Brasil-Mulher:Ocupar prédios e fazendas

«As mulheres sustentam sobre seus ombros metade do céu e devem conquistá-lo»

Mao Tsetung

 

Como parte da luta das mulheres camponesas no marco do 8 de março, Dia Internacional de luta da Mulher, foram organizadas diversas ações pelo país, como ocupação de fazendas e prédios públicos. Mais de 1.100 mulheres camponesas de acampamentos e assentamentos do MST no Sul da Bahia ocuparam a fazenda Esperança, localizada no município de Alcobaça, de propriedade da empresa paulista Suzano Papel Celulose.

A ação aconteceu na quinta-feira, dia 1º, e cobra do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) agilidade nos processos de desapropriação dos latifúndios das grandes áreas do monocultivo de eucalipto.Segundo informações divulgadas pelo MST, o Grupo Suzano, que atua em diversos segmentos econômicos, controla 771 mil hectares, dos quais 326 mil de monocultura de eucalipto, concentrados na Bahia, no Espírito Santo, em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, no Tocantins e no Piauí.

No terreno ocupado, «as 23 mil famílias Sem Terra acampadas na Bahia poderiam ser assentadas, uma vez que as papeleiras não cumprem a função social da terra, como determina a Constituição». Ação semelhante aconteceu no ano passado, contra outra produtora de celulose, a Veracel, um oligopólio transnacional que controla 119.000 hectares de terra no sul da Bahia.Outro grupo de camponesas ocupou, no mesmo dia, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema. «As mulheres denunciam a paralisia da Reforma Agraria na região e cobram audiência com o diretor do Itesp, Marcos Pila, para discutir políticas como o fomento mulher, políticas públicas de incentivo a produção e geração de renda, assistência técnica».

Em Iaras, também em São Paulo, cerca de 200 famílias de assentados e acampados ocuparam escritório regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), «as famílias estão acampadas há mais de 10 anos na região, depois de promessa do Incra de viabilizar a criação de assentamentos em terras disponíveis […] como a área grilada da Cutrale, e infraestrutura para os assentamentos e a liberação do agro centro, onde se localiza a Escola Popular Rosa Luxemburgo».

Além da luta pelo acesso a terra, o direito e possibilidade de garantir o sustento familiar pelo próprio trabalho, as mulheres camponesas lutam contra a política do governo de beneficiar o agronegócio e o latifúndio, setor mais atrasado e retrogrado da economia, impedindo a plena realização da reforma agrária e o desenvolvimento do Brasil. Denunciam a violência e o descaso contra milhares de camponeses pobres, massacrados cotidianamente pelos jagunços do latifúndio, no Estado ou protegidos por ele.

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