Brasil. Slavoj Zizec e a demência FHCiana no Financial Times

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O ex-presidente FHC publicou um artigo no Financial Times exigindo mais respeito ao Brasil. FHC atacou ferozmente Dilma Rousseff em 2015 e apoiou o processo de Impedimento que a removeu da presidência porque ela teria feito a mesma coisa ele fez quando foi presidente (dar pedaladas fiscais). Portanto, FHC pode considerado responsável intelectual pelo golpe de 2016.

Desde que Michel Temer chegou ao poder FHC se tornou um grande defensor do governo arbitrário que impõe ao país um programa econômico neoliberal que foi rejeitado nas urnas em 2014. Sérgio Moro tem sido constantemente fotografado ao lado de líderes do PSDB.

Portanto, FHC pode ser considerado um dos arquitetos do sistema de poder que encarcerou Lula com base num processo tão ou mais fraudulento do que o Impedimento de Dilma Roussef.

O art. 1da CF/88 prescreve expressamente que todo poder emana do povo. Desde 2015 FHC se colocou ao lado daqueles que pretendem sabotar, limitar ou revogar a soberania popular dos brasileiros. Portanto, é impossível dizer o que ele entende pelas palavras “respeito” e “Brasil”.

Muito embora FHC seja irrelevante dentro e fora do país, o artigo dele levanta uma questão semelhante àquela que foi objeto de reflexão dois grandes pensadores contemporâneos muito influentes na Europa e nos EUA:

“O problema subjacente aqui é a impossibilidade do sujeito objetivar a si mesmo: o sujeito é singular e é a moldura universal do ‘seu mundo’, ou seja, todo o conteúdo que percebe é ‘seu próprio’; assim, como pode incluir a si mesmo (computar a si mesmo) na série de seus objetos? O sujeito observa a realidade a partir de uma posição interna e é simultaneamente parte dessa realidade, jamais sendo capaz de alcançar uma visão objetiva da realidade consigo mesmo dentro. A coisa que assombra o sujeito é ele próprio em seu contraponto objetal, qua objeto. Hegel escreve:

O sujeito desse modo, encontra-se na contradição entre a totalidade sistematizada e a determinidade particular que nela não é fluída nem coordenada: [é a] demência.” (Mitologia, Loucura e Riso, Markus Gabriel e Slavoj Zizec, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2012, p. 191/192)

Ao atacar Lula no Financial Times FHC se coloca diante da realidade brasileira como se ele não fosse responsável pelo golpe de 2016 e pelo sistema de poder arbitrário que encarcerou Lula de maneira injusta. Além disso, FHC não é jurista e, portanto, não tem condições intelectuais de questionar a decisão do Comitê de Direitos humanos da ONU que reconheceu o direito de Lula de ser candidato a presidente e de fazer campanha. Assim sendo, somos obrigados a concluir que a demência do ex-presidente tucano é bem mais severa do que aquela referida por Markus Gabriel e Slavoj Zizec.

Em outra obra de sua autoria, Zizec comentou a obra de Mary Shelley. Disse o festejado filósofo:

“O monstro é um puro sujeito do Iluminismo: depois da reanimação, ele é um ‘homem natural’, sua mente é uma tabula rasa. Deixado só, abandonado pelo criador, tem de reencenar a teoria iluminista do desenvolvimento: precisa aprender tudo do zero, através da leitura e da experiência. Seus primeiros meses são de fato a realização de uma espécie de experimento filosófico. O fato de falhar moralmente, de transformar-se em monstro vingador e assassino, não é uma condenação dele, mas da sociedade da qual se aproxima com a melhor das intenções e com a necessidade de amar e ser amado. Seu triste destino ilustra perfeitamente a tese de Rousseau de que o homem é bom por natureza e a sociedade é que o corrompe.” (Em defesa das causas perdidas, Slavoj Zizec, Boitempo Editorial, São Paulo, 2011, p. 97)

Dia após dia o monstro fascista criado por FHC no Brasil tem mostrado sua verdadeira natureza. Ele tem dois nomes (Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo) e se manifesta nas ruas de maneira extremamente violenta: assassinatos políticos, perseguição contra imigrantes venezuelanos, linchamento de suspeitos negros, agressões sistemáticas contra índios e trabalhadores rurais sem terra, incêndio de mendigos miseráveis, etc… O sistema de poder excludente, brutal e criminoso que cresce nas entranhas do nosso país é mal por natureza. Ele não se tornará melhor porque foi legitimado por seu genitor intelectual no Financial Times.

Se realmente quer ver o Brasil respeitado, o demente FHC deveria ter a decência de recuperar um pouco de sanidade antes de morrer. Pessoalmente não creio que isso seja possível.

 

Fotoarte: “Em defesa das causas perdidas”

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https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/slavoj-zizec-e-a-demencia-fhciana-no-financial-times

 

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