Brasil:Novo surto de dengue

Os verões brasileiros tem sido marcados, entre outras coisas, pelas seguidas epidemias de dengue. Desde que a doença voltou ganhar destaque no noticiário como doença epidêmica durante o verão de 2002 o número de pessoas infectadas vem aumentando gradativamente.

Um levantamento feito pelo próprio Ministério da Saúde mostra que 4,6 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas sob forte risco de infecção. No total, são 48 municípios brasileiros que atingiram este patamar crítico. Porém, se levarmos em consideração o histórico do governo de esconder surtos de doenças e que mesmo em cidades o­nde a situação é menos crítica os riscos são grandes, teremos um número muito maior de brasileiros correndo o risco de serem infectados nos próximos meses.

Um breve histórico da dengue no Brasil mostra o grau de retrocesso social em que vive o País e, mais precisamente, a calamidade do sistema público de saúde.

Os primeiros registros de uma epidemia de dengue no País ocorreram no estado de São Paulo entre os anos de 1851 e 1853. Ainda em São Paulo foi registrada outra epidemia no ano de 1916 e, posteriormente, no Rio em 1923.

No início dos anos 20, porém, começa uma campanha pela erradicação da febre amarela no País através do combate ao vetor Aedes aegypti e uma das consequências é que até o início dos anos 80 a dengue é praticamente eliminada no território nacional. Em 1967, segundo dados do próprio Ministério da Saúde, começam a aparecer os primeiros mosquitos Aedes aegypti novamente contaminados. A principal suspeita é que contaminação tenha sido originada de países vizinhos que não conseguiram erradica-los.

Em 1981 e 1982 é registrado um número maior de ocorrências na cidade de Boa Vista, capital de Roraima. A partir daí a doença começa a se alastrar pelo País.

De 1986 a 1999 ela já havia chagado a 19 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal e contaminado nada menos do que 1.104.996 pessoas. No mesmo ano de 1986 a dengue, setenta anos depois, é novamente incluída entre as doenças de notificação compulsória pela Secretária de Saúde Pública de São Paulo.

Não é coincidência que o surto de dengue tenha acontecido pouco depois do início da crise do governo militar que teve como ponto de partida o colapso econômico mundial causado por outra crise, a do petróleo, em 1974. O fim do milagre brasileiro começa a ter seus primeiros reflexos mais acentuados no final dos anos 1970 e a crise continua nos anos seguintes, o que faz dos anos 1980 a chamada “década perdida”.

Outra “coincidência”. O grande surto de dengue ocorre em 2002, o ano mais crítico da crise na gestão FHC, que em virtude da situação faz a direita perder a eleição presidencial daquele ano para o PT de Lula.

O surto de dengue e a crise econômica do País estão diretamente ligados. Mostra a incapacidade do governo brasileiro, que tem seu orçamento comprometido por sua política a favor dos grandes capitalistas e dos bancos, em combater este problema que vem deixando vítimas fatais todos os anos, principalmente durante o verão.

O surto de dengue é apenas mais um resultado da falência do sistema de saúde pública. O pior, é que não é apenas a dengue que quase foi erradicada e ressurgiu. Outro agravante, isto não acontece apenas no Brasil e não se restringe apenas aos países coloniais e semicoloniais.

A China voltou a conviver com um velho fantasma, a sífilis, praticamente erradicada a mais de 50 anos. A cada hora nasce uma criança chinesa contaminada com a doença. O colapso do Euro e da economia norte-americana não fez a população destes países começaram a conhecer no último período o mal de Chagas.

Os dados são assustadores.

Um levantamento do Ministério da Saúde feito em 2003 mostra que o Brasil tinha na época 406,7 mil casos de malária. A doença de Chagas deixou 14 milhões de infectados na América Latina e há neste momento mais de 60 milhões de pessoas correndo risco de infecção nos 18 países endêmicos. Um terço da população mundial encontra-se infectada pelo bacilo da tuberculose (bacilo de Koch). Segundo a Organização Mundial de Saúde a leishmaniose atinge duas milhões de novas pessoas todos os anos no mundo. A mesma organização divulgou que apenas a hepatite B é responsável por um milhão de mortes no mundo e existem mais de 350 milhões de portadores crônicos no mundo.

As vésperas de mais um surto de dengue no país, o sofrimento destas milhares de pessoas que irão passar pelos mais diversos problemas em decorrência da doença só pode ser explicada como parte do sofrimento vivido por outros milhares de seres humanos por causa do capitalismo em decadência.

A ausência de desenvolvimento econômico e social faz com que a população brasileira e mundial tenham que travessar estes problemas mesmo a humanidade já tendo os meios técnicos para resolvê-los.

O que mostra a necessidade de uma luta no Brasil e no mundo contra o sistema capitalista, a principal causa de todas estas doenças.

NOTICIAS ANTICAPITALISTAS