Brasil: Vânia Bambirra, Teoria da Dependência e a América Latina [Vídeo]

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Vânia faz parte do grupo que criou a Teoria da Dependência para explicar a realidade latino-americana.Graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre pela Universidade de Brasília e doutora em Economia pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), é mais conhecida na América de língua espanhola do que no próprio Brasil, onde tem apenas dois livros publicados.

45 anos da Teoria da Dependência

Teoria mostra como os países dependentes só conseguem crescer à medida que os mercados dominantes se expandem e se tornam autossustentáveis

Paulo Daniel

Poucos ou raríssimos economistas, sociólogos, politólogos, lembraram que a teoria da dependência já celebrou quatro décadas. Dentre os autores mais representativos dessa escola, destacaram-se o alemão André Gunder Frank e o ucraniano Paul Baran, e, entre os brasileiros, os principais formuladores estão Ruy Mauro Marini, falecido em 1997, Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra.

Em um artigo clássico, A estrutura da Dependência, publicado em 1970 na revista American Economic Review, Theotônio dos Santos conceitua a dependência como sendo uma situação na qual a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra economia à qual está subordinada.

A relação de interdependência entre duas ou mais economias, e entre estas e o comércio internacional, assume a forma de dependência quando alguns países (os dominantes) podem se expandir e serem autossustentáveis, enquanto outros (os dependentes) só podem fazê-lo como um reflexo daquela expansão, o que pode ter um efeito positivo ou negativo sobre seu desenvolvimento imediato.

A teoria da dependência parte metodologicamente da formação de uma economia mundial monopólica, hierarquizada e competitiva como uma dimensão indispensável da base material da acumulação de capital e ponto de partida para a compreensão dos distintos capitalismos nacionais. A economia mundial capitalista gera convergência e conflito de interesses entre as diversas frações de classe que nela exercem papel de direção. É constituída fundamentalmente pela relação entre as burguesias dos países centrais e periféricos e suas leis incidem de forma distinta sobre essas regiões, em razão do poder econômico diferenciado que possuem e das relações de competitividade e compromisso que estabelecem.

Embora vá centrar sua ênfase numa problemática regional e latino-americana a teoria da dependência antecipa a teoria do sistema mundial, ao destacar a existência de uma economia mundial em expansão como elemento central da acumulação de capital e situar o mundo como objeto de análise condicionante para qualquer investigação regional ou nacional.

Neste sentido, pode-se compreender algumas das formas históricas de dependência, como por exemplo, a dependência colonial, a exportação comercial in natura, na qual o capital comercial e financeiro, em associação com o Estado colonialista, dominava as relações econômicas dos europeus e das colônias, por meio de um monopólio comercial complementado pelo monopólio colonial da terra, das jazidas e da força de trabalho (servil ou escrava) nos países colonizados.

 A dependência financeiro-colonial, que se consolidou ao final do século XIX, caracterizada pela dominação do grande capital nos centros hegemônicos, e sua expansão no estrangeiro mediante o investimento na produção de matérias-primas e produtos agropecuários para consumo nos centros hegemônicos. Desenvolveu-se nos países dependentes uma estrutura produtiva dedicada à exportação de tais produtos, gerando aquilo que a CEPAL qualificou de “desenvolvimento voltado para fora”.

No período pós-guerra, consolidou-se um novo tipo de dependência, baseado em corporações multinacionais que começaram a investir em indústrias voltadas ao mercado interno dos países subdesenvolvidos. Cada uma dessas formas de dependência corresponde a uma situação que condicionou não apenas as relações internacionais desses países, mas também suas estruturas internas: a orientação da produção, as formas de acumulação de capital, a reprodução da economia e, simultaneamente, sua estrutura social e política.

Nos anos 90, em toda a América Latina e, particularmente no Brasil, ampliou-se a relação de dependência entre as economias periféricas e as ditas economias desenvolvidas, com a desnacionalização das economias, o alinhamento muito mais próximo com os EUA e a política macroeconômica a mercê dos instáveis humores do mercado financeiro internacional.

A eleição e reeleição de vários mandatários progressistas nos principais países latino-americanos, a partir dos anos 2000, vêm aflorando as mais variadas contradições e, ao mesmo tempo, tem desatado uma enorme reação conservadora. Talvez os ataques da direita latino-americana e internacional façam ruir nossas esperanças de mudanças pacíficas sem violência de ambos os lados, cuja confrontação está em processo de maturação e desenhará o panorama das lutas sociais para os próximos períodos.

Entretanto, o importante é a união das grandes maiorias e sua disposição de avançar firmemente para uma sociedade mais justa e humana. Oxalá a teoria da dependência venha a iluminar o nosso caminho…

Foto: Vânia Bambirra

 Vídeo:Vânia Bambirra: intelectual e militante

Iela ufsc

 

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