Publicado en: 5 octubre, 2015

Brasil: Lula inflável

Por Miguel do Rosário

O Lula inflável é um bom símbolo dos novos tempos. A única resposta que eles conhecem é essa: prisão para o adversário político.Na verdade, estão apenas reforçando os alicerces de um mito.

A obsessão contra Lula reforçará o mito

 

A obsessão da Globo/Época em destruir Lula parece não ter fim.

O Brasil registrou um espetacular aumento de suas exportações para África. O crescimento econômico fantástico da era Lula, a diminuição da pobreza, e o aumento dos salários não vieram de graça. Vieram por causa de uma política deliberada de Lula para ampliar nosso comércio exterior, através do que na época todos elogiavam como uma diplomacia comercial.

O ódio a Lula dos setores antipopulares e autoritários, e a Época os representa, é tão grande que eles parecem odiar até o dinheiro que o Lula fez o Brasil ganhar.

A matéria da Época, no entanto, é ainda mais baixa do que isso. Ela vê lobby de Lula junto ao BNDES em operações que o BNDES sequer financiou!

A imprensa brasileira perdeu qualquer noção de compromisso com os fatos.

O Lula inflável é um bom símbolo dos novos tempos. A única resposta que eles conhecem é essa: prisão para o adversário político.

Não querem vencer Lula politicamente, querem vê-lo preso.

Na verdade, estão apenas reforçando os alicerces de um mito.

O herói do povo, perseguido pelas elites: eis o arquétipo mais poderoso e mais antigo do herói político.

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No Facebook do BNDES.

Época vê lobby de Lula em operações que o BNDES nunca financiou

Depois de falar em lobby do ex-presidente Lula para viabilizar uma operação que já estava em pleno processo de financiamento, no porto de Mariel, a revista agora aponta suposto lobby do ex-presidente em operações que o BNDES simplesmente não financiou.

Na tentativa de mostrar o envolvimento do BNDES em concessões de crédito na África que teriam sido fruto de suposta ação do ex-presidente Lula como lobista, Época simplesmente omite o fato de o Banco jamais ter financiado ou analisado operações citadas na reportagem.

É o caso do aeroporto de Mongomeyen, na Guiné Equatorial, cujo financiamento nunca sequer tramitou junto ao Banco. A reportagem de Época recebeu essa informação e a omitiu. Da mesma forma, diferentemente do que dá a entender a revista, o Banco nunca financiou qualquer empreendimento ligado ao ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano.

Época foi informada pelo BNDES de que o Banco não financiou a empresa MJ3, mas, mais uma vez, optou por não apresentar uma informação que contraditaria a narrativa distorcida construída em seu texto.

O BNDES reafirma nunca ter havido qualquer tipo de pressão ou gestão de Lula, tanto como presidente quanto ex-presidente da República, para que qualquer projeto específico pudesse ser aprovado pelo Banco.

Finalmente, quando menciona o financiamento do BNDES as exportações de bens e serviços para uma estrada em Gana, “Época” esconde o fato de o crédito do Banco ter sido concedido para outra empresa e não para a Odebrecht.

O BNDES reitera que nesta e em todas as suas operações obedeceu a critérios impessoais e técnicos e lamenta a tentativa de Época de, mais uma vez, ocultar e manipular informações relacionadas ao Banco.

 

*Miguel do Rosário é blogueiro há mais de dez anos. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, cidade onde ainda amarra seu cavalo

 

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