Brasil. Haddad/Ciro estão do mesmo lado

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A falsa guerra de ciristas e petistas

Luis Nassif

À medida em que se aproxima o final do 1º turno das eleições, é natural a radicalização entre seguidores dos dois candidatos favoritos ao posto de guerreiro da civilização contra a ameaça Bolsonaro.

Mas seria importante que as cabeças mais esclarecidas, de lado a lado, impeçam a radicalização e a demonização do adversário de agora, que poderá ser o aliado de amanhã.

Haddad e Ciro representam o lado mais racional e criativo das políticas públicas, e estão do mesmo lado. Tem ideias claras sobre os diversos temas. E estilos diferentes de implementação.

Qualquer que seja eleito, se terá a garantia de interrupção do processo de desmonte da economia e das grandes negociatas administradas por Eliseu Padilha, Moreira Franco e Michel Temer.

Ambos buscarão um pacto de governabilidade, mas, aí, com estilos diferentes.

Há um diagnóstico claro sobre os problemas enfrentados pela democracia no país.

O mais grave deles é o fato de as instituições estarem completamente fora de lugar, com procuradores e juízes atuando politicamente, militares dando pitacos em política, o Supremo exposto a Ministros oportunistas, que cavalgam as ondas do caos institucional. E, coroando tudo, uma crise econômica gigantesca.

Seja quem for o eleito, enfrentará o maior desafio político desde a eleição de Tancredo Neves.

Na largada, Ciro Gomes traz a vantagem de não estar estigmatizado pelo antipetismo que, hoje em dia, move os poderes e a mídia. Assumiria o poder com toda a energia, inibindo a atuação dos inimigos da democracia.

No entanto, o jogo é insidioso e não é corrida de cem metros: é maratona que exigirá anos para a consolidação do poder democrático. O pico do poder e da popularidade de um presidente é no primeiro dia de mandato. Depois, há uma corrosão, no caso brasileiro acentuada crise e pelo papel deletério das Organizações Globo – que, definitivamente, entraram em um jogo sem saída.

Aqui, um parêntesis.

Haverá material de sobra para os historiadores do futuro, de como a falta de consciência sobre seu próprio poderio transformou a Globo em uma excrescência: um poder de Estado, sem ser Estado. Nessa escalada suicida, só haverá dois desfechos possíveis para esse jogo. Ou ela se torna poder definitivo, mudando a sede do governo para o Projac, ou será definitivamente enquadrada pelo poder político, assim que houver uma reorganização. Não haverá outra saída possível.

Como não há precedentes da história de um grupo de mídia assumindo o controle de um país, pode-se supor que seus dirigentes foram tomados pelo mais perigoso dos porres:  a miragem da onipotência que, aliás, parece ter atingido todo seu corpo de jornalistas. (clique aqui).

Se Ciro entusiasma na partida, há dúvidas sobre a estratégia de chegada. O enfrentamento, de peito aberto, de uma relação imensa de adversários – do poder político (PMDB/PSDB), partido da Justiça, poder militar e, por tabela, a mídia – lança dúvidas sobre os resultados do jogo no médio prazo. Seja qual for o resultado, se manterá o país conflagrado.

No caso de Haddad, o jogo é outro. Terá dificuldades na partida, devido ao antipetismo radical. Mas toda sua estratégia será em direção a uma grande coalisão que reponha o primado do poder político e permita a reconstrução gradativa das instituições. Para tanto, Haddad terá que contar com a assessoria dos quadros petistas mais experientes, como Jacques Wagner, Sérgio Gabrielle, Ricardo Berzoini, todos orientados por Lula.

Não há condições, a priori, de definir qual estratégia é mais viável. No primeiro dia de governo Haddad, o Partido do Judiciário reabrirá a caçada aos quadros dirigentes petistas. E não há como avaliar, agora, quais as concessões que serão necessárias para a consolidação do poder do Executivo.

Com Ciro, o jogo de desgaste será a médio prazo com a receita de praxe: escandalização de qualquer problema administrativo, superexposição de qualquer deslize verbal. Um de seus trunfos é o discurso anticorrupção. Como será trabalhado pela mídia, quando confrontado com outro discurso seu, o de impor limites aos abusos da Lava Jato e do Judiciário? E quando PSDB, PMDB e centrão se unirem no Congresso contra ele?

De tudo o que foi exposto, só há uma certeza: ambos, Ciro e Haddad, fazem parte do mesmo campo. E não podem deixar que o fragor dos últimos dias de campanha inviabilize uma futura aliança.

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A falsa guerra de ciristas e petistas, por Luis Nassif

 


 

 

Haddad diz que não vai atacar Ciro nem ninguém que possa «compor governo»

Jornal GGN

O candidato do PT à Presidência Fernando Haddad disse na manhã da segunda (17), em entrevista ao UOL/SBT/Folha, que não vai atacar Ciro Gomes (PDT) porque ambos têm intenção de formar uma frente ampla de esquerda no segundo turno.

Haddad disse ainda que convidou e foi convidado por Ciro para ser vice em sua chapa, e indicou que ele, assim como outros aliados ao centro-esquerda, podem compor um «governo».

«Não é bacana para a sociedade, na disputa pelo primeiro turno, ficar rebaixando as demais [candidaturas]. (…) Não vão ouvir de mim nada desabonador em relação às pessoas que acho que vão compor o governo», disse Haddad.

Segundo o petista, «Ciro me convidou para ser vice na chapa dele. Disse, na ocasião, que teria ser honra de ser vice na minha. Ele é meu amigo.»

Haddad ainda disse que procurou Ciro em janeiro, na presença de o Mangabeira Unger, «na minha casa». Ele disse na oportunidade que «tinhamos de compor uma chapa de esquerda. Ciro teria espaço na chapa do Lula.» Mas o pedetista não aceitou a empreitada.

O GGN já publicou essa informação e apontou que Ciro não concordou com a condição de levar a candidatura de Lula (que seria a cabeça da chapa) até as últimas consequências jurídicas, como fez o PT com Haddad na vice.

«Eu fui o que mais buscou aproximação de todas as partes da centro esquerda», disse Haddad, reiterando que a aliança não foi possível no primeiro turno, mas que foi projetada para o segundo com a anuência das demais candidaturas, inclusive a de Ciro.

«Você tá falando de uma pessoa que vai ajudar a construir um amplo campo de apoio popular.»

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Haddad diz que não vai atacar Ciro nem ninguém que possa “compor governo”

 

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