Brasil. Tragédia de Brumadinho (MG). 12º dia de resgates

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais recomeçou as buscas por vítimas da tragédia em Brumadinho (MG) após ter suspendido os trabalhos por cerca de cinco horas, durante a forte chuva que caiu sobre o município durante a manhã e o início da tarde desta segunda-feira.

É o 12º dia de resgates. Até aqui, foram encontrados 134 mortos (120 deles já reconhecidos) e ainda restam 199 desaparecidos.

Nesta manhã, o tenente Pedro Aihara, porta-voz dos Bombeiros, admitiu a possibilidade de alguns corpos não serem encontrados em meio ao «mar de lama» que tomou conta da região após o rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão, administrada pela Vale.

— A gente trabalha o mais rápido possível para encontrar o maior número (de corpos). Só que, evidentemente, pela característica da tragédia e a situação biológica de decomposição, alguns corpos a gente estima que eles infelizmente não serão possíveis de serem recuperados, mas trabalhamos para que seja o menor número possível — afirmou Aihara, mais cedo.

A expectativa é que, assim como nos outros dias, as autoridades divulguem um novo balanço dos números após o fim do dia de trabalho (as buscas costumam começar às 4h e terminam antes do anoitecer).

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o desastre foi mencionado indiretamente no início da tarde, durante a sessão solene que marcou o primeiro dia de trabalho da nova legislatura. Em mensagem enviada a deputados e senadores, o presidente Jair Bolsonaro prometeu propor a revisão imediata da Política Nacional de Segurança de Barragens.

Dengue, febre amarela e outras doenças

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado na terça-feira (5) alerta para o risco de surtos de dengue, febre amarela, esquistossomose e leptospirose, além do agravamento de pacientes com doenças crônicas como hipertensão e diabetes, na região afetada pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG); outro risco apontado pelo estudo é que o  consumo de água e alimentos contaminados pela lama tóxica podem causar diarreia e gastroenterites.

 

A informação é do Jornal Folha de S.Paulo. 

O levantamento foi feito com base em informações locais, concedidas por secretarias de saúde da região, sistemas de dados públicos e estudos anteriores sobre outros desastres, como o rompimento da barragem em Mariana (MG) ou as enchentes em Santa Catarina, em 2008.

«Temos observado que há um padrão, relativamente comum, nos problemas de saúde que se sucedem a desastres, mesmo em caso de eventos climáticos. Então nós coletamos informações de diferentes sistemas para tentar estimar o impacto na saúde», afirma um dos autores do estudo, Diego Ricardo Xavier, epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).

O estudo destaca que a área de Brumadinho é endêmica para febre amarela e esquistossomose, transmitidos por mosquitos e caramujos, respectivamente. Segundo Xavier, o rompimento da barragem causa uma alteração brusca no ecossistema, que pode matar predadores naturais e criar condições favoráveis para esses vetores.

Da mesma forma, serviços públicos como coleta de lixo, esgoto e abastecimento de água ficaram suspensos ou prejudicados, o que também traz consequências para a saúde. A falta de coleta de lixo aumenta a população de roedores e, com isso, cresce o risco de um surto de leptospirose, afirma Xavier. «Foi o que ocorreu após as chuvas de 2008, em Santa Catarina», diz o epidemiologista.

Outro risco é o consumo de água e alimentos contaminados, que causam diarreia e gastroenterites. Mas a intoxicação pode ocorrer também por vias áreas. Quando a lama seca, os contaminantes podem ficar no ar até chegar ao sistema respiratório dos habitantes da região. “Já tivemos notícias de pessoas que tiveram contato com a lama em Brumadinho e apresentaram náuseas, vômitos e diarreia. Isso sugere, por eliminação de diagnóstico, que está relacionado a intoxicação”.

 

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