Brasil. PT mudou sua tática. Breno Altman explica. [Vídeo]

 Breno Altman fez sua análise política semanal na TV 247 nesta segunda-feira (6) observando os acontecimentos políticos do fim de semana, envolvendo as deliberações do PT e PCdoB. Foi encaminhado que Fernando Haddad (PT-SP) será o vice de Lula, de forma transitória, em coligação com o PCdoB. Com a decisão, o ex-prefeito de São Paulo e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) podem compor uma chapa, caso Lula seja impedido juridicamente de prosseguir no pleito eleitoral.

Altman explica que tal situação somente se definirá quando for decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral  (TSE) se a candidatura de Lula poderá ser registrada ou não. «Se a candidatura de Lula por indeferida, Haddad renunciará à vice-presidência, assumindo, então, Manuela como vice, e Haddad como candidato a presidente. É possível trocar integrantes da chapa até dia 17 de setembro, desde que seja entre os partidos coligados», esclarece.

Ele considera que O PT transitou da estratégia eleitoral «de Lula ou fraude» para «Lula ou Haddad». «Há agora uma normalização da disputa eleitoral como um terreno legítimo de disputa», diz ele, que defendia uma radicalização da luta por Lula na urna. «O que pesou contra isso foi a baixa capacidade de mobilização popular», afirma. Breno diz, no entanto, que Haddad pode vencer porque estarão claros os dois lados da disputa: o dos amigos do golpe e o dos amigos do Lula.

O jornalista analisa que tal mudança na tática eleitoral pode angariar consequências nocivas ao PT. «Retira a dramaticidade da luta pela liberdade de Lula e seu direito de ser candidato», diz ele. «Eu considero que, com isso, ocorrerá um enfraquecimento de militância petista, da capacidade de mobilização dos movimentos populares, além da não aglutinação do voto em torno de Lula. Pesquisas dizem que, sem Lula na disputa, os votos brancos e nulos dobram, por isso tenho preocupação com essa tática», argumenta.

Precedente argentino

«Por todas essas questões, a campanha precisa ser enfática dizendo que Haddad é o representante do ex-presidente», afirma, lembrando o caso argentino Cámpora-Péron, em que Héctor Cámpora foi eleito presidente como representante de Juan Domingo Péron, em 1972. «Haddad ao governo e Lula no poder, esta deve ser a consigna desta eleição», diz Altman.

O jornalista ressalta que, independente das pessoas gostarem ou não da composição PCdoB/PT, um lado terá que ser escolhido. «Ou você apoia o golpe ou está contra ele, é simples, afinal, também existem outros candidatos na esquerda, mas é preciso votar naquele que possui chances reais de chegar num segundo turno», aponta.

Vídeo:

Breno Altman fala sobre Lula, Haddad e Manuela

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