Publicado en: 26 noviembre, 2018

Brasil. José Dirceu visita o Memorial Luiz Carlos Prestes*

Por Paulo Egídio

Em um giro pelas capitais brasileiras para lançar seu livro de memórias, José Dirceu aproveitou a estadia em Porto Alegre para conhecer o Memorial Luiz Carlos Prestes.

 

“Os comunistas sempre lutaram pela democracia no Brasil”

Em um giro pelas capitais brasileiras para lançar seu livro de memórias, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) aproveitou a estadia em Porto Alegre para conhecer o Memorial Luiz Carlos Prestes, que homenageia o líder comunista.

A visita, realizada na manhã da quarta-feira (21), foi acompanhada por cerca de 20 pessoas, a maioria militantes do PT – dentre eles, o ex-deputado e ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira.

Solto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho, Dirceu não usava tornozeleira eletrônica e se mostrou disposto durante a visita. Ele foi liberado de ter que utilizar o equipamento por decisão do ministro Dias Toffoli, atual presidente da Corte, dias após obter a liberdade.

Durante os cerca de 30 minutos em que esteve no memorial, o ex-ministro observou todas as paredes do espaço, que, em textos e fotos, retratam a trajetória do líder da Coluna Prestes. Dirceu também autografou alguns exemplares de seu livro e uma bandeira do PT, além de conversar e posar para fotos com militantes e correligionários.

Em certo momento, ao observar uma foto da bancada do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a Assembleia Constituinte de 1946, virou para os acompanhantes e sorriu: “Olha a cara de galã do Marighella”, em referência ao guerrilheiro Carlos Marighella, um dos organizadores da luta armada contra a ditadura militar.

Ao final, o ex-ministro elogiou o centro cultural e fez referência à trajetória de Prestes, que, segundo ele, “representou, para milhões de brasileiros, as lutas pela reforma agrária, pelos interesses nacionais e pela democracia”. “Os comunistas sempre lutaram pela democracia no Brasil. E sempre foram vítimas de ditaduras, tanto no Estado Novo quanto na ditadura militar. Cultuar Prestes não é cultuar apenas o homem, mas as ideias que ele representou, e a luta que deixou como exemplo”, disse o ex-ministro à reportagem.

José Dirceu tem percorrido todos os estados brasileiros para divulgar seu livro Zé Dirceu: Memórias. Na capital gaúcha, o evento de lançamento será às 18h desta quarta, na sede da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS).

De Porto Alegre, ele segue para Palmas, no Tocantins. Até o final de janeiro, o ex-ministro pretende lançar a obra em todas as capitais do País. O segundo volume, de acordo com sua assessoria, será editado ainda em 2019.

*Publicado originalmente no Jornal do Comércio, escrito pelo jornalista Paulo Egídio. A foto é de Marcelo Ribeiro.

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PS do colaborador:

* Luís Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre no dia 03 de agosto de 1898, filho mais velho do militar Antônio Pereira Prestes e Maria Leocádia Felizardo Prestes. Seu pai faleceu quando tinha apenas 10 anos de idade. A pensão deixada pelo pai não era suficiente para arcar como os custos familiares. Sua mãe depositou no primogênito a esperança de melhoria de vida, por isso ainda criança Luís frequentou escola militar e continuou seus estudos até concluir a graduação de engenharia.

A primeira ação de Prestes como revolucionário foi na revolta tenentista em 1924. Como capitão do Exército, assumiu o papel de líder de um grupo de oficiais, na região de Missões, em São Ângelo, no Rio Grande do Sul. A revolta tenentista tinha como objetivo lutar contra poderio da oligarquia vigente, a proposta da Assembléia Constituinte e o direito ao voto secreto.

Após a revolta tenentista, Luís Carlos Prestes se uniu a um grupo de militares paulistas em Foz Iguaçu. O grupo foi nomeado de Coluna Prestes. Durante dois anos e cinco meses, aproximadamente 1.500 homens atravessaram 13 estados brasileiros, observando e vivenciando a realidade do interior do Brasil. Após a finalização do percurso buscaram asilo em países que faziam fronteira com o Brasil, Bolívia e Argentina. Para Prestes, estudar era a única forma para dar solução a situação de miséria que o interior do Brasil se encontrava. Então foi na Argentina que Luís Carlos Prestes estudando obras de Karl Marx e Friedrich Engels, se descobriu comunista, tendo planos de implantar o regime comunista no Brasil.

Em 1930, Prestes foi convidado para participar da Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas, porém se negou. No ano de 1931 viajou para a União Soviética, convidado pelo Partido Comunista Uruguaio. Na União Soviética trabalhou como engenheiro e teve contato intensivo com as obras marxistas. Foi lá que conheceu sua esposa Olga Benário, judia e alemã, e membro do Partido Comunista Alemão.

Luís Carlos Prestes retornou para o Brasil em 1934 com sua esposa, ambos falsificaram seus documentos para conseguir desembarcar no país, já que comunistas eram proibidos pelo governo varguista. No Brasil o Partido Comunista Brasileiro (PCB) criado em 1922, tem o apoio da organização política da Aliança Nacional Libertadora (ANL), criada em 12 de maio de 1935. Logo, Prestes foi convocado pela ANL para ser presidente de honra, e em junho do mesmo ano lança um manifesto, para derrubar o governo de Getúlio Vargas. Prestes e um grupo de comunistas iniciam ações para a destituição do governo, mas seus planos foram descobertos. Ele é preso em 5 de março de 1936, em uma casa no bairro do Méier, no Rio de Janeiro, e sua esposa grávida é entregue à Gestapo, polícia política nazista.

Olga teve sua filha em uma prisão nazista em 1937. Após uma longa campanha nacional e internacional mediada pela mãe de Prestes, a avó consegue a guarda da neta. Olga permaneceu presa e morreu em um campo de concentração de Bernburg, em abril de 1942.

Com o fim do Estado Novo, Prestes foi absolvido dos seus crimes, pela tentativa implantação do comunismo no Brasil. Em 1952 casou-se novamente com Maria, teve outros filhos. Durante a ditadura militar foi perseguido e exilado. Com o fim da ditadura, no ano de 1989, apoia o candidato populista Leonel Brizola para a presidência da república. No ano seguinte, faleceu no Rio de Janeiro.

Bibliografia:

REIS, Daniel Aarão. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos. Editora Companhia das Letras, 2014.

Memórias da ditadura. Luís Carlos Prestes. Disponível em: <http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/luis-carlos-prestes/index.html>.

PRESTES, Anita Leocádia. Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. Boitempo Editorial, 2017.

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