Publicado en: 21 enero, 2019

Brasil. “Maus brasileiros são os que desmatam” Carta-Resposta

Por RBA - Joana Oliveira

Depois de Gisele Bünchen dizer à ministra Tereza Cristina, da Agricultura, que quem desmata é mau brasileiro, Leonardo DiCaprio também chama atenção para o começo do fim da maior floresta do mundo.

 

Leonardo DiCaprio denuncia avanço do desmatamento da Amazônia  

O ator Leonardo DiCaprio fez da brincadeira Desafio dos 10 anos (10 Years Challenge) do Instagram um alerta ambiental de interesse mundial.

RBA

Em vez de postar fotos suas mostrando o quanto sua fisionomia mudou em dez anos, preferiu colocar lado a lado fotos da floresta amazônica que não deixam dúvida sobre o avançado processo de desmatamento.

Foi a segunda vez nesta semana que uma celebridade internacional manifestou publicamente sua preocupação com a questão. Na quarta-feira (16), a modelo Gisele Bündchen disse que “maus brasileiros são aqueles que desmatam”, em resposta à ministra da Agricultura Tereza Cristina.

Em programa de rádio, a “musa do veneno” – apelido que ganhou dos próprios ruralistas por deixar o Pacote do Veneno pronto para votação no plenário da Câmara o projeto que libera geral a importação, registro e uso de agrotóxicos – disse que quando Gisele diz “que estamos desmatando o mundo reverbera”.

Em sua página oficial na rede Instagram, o ator vencedor do Oscar publicou imagens do satélite Landsat para mostrar o desmatamento em Rondônia entre 2006 e 2018. Em seu comentário, destaca que a região está entre as que mais perderam cobertura florestal na Amazônia brasileira.

A manifestação de DiCaprio é também um alerta para a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro (PSL), que passou para os ruralistas o controle sobre terras, demarcações e politica fundiária, colocando mais lenha na fogueira dos conflitos agrários no país, que matam indígenas, trabalhadores rurais e assentados. Além disso, considera medidas contra o aquecimento global uma questão secundária, já que não passa de “invenção de marxistas”.

O ator tem mais de 25 milhões de seguidores no Instagram e arrancou 100 mil likes em menos de uma hora de publicação. Ou seja, repercussão internacional imediata.

Em 1998, DiCaprio criou a Leonardo DiCaprio Foundation (LDF). Entre as ações financiadas estão projetos de proteção de florestas. Como escreveu em seu blog o professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) Marcos Pedlowski, o astro está entre os que “decidiram não deixar barato as anunciadas mudanças para facilitar a expansão da degradação na Amazônia”.

“No caso de DiCaprio, ele não só é famoso, como tem uma ferramenta institucional para influenciar indivíduos e governos. Em suma, o posicionamento público de DiCaprio terá consequências para o Brasil e o governo antifloresta que foi instalado em Brasília no dia 01 de janeiro de 2019”.

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https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2019/01/leonardo-dicaprio-denuncia-avanco-do-desmatamento-da-amazonia-nas-redes-sociais-1

 


Gisele Bündchen, o revés à imagem internacional de Bolsonaro

Modelo escreve carta em resposta a crítica da ministra Tereza Cristina e diz que “maus brasileiros” são as pessoas que desmatam ilegalmente a Amazônia

Joana Oliveira

A imagem do Brasil no mundo depende em grande medida de seus jogadores de futebol, de seus músicos… e de Gisele Bündchen. Esse é um detalhe que preocupa o Governo Bolsonaro. Mas o tiro lhe saiu pela culatra.

Bündchen respondeu em tom tão contundente quanto respeitoso, e também com um pingo de ironia, à ministra da Agricultura do novo Governo, que disse numa entrevista nesta semana que Bündchen “não deveria sair [na mídia] criticando o Brasil sem conhecer os fatos”.

