Publicado en: 26 diciembre, 2015

Brasil: Sobre o Coxinhato!

Por Daniel Quoist

O Coxinhato é de matriz claramente fascista. O Coxinhato anseia por golpes, seja ele qual for.E o Califado…análise política do Daniel Quoist

O Coxinhato, filho favorito do desvario tucano-golpista

A Síria tem o seu Califado e com ele o seu Exército Islâmico que toca o terror noite e dia, assassina jornalistas ao estilo medieval da decapitação, fazendo rolar, literalmente, suas cabeças.  O Califado desafia ao norte e ao sul, trata como inimigos tanto a Rússia quanto os Estados Unidos e também toda a Europa e mais o resto do mundo.o isso prova que quando a sede de poder toma de assalto grupos meliantes, tiranos e autoritários, a situação pide piorar dia a dia, sempre mais e hora a hora.

 Na luta para tomar o poder o Califado busca se impor matando civis indefesos, destruindo casas, hospitais, escolas, sequestrando pessoas em posição de autoridade. E age com ousada desenvoltura bem longe de Damasco, como o fez ao ensanguentar Paris causando centenas de mortes, na maioria jovens, em prosaico espetáculo do rock, como aquele do fatídico show do Bataclã.

 Pausa.

O Brasil pode não ter seu Califado.

 Mas, com certeza, tem o seu Coxinhato. 

E com ele uma oposição francamente golpista, despudorada de qualquer apreço pelo estado democrático, e seus líderes recitam qual Pai Nosso agourento que “o governo acabou”, que o país é ruína sobre ruína, que o sol não vai mais nascer se “a turma que aí está continuar mandando”. E os velhos mantras golpistas de que “Dilma Rousseff deve deixar de governar… por bem ou por mal.”

 Sendo o “por bem” a renúncia, que na visão demotucana deveria ser feita de bom grado pela presidente que recebeu mais de 54 milhões de votos de brasileiros em novembro de 2014.

 O “por mal” seria depor a presidente por meio de golpe legislativo, no formato paraguaio, mas que receba na visão-midiática-para-boi-dormir o nome impeachment.

O Coxinhato é de matriz claramente fascista.

Ataca pessoas que se atrevam a pensar diferente de seus líderes, desacata a Justiça, ridiculariza, busca constranger, degradar e ameaçar – porque não consegue linchar – o grupo político vitorioso  nas urnas presidenciais em quatro rodadas consecutivas – 2002, 2006, 2010 e 2014.

O Coxinhato é adepto do bater panelas em bairros ricos e opulentos das grandes cidades brasileiras. Adora inflar imensos bonecos em situação de presos representando aqueles que lhes impediram de retomar o poder político no país – a faixa presidencial, o Palácio do Planalto.

 O Coxinhato é adepto de factóides e faz conluios a céu aberto até com o Tranca-ruas, o Fecha-águas, o Coisa, o Anjo Caído – sim, até com o Satanáz – desde que seja para surrupiar a vontade soberana do povo brasileiro. Prova disso é que a oposição demotucana vive entre beijos, abraços, breves separações e rápidas retomadas do romance com ninguém menos que ele, o deputado Eduardo Cunha.

 O mesmo Eduardo Cunha que está sempre a um passo de ser destituído da presidência da Câmara dos Deputados,  a dois passos de ter o mandato parlamentar cassado e a três passos de ir parar na penitenciária da Papuda, em Brasília, na companhia de sua mulher Claudia Cruz e de uma de suas filhas, maior de idade, ambas muito pródigas em gastar milhares de euros em coisas absolutamente superfluas e frutos de comprovada corrupção do diabólico marido e pai.

 O Coxinhato é nutrido por amplo e generoso respaldo midiático: Organizações Globo, Grupo Abril, a Folha de S.Paulo e o jornalão Estado de São Paulo.

Com tal vexaminoso apoio os escândalos de grossa corrupção envolvendo o metrô e a companhia de águas e esgotos de São Paulo recebem pálido acompanhamento.

O aeroporto construído com recursos públicos por Aécio Neves nas terras de seu tio Mucio Tolentino na cidade mineira de Claudio passa sempre meio que batido.

Nada é investigado a sério – do ponto de vista jornalistico – quando estão envolvidos em falcatruas nomes como Aécio, Serra, FHC, Alckmin, Sabesp, Furnas, Metrô SP, Covas, Sérgios Mota e Guerra.

 O Coxinhato age de forma fascista, intolerante, intimidatória, ameaçadora.

 Algumas das vítimas das milícias do Coxinhato: Eduardo Suplicy, Fernando Mineiro, Patrus Ananias, Guido Mantega, José Pimentel, José Eduardo Dutra, Alexandre Padilha, Jacques Wagner.

Estes são apenas alguns que guardo na memória. E teve também Chico Buarque de Hollanda, o mais festejado compositor e ficcionista das últimas décadas no Brasil. Símbolo eloquente da luta contra a ditadura militar no Brasil, exemplo de cidadania, coragem cívica e de rara coerência política.

 O Coxinhato parte para cima de sua vítimas em livrarias, aeroportos, bares, restaurantes, lojas comerciais, ruas e avenidas.

