Brasil. Pra quê?

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Pra que bancos públicos, se já existem bancos privados?

Pra que mídia pública, se já existe mídia privada?

Pra que distribuir renda, se o mercado o faz?

Pra que partidos, se tem a mídia privada?

Pra que transporte publico, se tem o transporte privado?

Pra que saúde publica, se tem os planos privados de saúde?

Pra que educação publica, se tem a educação privada?

Pra que agricultura familiar, se tem o agronegócio?

Pra que ocupação de terras ociosas, se tem a moto serra?

Pra que bolsa família, se as pessoas não querem trabalhar?

Pra que minha casa, minha família, se tem tantos empreendimentos imobiliários?

Pra que internet livre, se desincentiva a concorrência?

Pra que Mercosul, Unasul, Celac, Brics, se tem os Tratados de Livre Comercio com os Estados Unidos?

Pra que direitos humanos, se tem as leis, as policias, os juízes e as prisões? 

Pra que tanta gente, se não tem emprego pra todo mundo?

Pra que liberdade individual, se tanta gente faz mal uso dela?

Pra que sindicato, se são as empresas que trazem progresso pro país?

Pra que contrato de trabalho pra empregada doméstica? Pra que?

Pra que pobre viajando de avião, se tem tanta rodoviária?

Pra que eleição, se tem pesquisa de opinião da mídia privada?

Pra que cultura, se tem televisão?

Pra que economia solidária, se tem economia?

Pra que Estado democrático de direito, se tem o Moro, o STF, o Lava Jato, o Janot?

Pra que tanta opinião, se tem o pensamento único?

Pra que tanto projeto diferente, se tem o Consenso de Washington?

Pra que governo, se tem o mercado?

Pra que presidente, se tem a Globo?

 

Emir Sader

A saída democrática da crise é o plebiscito

O Brasil não sairá o mesmo depois desta profunda e prolongada crise, que não poupou a nenhuma instituição política, mas sobretudo questionou a legitimidade do sistema político. Sairá melhor ou pior, mais democrático ou mais autoritário.

Sairá pior se o golpe se consolidar, porque o período democrático da nossa história teria um desfecho de ruptura, com um bando de políticos aventureiros assaltando o Estado sem votos, sem legitimidade, buscando desmontar todos os avanços conseguidos nos últimos anos. Terá sido consagrado o método do golpe, da falta de respeito à vontade democrática da maioria.

Mas o Brasil sairá melhor, se for imposta uma solução democrática à crise. Se, às mais grandes mobilizações populares, aos argumentos irrefutáveis contra o golpe e a favor da democracia, se unir uma solução política que combine o respeito à democracia com a legitimação da consulta popular.

A Dilma, nas suas entrevistas à TV Brasil e ao Brasil 247, generosamente, reafirmou seu direito a retomar na plenitude a presidência da República, para a qual foi eleita democraticamente, mas ao mesmo tempo, mostrando compreensão da dimensão da crise brasileira, reiterou que «o Brasil precisa de uma nova repactuação pelo voto».

Não um voto que substitua o mandato legitimamente conquistado pela Dilma, mas um que reafirme os caminhos que deve seguir o Brasil a partir de uma crise tão profunda como esta. O que supõe a derrota do golpe na votação do Senado, a retomada da presidência plena por parte da Dilma para, a partir daí, consultar o povo sobre os passos seguintes.

O senador Roberto Requião se adianta até a propor os passos que deveriam ser dados nesse período, para sinalizar o caminho futuro do país. Menciona-se uma carta que Dilma faria, apontando os rumos da continuidade do seu governo, que sem duvida contará com Lula como articulador fundamental.

O principal é buscar e encontrar uma saída política democrática para a crise, mostrar que o golpe não compensa, que o país não aguenta os retrocessos que eles querem impor. Mostrar que além da imensa mobilização popular e dos argumentos, temos capacidade política para articular uma saída democrática para a crise.

Impedir o que os golpistas gostariam: voltar a se impor no Senado e seguir, de forma acelerada a partir daí, no desmonte do patrimônio público nacional, nos direitos dos trabalhadores, nos recursos para a educação e a saúde, na política externa soberana, em tudo o que de positivo foi conquistado nestes anos, chegando a 2018 com um país desfeito, reordenado conforme os ditames do mercado controlado pelos capitais especulativos.

Vislumbra-se uma via de derrota dos golpistas no Senado, de retomada da presidência pela Dilma e pela consulta, convocada por ela, da vontade popular. O Brasil sairá mais forte, a democracia renovada, o povo mais confiante e decidido a tomar de vez nas suas mãos o destino do país.

Foto: Emir Sader

 

 

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