Brasil-Futebol. Falhamos!

Publicidad

 

Acorda, Landim!

Sonhei que o Flamengo tinha um presidente à altura de sua grandeza. Um rubro-negro que, diante da maior tragédia da história do clube, já teria se apresentado para uma grande entrevista coletiva, na Gávea, e que a abriria, constrangido, mas firme, admitindo, com humildade e grandeza:

«Falhamos tragicamente com os nossos meninos. Tínhamos a obrigação de protegê-los e fomos incapazes de fazê-lo. Eles morreram dentro do nosso centro de treinamento, no Ninho do Urubu. Independentemente do que vier a ser apurado – e, podem ter certeza, apuraremos tudo com rigor -, a responsabilidade é nossa e a assumiremos por completo, apoiando e suportando as famílias dos jovens que se foram nesse lamentável incidente».

Isto posto, começaria, então, a responder, minuciosamente, perguntas a respeito do tal alvará que ainda falta e por que falta; das seguidas multas que o CT levou, sem cumprir as exigências da Prefeitura e dos Bombeiros; da manutenção nos aparelhos de ar condicionado, feita dias antes (por que?); do controverso container usado como alojamento, que tinha apenas uma porta de saída e seria abandonado em poucos dias; do misterioso (e forte) cheiro de solvente no corpo de um dos jovens que estavam no quarto de número seis; da ausência de extintores de incêndio no local do sinistro, bem como de uma brigada de incêndio no centro de treinamento, etc, etc.

No meu sonho, o presidente do Flamengo não fugiria de nenhum questionamento e ainda que não fosse diretamente responsável pela tragédia (até porque assumiu há pouco mais de um mês), não se furtaria a levar consigo, para conversar com a imprensa, os responsáveis pelo CT, na sua administração e na anterior, bem como os responsáveis pelas divisões de base, pelos alojamentos e por aí vai.

Ele aproveitaria a ocasião para explicar também quem é, afinal, o responsável pelo Ninho do Urubu, como um todo. Quem é o «prefeito» do pedaço. Porque, decididamente, não é ele nem o tal CEO. Presença obrigatória na entrevista seria, também, Carlos Noval, durante tantos anos o principal gestor das divisões de base. O que ele tem a dizer sobre o que aconteceu?

Nos meus devaneios, a partir do exemplo determinado e da liderança do presidente, todos falariam francamente, abrindo o coração sobre tudo que pudesse ajudar a esclarecer o que houve e, sobretudo, evitar uma nova tragédia no futuro. E a partir daí o exemplo de uma nova forma de o Flamengo cuidar de seus jovens poderia servir de parâmetro e exemplo para os demais clubes no Brasil. Desta forma, ao menos, a morte dos dez garotos, não seria em vão.

Pouco antes de despertar, imaginei ainda o final da longa coletiva, com o presidente anunciando que, diariamente, faria questão de manter contato com os repórteres para, através deles, manter informada a torcida e, por que não dizer, o país, sobre o andamento das investigações.

Acordei, empapado de suor e ainda arrasado pela devastadora calamidade rubro-negra. Acorda também, Rodolfo Landim! E assuma, de uma vez por todas, a postura que um presidente do Flamengo tem que ter.

Tragédia do CT do Flamengo: saiba quem são as vítimas

As vítimas

Foram confirmados dez mortos e três feridos. As vítimas foram identificadas como Christian Esmeio Candido (15 anos), Vitor Isaías (15 anos), Jorge Eduardo (15 anos), Pablo Henrique da Silva (15 anos), Bernardo Pisetta (14 anos), Arthur Vinicius (14 anos), Athila Paixão (14 anos), Gedson Santos (14 anos), Rykelmo Vianna (16 anos) e Samuel Thomas Rosa (15 anos).

Os sobreviventes

Os bombeiros conseguiram resgatar três garotos: Cauan Emanuel Gomes Nunes, de 14 anos, Francisco Dyogo Bento Alves, 15, e Jonathan Cruz Ventura, 15.

As informações são de que Jonathan está em estado gravíssimo e será transferido para o Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Municipal Pedro II. O jovem tem de 30 a 35% do corpo queimado.

O local

O Ninho do Urubu fica localizado no bairro de Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é utilizado para treinamentos do elenco profissional e das categorias de base. O CT passou por uma reforma que terminou em novembro de 2018, com a inauguração de um módulo moderno para os profissionais. A ala utilizada pelos garotos seria desativada e demolida nas próximas semanas.

De acordo com o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro e Secretário de Defesa Civil, Roberto Robadey, o alojamento em que estavam as vítimas da tragédia não tinha documentação.

«Não é exclusividade desse local. Mas as pessoas às vezes aprovam uma planta, aí quando vai ver resolve fazer puxadinho. Aumentar. A gente lamenta que as pessoas não possam fazer um planejamento adequado. É um ato final. Existe todo um procedimento. O fato de não ter a documentação implica até que não havia segurança. Muitas vezes até existe os dispositivos de segurança, mas ainda não teve uma regularização adotamos várias medidas para simplificar esse processo para agilizar», declarou Robadey em entrevista à rádio BandNews.

 

PS do colaborador;

Fotoarte: “Solidariedade”

.

https://esporte.uol.com.br/futebol/colunas/renato-mauricio-prado/2019/02/11/acorda-landim.htm?cpVersion=instant-article

 

También podría gustarte

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Accept Read More