Brasil-Literatura. “O Evangelho Segundo os Oprimidos”

O multifacetado Stel Miranda reúne o Ativista Cultural e Social, Diretor de Fotografia, Escritor, Músico, Produtor de Arte e Cultura e lança o livro nas redes sociais.

Stel intitula o livro como o mais perigoso escrito no Espírito Santo. Penetrado de ironia lírica que ampara o deboche que é reconstruir o sagrado cristão.

A Obra

Seja no conteúdo ou forma, Stel compete a boas novas, criação e louvor. Um outro livro sagrado e abordagem que fará você exercitar quanto ao Deus deficiente e perverso que, equiparou a humanidade a sua imagem e semelhança, passando a ser reconhecido por veras desgraças.

O Deus não metafísico e sobrenatural, é denunciável, palpável e visível em sua própria Obra Criadora. A narrativa construída de maneira direta e precisa, recheada de intertextos irônicos sem apelar a ingenuidade ou soberba, soa como um grito para um Deus e Humanidade surda, mas que considera estar intocável. O espaço de tempo denuncia um evangelho atual com linguagem antiga, que se esvaziou em vaidade e não soube olhar para si.

O Criador

O multifacetado Stel Miranda reúne o Ativista Cultural e Social, Diretor de Fotografia, Escritor, Músico, Produtor de Arte e Cultura. Integrou o Comitê Gestor Local do programa conjunto – ONU, esteve à frente da vice-presidência do Conselho Gestor do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), ambos na capital do Espírito Santo, Vitória.

Devido ao seu trabalho em conjunto com meninos do tráfico, Gabaritou o Prêmio do Mérito Juvenil Internacional “The Award For Young People”, concedido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Com três publicações não profissionais e não oficiais, sendo elas:

“Efeito Colateral” (Poesia),

«Aforismos em Doses Homeopáticas” (Poemas e Aforismos),

“O Profano” (Poesias e Pensamentos)

“Ótica Sobre o Abismo” (contos).

O Evangelho Segundo os Oprimidos é a primeira publicação tendo a Cousa Editora como parceira.

Stel Miranda conversou sobre seu lançamento, atualidade, e ainda comentou sobre ele como artista perante a Pandemia de Coronavírus.

Confira: ENTREVISTA

O que levou e durante quanto tempo ocorreu a produção de O Evangelho Segundo os Oprimidos?

Stel Miranda – Essa obra eu comecei a escrever tem uns cinco anos, e a três eu terminei, e a um ano atrás acabei enviando para várias editoras tentando publicar. Uma obra muito íntima, eu queria muito carinho como ela, queria muito afeto na parada. Agradeço muito por ter dado muito certo e com uma editora que respeito tanto, uma editora que tenho grande carinho, não só pelo Saulo, mas por toda a galera que trabalha ao entorno, que é uma resistência em terras capixabas, é uma prova de que a literatura vale a pena. A Editora Cousa me fez uma pessoa muito feliz em saber que eu estava dentro de casa, em Vitória, lançando um livro meu.

Para o autor, o Estado é laico até quando? A partir de que momento deixa a liberdade de escolha e passa a ser «terrivelmente cristão»?

Stel Miranda – Cara, olha só, eu não sei se ainda existe alguém que acredita em Estado Laico, não só desacredito no Estado Laico como eu não acredito em uma Sociedade Laica. O Estado não é laico porque ele oriundo de uma cultura judaico-cristã-ocidental, e essa cultura é embranquecida, de forma europeia e aí vem um advento de tudo, o advento de você não fazer o que Kant fez, que foi o descolamento da fé cristã da ética e da moral, você não tem como ter um pensamento moderno se você continua levando esse tipo de pensamento a frente, e qual? De que o pensamento cristão pode gerir dentro das suas escrituras sagradas, dentro de seus mandamentos, gerir uma sociedade contemporânea. Dez mandamentos não se aplicam a um Estado Democrático de Direito e a Leis Soberanas de uma República Federativa, porque eles são limitados. Listas, mandamentos e títulos são burocracias, e burocracias são detentoras de freio, freio da sociedade mesmo. Quando você mistura o social com a fé você se dá com esse terrivelmente cristão porque você quer impor a sua fé a um Estado Democrático de Direito, que a própria frase por si só não tem sentido nenhum.

Qual sentimento deseja provocar no leitor ao abordar de maneira irônica um tema que chega ser o «calcanhar de Aquiles» da sociedade?

Stel Miranda – Não era muito essa a ideia, não quero mudar a humanidade, não escrevi para isso. Sem a intenção de querer exercitar o meu convencimento ao outro. Sou influenciado por aquilo que me toca de forma positiva e negativa, nesse livro existem coisas positivas e negativas, e isso é um todo do que eu passo, do que eu vivo, do que eu acredito e não acredito, como eu disse anteriormente é bem íntimo a obra.

O que esperar de O Evangelho Segundo os Oprimidos?

Stel Miranda – Todo lirismo da poesia marginal, sabe? Toda essência da poesia feita na rua, da literatura feita no beco, na viela, na quebrada, sem compromisso com outro público que não seja nosso povo. Não tô nem aí pra que alguém da Academia Brasileira de Letras faça uma crítica esculachando minha obra, não vai tocar minha vida em nada, vai tocar se um camarada encontrar comigo na esquina da minha casa e falar “cara, li seu livro e adorei”, então zerei a vida. Eu escrevo pro meu povo e não pra quem não é meu povo, ou pra quem se agrega ou que quer pisar no meu povo. Eu escrevo de mim pra nós, acho que é por aí.

Após esse processo criativo como Stel sai como artista e pessoa?

Stel Miranda – Realizado. É um tesão do caralho saber que você tá com a obra na rua, que fez ela com todo carinho e que existem pessoas adquirindo e compartilhando, e mais ainda, existem pessoas que já estavam esperando que isso acontecesse, isso é maravilhoso. Eu sou abençoado de ter nascido e sido criado no meio de um povo tão diverso, grande, lindo e plural, tantos sóis, acredito que a favela é um panteão, que a favela é um santuário, nós somos detentores de notório saber, de capilaridade, nós somos detentores de capital social e somos nós que fazemos os prédios onde os nobres moram, somos nós que fazemos a comida, nossas mães que limpam os apartamentos, são nossas irmãs que tomam conta da garagem e que limpam a rua, então não existe o mundo se não fosse a gente, e isso eu fico maravilhado porque é pra esse povo que eu escrevo. Saio feliz porque eu sou abençoado, até aqui eu sou um abençoado em todos os sentidos em minha vida.

  

  • Matheus ThiagoJornalista e Técnico Multimídia, filho dos deuses e amante das mídias sociais.

PS do Colaborador: 

Fotoarte: “Autógrafos

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https://www.brasil247.com/blog/stel-miranda-lanca-o-livro-o-evangelho-segundo-os-oprimidos

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