto de Tegucigalpa», acrescentou.

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