Brasil. Jean Wyllys desiste do mandato parlamentar. [Vídeo]

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O deputado federal Jean Wyllys, que acaba de ser eleito pelo terceiro mandato consecutivo pelo PSOL do Rio de Janeiro, afirmou que está fora do país, de férias e que não pretende voltar, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

«O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar», contou ele ao jornal. Wyllys é o primeiro e único parlamentar assumidamente gay no Congresso brasileiro e virou alvo de ódio e fake news diárias por parte da direita.

«De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro», diz a reportagem. Ele disse não ter planos definidos ainda, mas que pretende se dedicar à carreira acadêmica ou até ir para Cuba.

«Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim», completou.

 

 

Ao G1, a assessoria de Jean Wyllys afirmou que há uma campanha «muito pesada» contra o deputado, que dissemina conteúdo falso sobre ele na internet o associando, por exemplo, à pedofilia, ao casamento de adultos com crianças e à mudança de sexo de crianças.

Assassinato de Marielle

De acordo com a assessoria de Jean Wyllys, o volume de ameaças contra o deputado aumentou após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em março do ano passado.

Ainda segundo a assessoria, desde então, o parlamentar precisava andar de carro blindado e com escolta de seguranças armados.

«Aumentou a situação de violência, de seguidores do atual presidente [Jair Bolsonaro] que fazem todo tipo de xingamento e ameaças nas redes sociais. Isso criou uma situação cada vez mais difícil. Antes do assassinato da Marielle, ele já vinha recebendo ameaças muito pesadas, inclusive direcionadas não só a ele, mas também à família. E-mails falando endereço da mãe, endereço da irmã, da família», informou.

De acordo com a assessoria, Jean Wyllys está no exterior, mas o local não será informado por questão de segurança.

Situação ‘muito grave’ do país

À TV Globo, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou que a situação do país é «muito grave».

«A situação do país é realmente muito grave, e a gente tem defendido que a resistência democrática no país é necessária. O Jean era e ainda é uma nesse processo de resistência democrática”, afirmou o presidente do PSOL. «A decisão dele é de caráter pessoal», acrescentou.

Juliano disse lamentar a decisão de Jean Wyllys porque o partido preferia que ele continuasse na bancada. Mas ressaltou que o partido compreende e se solidariza com o deputado.

Quem é Jean Wyllys de Matos Santos

Wyllys é jornalista com mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor de Cultura Brasileira e de Teoria da Comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e na Universidade Veiga de Almeida – ambas no Rio de Janeiro, além de ser escritor. Inicialmente, ele tornou-se conhecido após ganhar a edição de 2005 do reality show Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo.[12]

Em 2004 Wyllys participou da criação do curso de pós-graduação em Jornalismo e Direitos Humanos da Universidade Jorge Amado, em Salvador, na Bahia.[13] Abertamente homossexual, Wyllys é um dos mais atuantes parlamentares brasileiros na defesa dos direitos humanos, especialmente em relação aos direitos LGBT.

O ex-BBB foi eleito deputado federal pela primeira vez nas eleições de 2010 com a menor quantidade de votos pelo Rio de Janeiro, 13.018 (0,16%) votos válidos. Ele conseguiu a vaga graças ao desempenho de outro candidato a deputado federal do seu partido, Chico Alencar, que conquistou 240.724 (3%) dos votos na eleição.[14][15] Nas eleições de 2014, em uma situação inversa, Wyllys foi reeleito como o sétimo mais votado entre os deputados federais eleitos do Rio de Janeiro, com 144.770 (1,90%) dos votos válidos.[16]

Jean foi um dos autores dos Projetos de Leis, que dentre outros objetivos, visavam a revogação de determinados artigos do Código Civil que regulamentavam o casamento, para que houvesse o reconhecimento do casamento civil e da união estável entre pessoas do mesmo sexo (PL 5120/2013) e a regulação da atividade dos profissionais do sexo (PL 4211/2012).[17]

Em novembro de 2018, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu providências e proteção à Jean Wyllys por parte do Governo Federal, frente as constantes ameaças de morte ao parlamentar. [18]

Em 24 janeiro de 2019, Jean anunciou que desistiu de assumir o terceiro mandato como deputado federal pelo estado do Rio, garantido nas eleições de 2018, e deixará de viver no Brasil, dedicando-se a carreira acadêmica. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, Jean vive sob escolta policial. As intensificações de ameaças de mortes, recorrentes antes mesmo da execução de Marielle, e a atuação da milícia no estado, o levaram a tomar a decisão.[19]

Suplente de Jean Wyllys é negro, gay e favelado!

David Miranda é casado com o americano Greenwald, que revelou o esquema de espionagem dos EUA descoberto por Snowden

 PS do colaborador:

Fotoarte: «Até breve cumpa!».

Vídeo: Jean Wyllys e o voto histórico contra o Golpe: canalhas!

https://youtu.be/BkgXS8iKnWY

 

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https://www.brasil247.com/pt/247/sudeste/381458/Wadih-Damous-decisão-de-Jean-Wyllys-é-extensão-da-barbárie.htm

 

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