Brasil. LavaJato X Acordão da Anistia*

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“É uma corrida contra o tempo. O que virá antes? O acordão da anistia ou a anunciada «delação do fim do mundo» da Odebrecht, que estava prevista para o próximo dia 8, mas foi adiada e agora sairá sabe-se lá quando?”

Disputa agora é entre Lava Jato e Acordão da Anistia*

 

Balaio do Kotscho

Quem ganhou, ganhou. Quem perdeu, perdeu. Apuradas as urnas, passadas as comemorações e as ressacas eleitorais, a verdadeira disputa em Brasília volta a se dar entre a Lava Jato e suas mil e uma delações e os políticos ameaçados que costuram um acordão da anistia para o caixa dois.

Fracassada a primeira tentativa feita em setembro numa operação tabajara, quando um misterioso projeto sem autoria foi retirado da pauta, representantes dos principais partidos não desistiram da ideia de criminalizar o caixa dois só daqui para a frente, passando uma borracha no financiamento ilegal de campanhas eleitorais do passado, que pode atingir mais de 200 políticos de todas as latitudes.

Uma forma de conseguir este objetivo é incluir a emenda da anistia na discussão sobre as dez medidas contra a corrupção propostas pelo Ministério Público, que deve voltar a ser discutida nesta terça-feira, quando os parlamentares voltam a Brasília. Como amanhã é feriado de Finados, há dúvidas de que isso realmente aconteça.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já deu a pista em entrevista a Mário Sergio Conti, na Globo News, semana passada: «Nós temos que dar um corte e dizer que daqui para a frente está criminalizado». Ao falar em «dar um corte», Maia segue na mesma linha da proposta de «estancar a sangria» do senador e ex-ministro Romero Jucá na conversa gravada pelo delator Sergio Machado antes do impeachment.

O mesmo jornalista conta em sua coluna de hoje na Folha o que ouviu de alguns parlamentares sobre este assunto ao passar uns dias em Brasília. Todos só falam em «off», é claro, como se diz quando as fontes não querem ser identificadas. Reproduzo abaixo o que eles disseram a Conti:

«Senadora: está em andamento um acordo para livrar a cara dos corruptos. Ele está sendo feito nos ministérios, no Planalto, nesse plenário. Mas ninguém diz quem está negociando com quem».

«Deputado: O acordo é para anistiar todos os que foram eleitos com caixa dois. Assim, o governo e o sistema político se safam. Os empreiteiros se safaram antes, com as deduragens premiadas».

«Senador: não é bem um acordo. É uma onda, um salve-se quem puder coletivo, um entendimento mudo, uma tabelinha que vai sendo improvisada conforme os novos lances».

Do outro lado desta disputa, que promete fortes emoções nos próximos dias, os juízes e procuradores da Lava Jato, em artigos, discursos e entrevistas, ocupam diariamente todos os espaços possíveis da mídia para defender suas propostas de combate à corrupção, na tentativa de evitar que o projeto seja desfigurado e acabe beneficiando exatamente os políticos delatados por receberem doações ilegais.

Como dinheiro não tem carimbo, vai ser difícil separar o que era dinheiro «limpo» para caixa dois de campanhas eleitorais dos diferentes partidos daquilo que seria apenas propina paga aos políticos com o dinheiro «sujo» da corrupção. Pois é exatamente esta a separação que os políticos envolvidos no acordão da anistia pretendem fazer.

É uma corrida contra o tempo. O que virá antes? O acordão da anistia ou a anunciada «delação do fim do mundo» da Odebrecht, que estava prevista para o próximo dia 8, mas foi adiada e agora sairá sabe-se lá quando?

Vida que segue.

*Ricardo Kotscho, 67, é repórter desde 1964. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, nas funções de repórter, repórter especial, editor, chefe de reportagem, colunista, blogueiro e diretor de jornalismo. É atualmente comentarista do Jornal da Record News e repórter especial da revista Brasileiros.

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/disputa-agora-e-entre-lava-jato-e-acordao-da-anistia/2016/11/01/

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Merval anuncia: vem aí o acordão da anistia aos políticos

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«É provável que seja apresentado amanhã um projeto de lei criminalizando o Caixa 2 nas campanhas eleitorais, com o apoio de todas as legendas atuantes no Congresso, com a possível exceção do PSOL e da Rede», diz o colunista Merval Pereira, no artigo Por baixo dos panos.

«A base do projeto é a medida 8 de combate à corrupção apresentada pelo Ministério Público de Curitiba sob o título “Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2”.

 Há duas versões do texto:

1-Uma que anistia explicitamente todos os crimes eleitorais cometidos anteriormente;

2- Uma segunda, que tem mais chance de ter o consenso, que criminaliza o Caixa 2 para encerrar a discussão sobre se esse financiamento por fora da legislação eleitoral é ou não crime passível de punição mais rigorosa».

O risco, ele próprio admite, é que os deputados passem a impressão de agir em causa própria para «estancar essa sangria», como apontou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

«Ficarão suspeitos de estarem agindo para proteção mútua, conforme conversa gravada do senador Romero Jucá com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.»

Eis o diálogo:

Machado

Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel (Temer).

Jucá

(concordando) Só o Renan que está contra essa p****. Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, p****.

Machado

É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Jucá

Com o Supremo, com tudo.

Machado

Com tudo, aí parava tudo.

Jucá

É. Delimitava onde está, pronto.

Machado

Parava tudo. Ou faz isso…

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http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/255835/Merval-anuncia-vem-a%C3%AD-o-acord%C3%A3o-da-anistia-aos-pol%C3%ADticos.htm

 

 

PS do colaborador:

Fotoarte: “Balaio e o Acordão”

*Acordão da Anistia