Brasil. O Natal de Luiz Carlos Ruas (1962-2016)

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O martírio do ambulante Luiz Carlos Ruas

Virou notícia na morte, aos 54 anos, na noite de Natal, no metrô de São Paulo.

Eu ia dizer que só então o enxergaram, mas eu estaria mentindo.

Ele continuou invisível enquanto dois homens jovens o espancavam até a morte. A idade somada dos dois não chegava à dele.

Ruas estava invisível para os circunstantes, e assim os agressores puderam bater, e bater, e bater.

Em certo momento, como mostra um vídeo, os dois pareceram ter cansado de bater no ambulante estirado no chão.

Mas não. Eles voltaram e bateram mais. Luiz Carlos Ruas agonizou invisível.

Ninguém o socorreu. Onde os vigilantes do metrô? Onde pessoas solidárias?

A morte invisível é banal num país em que pobres não valem nada.

Entendo isso, embora lamente profundamente.

Mas a morte invisível não.

Ninguém viu Luiz Carlos Ruas em vida, mas sua morte tem que ser celebrada como o martírio de um heroi.

Ele morreu por fazer o que ninguém faz: defender alguém – outro invisível – que estava sendo atacado pelos dois homens que acabaram por assassiná-lo. Foi morto pelo ódio. Morreu por amor.

Luiz Carlos Ruas, o ambulante invisível, é aquele tipo de heroi que amanhã todos terão esquecido.

Ou hoje mesmo.

Mas em sua lápide certamente simples, tosca, remota, típica dos homens e mulheres invisíveis do Brasil, deveria estar escrito assim.

LUIZ CARLOS RUAS (1962-2016)

FOI UM HEROI

 

 No blog Diário do Centro do Mundo

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