Brasil: “Momento é de articulação e rearticulação” [Entrevista]

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«A aposta é articular. Articular em uma equação política que não é nem um pouco fácil», afirma Vannuchi. Como uma das iniciativas da rearticulação de forças no campo progressista, ele destaca, o ato do Dia Nacional de Mobilização, cujo slogan é “Democracia sempre mais, ditadura nunca mais”, que aconteceu na terça (31), na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Vannuchi qualifica como «grande polo articulador», capaz de «unificar posições» dentro do campo progressista.

Ele classificou como lamentável a campanha daqueles que pedem intervenção militar.

«Péssima ideia que alguns segmentos que vão para as ruas protestar contra Dilma não têm vergonha de propor e pedir; não quer dizer que todos os manifestantes de oposição a Dilma queiram a ditadura, mas há uma parte muito estridente que realmente comete o desplante, a indecência, de pedir por ódio, repressão, ditadura, censura, assassinatos, que são os ingredientes necessários de qualquer ditadura».

Vannuchi enfatiza que a esquação não é simples por conta dos ajuste econômicos aplicados pelo governo. A militância, segundo ele, tem que «fazer duas coisas praticamente opostas, ao mesmo tempo: defender a democracia, defender Dilma, defender o voto popular contra as tentações golpistas, e, ao mesmo tempo, questionar duramente os equívocos de atuação.»

«A classe trabalhadora e o pensamento verdadeiramente democrático sabe que a democracia está sob risco, ameaçada por articulações pró-impeachment etc».

Novos ministros

Vannuchi comemora a indicação do filósofo Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação, a quem classifica como «um dos grandes teóricos brasileiros sobre a democracia e os direitos humanos, sobretudo a ética na política», e de Edinho Silva para a secretaria de Comunicação da Presidência. Para ele, a Secom tem a importante missão de reordenar as verbas publicitárias do governo, privilegiando veículos de comunicação de menor porte, de âmbito local, e a blogosfera, em detrimento dos grandes grupos tradicionais, visando a fortalecer a liberdade de imprensa, o exercício do contraditório e pelo fim do pensamento único.

Para ele, o acerto na indicação desses nomes pode sugerir que o governo está «se tornando mais sensível» e «começando a entender a necessidade de diálogo». Vannuchi destaca, ainda, que deverão ser retomadas as conferências temáticas nas áreas de saúde, educação, direitos humanos, direitos das mulheres, igualdade racial, dentre outras, que tiveram o seu apogeu durante o governo Lula e «desaqueceram» posteriormente.

 

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