Brasil: Sem resposta política,Dilma não resistirá

 

As reações dos internautas à manifestação em São Paulo alternam-se entre riso, horror, nojo e incredulidade.

Afinal, o que é o pior? Um bando de malucos…

1) empunhando cartazes pelo impeachment de uma presidenta eleita há uma semana.

2) protestando contra fraude sem apresentar um mísero indício, apenas com base em mentiras veiculadas na internet.

3) pedindo intervenção militar porque perderam eleição, num país ainda traumatizado com um regime militar que durou 21 anos, torturou, matou, acabou com a educação e a saúde públicas, não investiu, censurou imprensa e liberdade de expressão.

Aliás, é interessante notar que a mídia, até hoje, defende a ditadura. Sim, defende, porque se não o fizesse não haveria tantos retardados nas ruas, pedindo ao mesmo tempo mais liberdade de expressão e ditadura militar; reclamando de corrupção e pedindo golpe de Estado.

Se houvesse jornalismo de verdade no país, teria informado a estes débeis mentais que a ditadura, justamente por implantar a censura, impediu a criação de mecanismos de transparência e combate à corrupção, tanto no governo quanto na sociedade. E, portanto, a ditadura contribuiu, mais que nenhum outro governo, para o crescimento da corrupção no país.

Para não ser injusto, devo mencionar o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, que declarou à Folha que nada “justifica um pedido de impeachment”, e que “não há indício de fraude” nas eleições.

Não é suficiente, porém.

O PSDB deveria, por meio de nota oficial, repudiar totalmente qualquer associação com manifestações que pedem intervenção militar no país.

Enquanto não o fizer, será chamado de “golpista”, juntamente com setores da imprensa brasileira, que cobrem esse tipo de manifestação fascista sem fazer uma mísera crítica editorial.

Os jornais fazem mil editoriais contra um “bolivarianismo” que só existe na cabeça deles, e não fazem nenhum contra manifestações reais pedindo a volta da ditadura?

Ambos, PSDB e mídia, prestam um grande desserviço à democracia ao não se esforçarem em cortar esse mal pela raiz.

O governo, por sua vez, também comete um erro terrível ao permanecer calado.

Esperamos que não repita os erros da primeira gestão, de apanhar em silêncio por quatro anos de mandato.

Será um erro fatal.

A mídia e a oposição, como se vê, já estão convocando as ruas, e mobilizando o setor mais truculento e golpista delas.

Não demorará e a oposição estará patrocinando, clandestinamente, o quebra-quebra e a instabilidade política; os quais, se não houver uma nova política de comunicação por parte do governo, contará com apoio de amplos setores da juventude, da ultra esquerda e dos black blocs.

Quando falamos de comunicação, estamos falando de política, que não se resume aos apupos palacianos entre Executivo e parlamentares recalcitrantes, mas no diálogo em duas vias (falar e ouvir) com as ruas, com a sociedade, com os brasileiros.

Não adianta ministro dar entrevista às páginas amarelas da Veja.

Nem a presidenta quebrar omeletes no programa de Ana Maria Braga.

É preciso criar canais inovadores para falar à população brasileira.  Falar e ouvir. Comunicar o que está fazendo, quais as dificuldades enfrentadas, e, ao mesmo tempo, ouvir quais as prioridades e quais as angústias maiores da população.

Responder às acusações diárias e sistemáticas da grande mídia.

O noticiário já vem preparando o “clima” de revolta. Sem resposta, na forma de uma comunicação direta e corajosa com o povo brasileiro, o governo não resistirá.

A paz, se quiser ser alcançada, terá de passar pela guerra da comunicação.

Confira fotos, da manifestação em São Paulo, e vejam que fofura de propostas.

Agora vejam como o senador Cristóvão Buarque reage aos protestos de internautas contra manifestações de intervenção militar.

“Algo esta muito errado quando militantes de um partido que se diz de esquerda considera golpismo pedir mudanças na realidade do país”

Acrescentei a resposta irônica do Wandinho, que é para encerrarmos o post com um pouco de humor.

“Senador Cristovão: Pedir intervenção militar não é golpismo.É só um desejo de mudança”

 

 

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