 A top model brasileira respondeu-lhe que “maus brasileiros são os que desmatam”, segundo uma carta dela à ministra Tereza Cristina reproduzida pela Folha de S.Paulo, depois de lhe recordar que desde 2006 está ativamente envolvida na defesa ambiental e já visitou a Amazônia em várias ocasiões. A ministra também havia dito que Bündchen, embaixadora honorária da ONU para o Meio Ambiente, não deveria falar de desmatamento porque isso “reverbera” no mundo, e os que fazem isso são “maus brasileiros”.

Gisele Bündchen não é uma ambientalista de ocasião. Há 12 anos utiliza sua plataforma de seguidores – cinco milhões de pessoas em todo o mundo – para apoiar causas de preservação ambiental e pressionar o Governo brasileiro a implementar ou alterar políticas nesse sentido. Em mais de uma ocasião, enviou mensagens diretamente aos presidentes da República sobre a conservação de zonas protegidas, sobretudo na Amazônia.

No ano passado, por exemplo, abriu o festival de música Rock in Rio lançando o projeto Believe Earth/Amazonia Live e pronunciou, às lágrimas, um discurso que levou a multidão a gritar “Fora Temer”. “Sonho com o dia em que encontraremos o equilíbrio entre o ter e o ser… o desfrutar e o preservar. Sonho com o dia em que viveremos em harmonia, em total harmonia, com a mãe Terra (…). Cada um tem um impacto neste mundo, só temos que decidir qual impacto queremos ter”, disse na ocasião.

O presidente Jair Bolsonaro irritou os ambientalistas ao entregar a pasta da Agricultura a Tereza Cristina Dias, ex-deputada federal e líder informal da poderosa bancada ruralista no Congresso. Esse setor e os ambientalistas travam uma duríssima batalha que é onipresente na política do Brasil.

Bündchen, que vive nos Estados Unidos apesar de ter nascido e crescido no interior do Brasil, recordou à ministra os últimos dados oficiais sobre desmatamento, “amplamente divulgados pela imprensa”.

 “O desmatamento na Amazônia cresceu mais de 13% em 2018, o que representa o pior dado em uma década”, observou ela.

 “Valorizo muito o papel tão importante que a agricultura e os agricultores têm para nosso o país”, escreveu, “mas acredito que a produção agropecuária e a conservação ambiental precisam caminhar juntas, para que nosso desenvolvimento possa ser sustentável”.

Nas redes sociais, Gisele se tornou uma poderosa aliada das ONGs, sempre se posicionando quando são debatidos projetos ou leis que possam causar danos à maior floresta do mundo. Também em 2017, quando o Governo Temer pretendia aprovar um projeto de mineração na floresta amazônica, pondo em risco zonas protegidas da mata e comunidades indígenas, a modelo publicou no Twitter: “Que vergonha!

Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em favor de interesses privados”. Pouco depois, Gisele mencionou diretamente o presidente para se queixar da redução de Jamanxim, que perderia 600.000 hectares por meio de uma medida proposta pelo Governo. “@MichelTemer, veto às propostas que ameaçam 600k de hectares de área protegida na Amazônia brasileira”, protestou em quatro tuítes, dois em português e dois em inglês.

Naquela ocasião, Michel Temer não resistiu à perseguição das ONGs e dos ambientalistas e decidiu anular as medidas. Além disso, para o presidente menos popular da história do Brasil não era interessante se indispor com a personalidade mais famosa do país, uma mulher poderosa, rica, bela e ainda por cima preocupada com o presente e o futuro do planeta. Resta ver se o poder e a influência da Gisele ambientalista terão algum efeito sobre as políticas do Governo liderado pelo ultradireitista Bolsonaro.

A modelo escreve à ministra num tom elegante. Encabeça sua carta com um “Excelentíssima Senhora Ministra de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina”. Todos no Brasil conhecem a ministra, como a modelo, por seu prenome. E a fecha no mesmo tom. “Com respeito, Gisele Bündchen”.

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https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/17/politica/1547745494_831543.html

 

PS do colaborador:

Fotoarte: “Viva a Natureza!”

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