 E o faz com palavras de ordem destrambelhadas e sem qualquer signficado aferível ou comprovável – “Você é um bandido! Ladrão! Corrupto! Petista! Votou no Lula! Apoiou a Vaca!”. Tais são os impropérios dos desvairados seguidores de Aécio Neves.

Até o momento as vítimas têm reagido com civilidade, brandura até. Mas, e quando o atacado revidar com arma de fogo, arma branca ou com uma reles e bem aplicada chave de pescoço no desaforado-meliante-coxinha agressor?

É aí também que reside a gritante diferença: os atacantes do Coxinhato são analfabetos políticos, deserdados de qualquer noção de valores democráticos e toscos ao se defrontar com opiniões divergentes das suas; ao passo que os atacados demonstram conhecimentos de política muito acima da média, entendem autores como Gramsci, Marx, sabem o que foi a Revolução de 30 e 32, o Estado Novo de Vargas, sofreram na pele as agruras da odiosa ditadura militar que tanto infelicitou o Brasil nos anos de 1964/1984.

 O Coxinhato tem como lideranças de sua devoção políticos como José Serra, Aécio Neves, Paulinho da Força, FHC, José Agripino Maia, Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Marco Feliciano, Carlos Sampaio.

 O Coxinhato lê Veja e O Globo, ouve Lobão e Roger, aprecia o teatro de Alexandre Frota e de Regina Duarte, assiste Luciano Huck aos sábados e Faustão aos domingos; aprecia Ronaldo Fenômeno (de marketing), acompanha o catecismo furado de Merval Pereira, e só adormece após receber as pílulas da desesperança e do cinismo político aplicadas diariamente por William Waack e seus gurus econômicos Carlos Alberto Sardenberg e Míriam Leitão em seu “Jornal do Golpe”.

 O Coxinhato no STF se alinha automaticamente com os desvarios jurídicos e as plataformas políticas defendidas dia sim e dia não por Gilmar Mendes.

 E se compraz em acompanhar os votos de Edson Fachin e Dias Toffoli, principalmente se for para criminalizar Lula e o Partido dos Trabalhadores.

 O Coxinhato admira, como cereja do bolo, os dotes intelectuais e políticos do gênio-mirim Kim Kataguiri, sempre com aquela sua eterna cara de quem “matou” a quase totalidade das aulas na escola.

O Coxinhato anseia por golpes, seja ele qual for.

De outro lado, as vítimas do Coxinhato lêem portais jornalísticos na internet (Brasil 247, Carta Maior, Carta Capital, DCM, GGN Nassif, PHA, Cidadão do Mundo, Blog do Kennedy); ouvem Chico Buarque, Djavan, Beth Carvalho, Maria Bethania, Gilberto Gil, Alcione, Tico Santa Cruz; apreciam o teatro de Marieta Severo, Paulo Betti, José de Abreu, Letícia Sabatella; curtem os filmes de Wagner Moura, Fernando Meirelles.

 As vítimas do Coxinhato lêem os livros e textos diários nas redes sociais escritos por Leonardo Boff, Fernando Morais, Eric Nepomuceno, Jânio de Freitas, Emir Sader, André Singer; apreciam Pepe Mujica, admiram Miguel Nicollelis e sentem imensa falta de Luiz Gushiken, Eduardo Galeano e Marcelo Deda.

 No STF as vítimas do Coxinhato se alinham – sempre de caso pensado e não automaticamente –  com os saberes jurídicos de Teori Zavascki, Luiz Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e com menos ênfase, é verdade, aplaudem sempre que possível Celso Mello e Marco Aurélio Melo.

 As vítimas do Coxinhato reconhecem como líderes legítimos Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad, Rui Falcão, Vagner Freitas, Ricardo Berzoini, Maria do Rosário, Jandira Feghali, Jacques Wagner, Tarso Genro, Ciro Gomes, Rui Costa, Vanessa Graziottin.

As vítimas do Coxinhato amam a democracia e a liberdade de pensar e de agir e são sempre contra toda forma de ditadura. Seja as de natureza política, econômica, midiática.

 Mirando tão discrepante correlação de forças não precisaremos lançar mão dos famosos dons  da falecida Mãe Dinah para perceber que –  nem no grito – o Coxinhato será bem sucedido em suas muitas tentativas de burlar o processo político democratico vigente no Brasil nos últimos 30 anos.

Aqui a analogia final e definitiva:

O Coxinhato é o Exército Islâmico, com sua truculência, autoritarismo, voluntarismo e oportunismo espúrio que sempre é apoiado por uma mídia monopolista e venal e mostra-se disposto a tomar qualquer atalho que lhe favoreça a tomada do poder.

 De outro lado, temos resto do Brasil é mais a soma da ONU + Comunidade Europeia + BRICS + OTAN + antigo Pacto de Varsóvia para barrar seu violento expansionismo. Este lado tem como  trofeu o diploma conferido pelo TSE de que quem venceu o pleito presidencial brasileiro de 2014 possui nome e sobrenomes:

Dilma Vana Rousseff.

 

* Daniel Quoist, 55, é mestre em jornalismo e ativista dos direitos humanos

 

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